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Artigo: Brasil Varonil - vai ou racha!

Elizeu Gonçalves Muchon (Imagem: )

Fico imaginando, um sujeito comum, com mulher, filho e jegue para dar milho, assistindo o noticiário em sua velha TV analógica, prestes a não funcionar mais com a chegada da TV digital, o que a princípio significa comprar uma nova e não há dinheiro para tamanho investimento.

Logo na primeira manchete o âncora diz: Renúncia de arrecadação do INSS soma 330 bilhões em seis anos. O tal sujeito arregala os olhos, aguça os ouvidos e ouve a notícia por inteiro, ao final o âncora chama um comentarista que explica de forma didática o imbróglio. Diz o comentarista de economia: - Essa justificativa do governo de que uma reforma na previdência seria para promover o equilíbrio econômico da previdência, já não cola mais, basta olhar os dados apresentados em recentes estudos, (o último deles da OAB de SP), que chegaram a conclusão de que, governos anteriores(esse manteve), permitiram uma renúncia fiscal de R$ 330 bilhões, que deveriam ter entrado nos cofres da Previdência, derrubando por terra a tese de que a Previdência está quebrada com déficit de alguns bilhões; e se esta culpa não é do cidadão e sim do governo.

Da cozinha, a mulher do sujeito resmunga com indignação: - Vixi e nós temos que contribuir 49 anos?

O apresentador deu outra manchete: Governo estuda reforma trabalhista. Um dos pontos principais será a jornada móvel, ou flexível. O que na prática significa uma situação análoga à escravidão.

O sujeito afastou as costas do sofá (velho e rasgado, presente de casamento há 17 anos atrás), para aproximar mais o rosto da TV. A próxima manchete foi: Conselho de Ética da Câmara dos Deputados se reúne para julgar caso da cusparada que o deputado Jean Wyllys deu no rosto do deputado Jair Bosonaro. Nosso personagem deu uma baforada no cigarro de palha e soltou uns palavrões com p.., com b..., com c... e concluiu – esses vagabundos não tem o que fazer!!

Secando as mãos em um pano de prato, a mulher do sujeito adentrou a sala para fazer coro ao marido enquanto ouvia a manchete seguinte: Ex-presidente Lula se torna réu pela quinta vez na operação Lava Jato. O cabra olhou para mulher e perguntou irritado: - Será que não tem uma notícia que presta, será?

Não tinha mesmo. Mas tinha uma notícia engraçada. (Seria cômica se não fosse trágica).

O apresentador estufou o peito e disse: No âmbito das delações premiadas, uma curiosa lista com apelidos dos políticos envolvidos na organização criminosa, deixam os políticos ansiosos para sabem quem tem o apelido de bobão e casa de doido. Até porque, continuou o âncora, algumas alcunhas já foram reveladas. Eliseu Padilha (o primo), Renan (justiça), Romero Juca (caju), Geddel (babel), Lúcio Vieira (bitelo) Duarte Nogueira (corredor), Marco Maia (gremista), Rodrigo Maia (Botafogo), Ciro Nogueira (cerrado ou pequi), Lídice da Mata (feia), José Carlos Aleluia (o missa), José Agripino (gripado), Moreira Franco (âncora), Gim Argello (campari), Jaques Wagner (polo), Eduardo cunha (caranguejo), Arthur Maia (tuca), Heráclito Forte (boca mole ), Delcídio do Amaral (Ferrari ), Inaldo Leitão (todo feio). E a bizarra lista continuou na narração do apresentador do tele jornal.

A mulher, ainda com o pano de prato nas mãos, repetiu irônica. Bobão e casa de doido kkk. O sujeito, sacudindo o pau do fósforo que acabara de acender o cigarro de palha retrucou a mulher: - Não sou bobão e essa não é uma casa de doido. A mulher apressou a explicar; Marido, não é com você, bobão e casa de doido são os apelidos misteriosos de dois políticos, não ouviu?

Ele mediu a mulher de alto a baixo com sua régua de companheiro, sorriu e murmurou: Esse é nosso BRASIL VARONIL, de heróis como eu e você minha “nega.” Um jeito terão que dar, ou vai, ou racha, mas acho que vai rachar.

Elizeu Gonçalves Muchon – professor e jornalista*

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