Buscar

Delfim Netto recebeu parte dos R$ 4 mi de propina em espécie, diz MPF

Valor rastreado foi bloqueado pela Justiça. Restante das vantagens indevidas foi pago por meio de contratos de consultoria fictícios

Cb image default

Delfim Netto foi acusado por lavagem de dinheiro - Imagem: Eduardo Knapp / Folhapress

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa afirmou que as investigações rastrearam cerca de R$ 4 milhões de propina a Delfim Netto e que parte do dinheiro foi recebido em espécie. A informação foi divulgada em entrevista sobre a operação Buona Fortuna, deflagrada na manhã desta sexta-feira (9).

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), a outra parte da propina foi paga por meio de contratos fictícios de consultoria.

— Os pagamentos de propina foram feitos em espécie no caso Odebrecht e, em relação às outras empresas, em contratos ficticios. Um com a empresa LS, do qual é socio o sobrinho de Delfim Netto, senhor Luis Apolonio, e outra na empresa Aspen, da qual era sócio Delfim Netto. Ressalto que os contratos de consultoria eram inexistentes.

A defesa de Delfim Neto, no entanto, diz que ele "não cometeu nenhum ato ilícito" e que "não ocupa cargo público desde 2006". As investigações apontam que o ex-ministro recebeu R$ 15 milhões, mas apenas R$ 4 milhões foram localizados.

O procurador esclarece que Delfim Netto teria recebido a propina no período de 2012 a 2015. Os R$ 4 milhões rastreados pelas investigações foram bloqueados pela Justiça. Delfim Netto é acusado de lavagem de dinheiro, fraude de consórcio, organização criminosa e corrupção.

Segundo o MPF, Delfim Netto não foi preso nesta fase da Lava Jato, porque não há provas suficientes que justifiquem o pedido de prisão. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão nas casa do ex-ministro e locais de trabalho.

Operação Buona Fortuna

A operação Buona Fortuna foi deflagrada pela PF nesta sexta-feira (9). A ação investiga o pagamento de propina de empreiteiras interessadas em participar do consórcio Norte Energia, responsável pela construção da Usina de Belo Monte.

Segundo as investigações, houve pagamento de propina para o MDB e o PT e para o ex-ministro Delfim Netto. A PF cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, sendo seis em São Paulo e quatro em Curitiba. Os mandados judiciais foram expedidos pelo Juízo Titular da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR).

Outro lado

A defesa do professor Delfim Neto, representada pelos advogados Ricardo Tosto e Jorge Nemr, sócios do escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, esclarece que: "O professor Delfim Neto não ocupa cargo público desde 2006 e não cometeu nenhum ato ilícito em qualquer tempo. Os valores que recebeu foram honorários por consultoria prestada".

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.