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Terça, 28/02/2017

- Atualizado em

Dia após dia, casos de violência contra a mulher aumentam em Nova Andradina

O Nova News traz como destaque nesta sexta-feira (06) uma matéria exclusiva com a delegada Daniela de Oliveira Nunes Leite que revela um aumento de casos registrados no ano de 2016

Luciene Carvalho - Redação Nova News


De uma ofensa que parece algo simples, ao estopim de chegar ao ponto de agredir fisicamente a própria companheira. O drama dos casos de violência contra a mulher não para de acontecer e dia após a dia a proporção é ainda maior em Nova Andradina.


O Nova News traz como destaque nesta sexta-feira (06) uma matéria exclusiva com a delegada titular da DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher), Daniela de Oliveira Nunes Leite, que revela a dimensão preocupante que a situação chegou no ano de 2016 com um número maior de casos registrados. Os dados, que a reportagem teve acesso, mostram que cerca de 430 casos de violência contra a mulher ocorreram no ano passado no município. Em 2015, o número foi de 385.


A situação dramática vivenciada no dia a dia dos lares em Nova Andradina é, segundo a delegada, uma situação delicada que requer atenção especial. “A preocupação maior é que uma grande parte dos crimes ocorridos de maneira geral no município é de casos de violência doméstica. Além do mais, o município ficou muitos anos sem ocorrer casos graves e em 2016 fomos surpreendidos com até mesmo um feminicídio, e os números em geral de casos que aumentaram”, enfatiza Daniela.

Delegada detalha que o número de casos chegaram a cerca de 430 no ano (Imagem: Luciene Carvalho/Redação Nova News)

Quase que diariamente são registrados ocorrências sobre fatos dos mais diversos tipos. Questionada sobre a maior proporção dos casos, a delegada diz que a lei não é em sua totalidade efetiva. “A lei protege a vítima, no entanto, ela existe no papel. Muitas vezes a vítima, seja pelo vínculo psicológico, financeiro ou afetivo, não consegue sair de um ciclo de violência e, desta forma, o companheiro vai percebendo que ela não tem a coragem de enfrentá-lo. O homem vai percebendo que ele domina a relação e se acha no direito de fazer o que bem entender”, pontua Daniela.


Outro ponto destacado pela delegada é a punição dos autores que, na maioria dos casos, quando são presos acabam sendo soltos rapidamente, sem falar ainda nos casos mais leves em que a vítima deixa de manifestar o desejo de representar criminalmente contra o companheiro pelo ato que sofreu.


Na análise da delegada, as brechas da lei são, por sua vez, percalços difíceis de serem lidados. “Em uma situação de violência doméstica deve ser levado em conta se o caso preenche os requisitos de uma prisão. Há outras medidas a serem tomadas, a última atitude que o Estado prevê é a prisão e que na maioria das vezes é de pouquíssimo curto prazo. Não chega a ser vista como uma punição pelos próprios autores que voltam a cometer o mesmo ato”, frisa.


“A violência contra a mulher, em si, é difícil de ter uma punição à altura de qualquer outro crime. Quem comete um crime de homicídio, roubo ou de tráfico de drogas, é punido com mais rigor, ao contrário de quem pratica uma violência doméstica que é tão grave como qualquer outro crime. A diferença é que infelizmente nossa legislação funciona desta forma. O autor de uma violência doméstica também é um bandido e precisa de uma punição rigorosa”, classifica Daniela.


Daniela Nunes destaca que lei não é efetiva em sua totalidade (Imagem: Luciene Carvalho/Redação Nova News)

Casos que mais predominam


As situações de violência contra a mulher que mais predominam em Nova Andradina são as ameaças. Entre os casos que mais se destacam, estão as ameaças de morte quando o homem não aceita o fim de um relacionamento.


A delegada classifica a maioria dos casos de ameaças como banais em situações que não deveriam acontecer.  “A violência é uma situação muito complexa. Não há como dimensionar a proporção que uma situação pode chegar.  São na maioria das vezes, questões banais do cotidiano de um casal que levam a uma agressão. Mas, o pior que após um pedido perdão e um mimo para a mulher, os dois se reconciliam e mais tarde tudo volta a acontecer e até em proporções ainda piores”, aponta Daniela Nunes.


Usar a razão, e não a emoção


Tomar a decisão de um pôr um fim de um relacionamento é o principal dilema das vítimas que mesmo sofrendo agressão tem um vínculo afetivo com o agressor. A delegada diz que o único meio de uma mulher acabar com um ciclo de violência é procurar ajuda. “O que eu sempre digo para as mulheres vítimas de violência que nos procuram é que em quanto elas estiverem em uma situação vulnerável de violência a tendência é esse ciclo nunca acabar. Em outras palavras, isto quer dizer que enquanto ela estiver convivendo com o marido agressor, a violência sempre vai existir. Ela precisa querer sair desse ciclo”, detalha.


De acordo com a delegada, o município tem uma rede de atendimento que está à disposição das mulheres vítimas de violência com todo aparato necessário nas mais diferentes situações. A mulher, por exemplo, que quer sair de casa e não tem para onde ir, é abrigada e assistida para dar fim à violência sofrida.


O por quê das agressões


O que leva um homem a agredir sua companheira é, segundo Daniela, difícil de ser respondido. Do seu ponto de vista, não adianta tratar a mulher e quando ela volta para o lar tudo volta a acontecer. “O ideal é existir um projeto permanente voltado para o homem. O homem não é apenas violento porque bebe ou usa droga - ele é violento por uma série de motivos que precisam ser analisados. O homem pode ser violento porque sofreu algum tipo de violência em algum momento da vida e precisa de atendimento psicológico. Há situações que o homem está se tornando agressivo por estar passando por uma dificuldade financeira e não sabe agir, e acaba descontando os problemas em cima da mulher e nos filhos. Existem ‘n’ motivos que fazem uma pessoa ser violenta. Digo isto por que até chegar a agressão física é possível tratá-lo e muitas situações podem ser evitadas”, enfoca.


Segundo Daniela, o aumento dos casos continua sendo um reflexo da iniciativa maior das mulheres em denunciar. “Não há mais aquela educação submissa em que o machismo impera. À medida que elas têm ganhado espaço e evoluindo, a tendência as denúncias só aumentarem. O homem tem que perceber que ele não tem o direito de cometer nenhum tipo de violência”, diz Daniela ao falar que a violência contra a mulher não acontece apenas nas classes sociais mais baixas. “Ela está presente em todos os ambientes. Na classe alta existem muitos casos, e até mesmo mais graves e que deixam de ser registrados por vergonha das vítimas se exporem”.


Em suas considerações finais, a delegada Daniela Nunes diz que a mulher tem que decidir querer seguir em frente. “Não adianta ela pensar que tem que continuar com o marido porque acha que não vai conseguir alguém melhor. Se você não está feliz no casamento, seja por qual for a situação, você precisa antes de mais nada se separar. Nenhum um outro homem vai olhar para você se é considerada uma mulher casada. A partir do momento que você se dá o direito de ser feliz, existe uma chance de você ser feliz. Sabemos que é muito difícil pedir para uma mulher denunciar uma violência sofrida pelo próprio companheiro que está vivendo. Certamente, o sofrimento de uma separação é inevitável, além ainda do medo de uma ameaça. Antes de mais nada, ela precisa querer dar um fim à violência que esteja vivendo e tentar um recomeço diferente de vida”.

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