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Terça, 17/01/2017

- Atualizado em

Processo licitatório para a pavimentação da rodovia MS-473 é suspenso devido à 'Lama Asfáltica'

Acácio Gomes - Redação Nova News


De acordo com publicação no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso do Sul (DOE-MS), o processo licitatório para a pavimentação asfáltica da rodovia MS-473, que liga a cidade de Nova Andradina ao campus do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e que também dá acesso aos bairros rurais Laranjal, São Bento e Papagaio, foi suspensa em decorrência da operação Lama Asfáltica.


Segundo o DOE-MS, a concorrência foi suspensa porque a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) aguarda manifestação do Ministério Público (MP) quanto à autorização para intervenção na rodovia, que está sob investigação na operação Lama Asfáltica, que apura o desvio de recursos públicos em contratos de obras, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.

Rodovia MS-473 é alvo de constantes reclamações por parte de seus usuários, que exigem melhorias (Imagem: Acácio Gomes / Nova News)

No mês de maio de 2016, o Nova News já havia produzido reportagem, adiantando que a Lama Asfáltica poderia, de fato, comprometer a pavimentação da MS-473. Naquela época, a Polícia Federal iniciou a análise e perícia da documentação apreendida na Operação Fazendas de Lama, 2ª fase das investigações da Lama Asfáltica, que investiga fraude em licitações no Governo de Mato Grosso do Sul, durante a gestão de André Puccinelli.


A operação resultou na prisão de 15 pessoas, entre elas o ex-deputado federal e ex-secretário de Obras, Edson Giroto, o dono da empreiteira Proteco, João Amorim, além de mais 13 pessoas. Houve também, busca e apreeensão na casa do ex-governador André Puccinelli (PMDB). À época dos fatos, conforme foi apurado pelo Nova News, era possível que em meio à documentação que seria analisada, houvessem dados referentes à rodovia MS-473, localizada no município de Nova Andradina.


A rodovia já havia sido citada em investigação por parte do Ministério Público Estadual, já que a empresa Proteco Construções LTDA, do empreiteiro João Amorim, abocanhou, na época do mandato do governador André Puccinelli (PMDB), R$ 3.943.094,03 (três milhões, novecentos e quarenta e três mil, noventa e quatro reais e três centavos) do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul entre 2013 e 2014 para cascalhar o trecho.  O Nova News apurou que, naquela ocasião, o pacote de verbas destinadas à Proteco para recuperação de várias rodovias em Mato Grosso do Sul chegou à cifra de mais de R$ 11 milhões sendo que, deste total, aproximadamente R$ 4 milhões, foram repassados pelo Estado à empresa, apenas para cascalhar a MS-473.

Rodovia é utilizada diariamente por estudantes do IFMS e por produtores rurais da região (Imagem: Acácio Gomes / Nova News)

Além do valor considerado alto, outro fator que chama a atenção são as datas de dois dos repasses efetuados pelo governo de André Puccinelli à Proteco Construções com relação ao cascalho que teria sido colocado na rodovia localizada em Nova Andradina. 

 

Pelo extrato dos pagamentos, no dia 26/09/2013, a empreiteira recebeu R$ 182.868,51 e, poucos dias depois, em 08/10/2013, houve um novo repasse, desta vez de R$ 762.399,78, totalizando R$ 945.268,28, ou seja, quase R$ 1 milhão em menos de quinze dias.


A rodovia sempre foi tema de reclamação por parte de seus usuários que sofrem com a areia e poeira nas épocas de estiagem e com os atoleiros nos períodos chuvosos. Em fevereiro de 2016, o Nova News já havia noticiado que, naquela época, a MS-473 estava impossibilitada de receber obras devido à investigação do MP.

Publicação no Diário Oficial do Estado informe que processo licitatório foi suspenso devido à operação Lama Asfáltica (Imagem: Reprodução)

Um dos responsáveis pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), em Campo Grande, chegou a dizer ao site que a Promotoria de Justiça havia solicitado uma perícia na rodovia e que o procedimento foi iniciado após denúncias sobre supostas irregularidades na obra de cascalhamento executada pela empresa Proteco, ainda na gestão do ex-governador André Puccinelli, que passou a ser alvo de investigação na “Operação Lama Asfáltica”.


Após assumir o Governo do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB) empreendeu esforços para a MS-473 fosse pavimentada e chegou a garantir que a obra seria realizada, porém, as investigações novamente vão adiar a concretização do projeto, que mais do que uma obra, representaria a realização de um sonho, tanto para os estudantes do IFMS quanto para moradores e produtores rurais da região.  

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