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Investigação de vereadores eleitos de Nova Andradina e Taquarussu está em fase final

Futuro político dos vereadores eleitos que passaram a ficar na mira do Ministério Público sobre suposta compra de votos ainda está sendo decidido 

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Se tudo correr dentro do cronograma esperado, dentro de um prazo médio de 15 dias já deverá entrar para a reta final a decisão do futuro político dos dois vereadores eleitos de Nova Andradina e Taquarussu que passaram a ficar na mira do MPE (Ministério Público Estadual) sobre suposta compra de votos.

Em entrevista à reportagem do Nova News na manhã desta quinta-feira (03), o promotor eleitoral Fabrício Secafen Mingati disse que hoje as atenções se voltam na conclusão do  inquérito policial aberto pela Polícia Civil de Nova Andradina e de um procedimento criminal que está em fase final de instrução no MPE. “Seguindo em processo de finalização, estamos terminando de levantar os elementos que precisamos para ingressar com a ação de investigação judicial eleitoral em que a juíza eleitoral dará a decisão final”, afirma o promotor.

Questionado sobre o andamento da investigação, o promotor expôs que não podem ser divulgadas informações detalhadas das supostas práticas de compra de votos pelo sigilo necessário que os casos requerem. “A efeito de esclarecer a população, posso apenas adiantar que tudo segue dentro do previsto. Tratam-se de ações minuciosas em que é necessário fazer o periciamento de provas para se chegar à conclusão da veracidade dos fatos. Ainda mais, fora os candidatos eleitos investigados, temos que nos ater ainda aos eleitores que eventualmente aceitaram o favorecimento ilegal oferecido. Não apenas comprar como no caso dos principais alvos nestas ações, mas vender voto também é crime”, pontuou Mingati.

MPE, através de Promotoria Eleitoral, está à frente de investigação sobre suposta compra de votos (Imagem: Arquivo Nova News)

Por fim, o promotor afirmou que até o dia 19 de dezembro deverá ocorrer a diplomação dos candidatos eleitos. Isto quer dizer que até lá caso seja comprovada a compra de votos por parte dos dois investigados, eles podem perder o direito de tomar posse no dia 1º de janeiro de 2017. Entretanto, se o prazo não for suficiente para o julgamento da ação, mesmo eles assumindo os seus respectivos cargos, poderão ser cassados e terem seus direitos políticos suspensos, a chamada inegibilidade.

Entenda o caso

À época dos fatos, o Nova News acompanhou como tudo aconteceu. Em plena véspera e dia das últimas eleições municipais, 02 de outubro, o MPE, atuante na 5ª Zona Eleitoral, em operação conjunta com o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e a Polícia Civil, desencadeou a operação “Entrada Livre”, que identificou a prática de crime de compra de votos por parte de um candidato a vereador em Taquarussu.

Após receber denúncia carreada com elementos que apontavam para a ocorrência da conduta ilícita, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) iniciou acompanhamento do candidato e requereu a expedição de mandados de busca e apreensão em sua residência, estabelecimento comercial e local de trabalho, todos no município de Taquarussu.

Durante o cumprimento dos mandados, no dia 1º de outubro, foram apreendidos, entre outros itens, inúmeras listas de eleitores e dezenas de convites de um “show” sertanejo e R$ 1.900,00 (mil e novecentos reais) em espécie, em notas de R$ 50 e R$ 100, que provavelmente seriam utilizados para compra de votos.

Distrito de Nova Casa Verde

A operação “Bomba Aberta” também foi deflagrada pelo Ministério Público Eleitoral atuante na 5ª Zona Eleitoral, mais uma vez em parceria com o GAECO e a Polícia Civil.

A ação resultou na apreensão de elementos que apontam para esquema de compra de votos por parte de um candidato a vereador no município de Nova Andradina em conluio com um proprietário de posto de combustíveis localizado no Distrito de Nova Casa Verde, pertencente à Nova Andradina.

Após receber inúmeras denúncias de que eleitores daquele distrito e arredores estariam abastecendo seus veículos em posto de combustível localizado às margens da rodovia BR-267, o MPMS iniciou acompanhamento do local.

Constatado o movimento incessante de veículos que lá paravam e abasteciam sem qualquer tipo de pagamento, foi requerida e deferida pelo juízo da 5ª Zona Eleitoral a expedição de mandado de busca e apreensão.

Durante o cumprimento, já no final da tarde do dia 2 de outubro, foram apreendidos, entre outros itens, dezenas de notas e recibos de abastecimento em nome de candidato a vereador, assinados por pessoas diversas, planilhas apontando elevados gastos do mesmo candidato nas semanas anteriores ao pleito e pequenos tíquetes que eram usados como “moeda de troca” pelo combustível.

Em ambas as operações, caso comprovadas a prática do crime eleitoral e a captação ilícita de sufrágio, os envolvidos, entre eles os próprios candidatos, poderão ser condenados a pena de reclusão de até quatro anos.

No caso do candidato de Nova Andradina ele foi eleito para o seu primeiro mandato, enquanto o de Taquarussu já ocupa uma das cadeiras do Legislativo e foi reeleito.

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