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Grupo no interior de SP dá multa moral a quem estaciona em vaga reservada

(Foto: UOL)

Conscientizar, de forma bem-humorada, motoristas que param irregularmente em vagas destinadas a idosos e a deficientes físicos. Esse é o objetivo de uma campanha realizada em São José do Rio Pardo (a 254 km da capital de São Paulo) que distribui multas morais, sem valor financeiro, aos motoristas que infringem a lei.

A campanha, intitulada Dê Espaço ao Respeito", é idealizada pela Arepid (Associação Rio-Pardense Esportiva e Paradesportiva do Idoso e do Deficiente) e começou a ser colocada em prática há um mês. O objetivo, de acordo com a instituição, é dar um "puxão de orelha" em quem utiliza indevidamente locais reservados. A campanha tem apoio da ACI (Associação Comercial e Industrial) do município.

A cidade possui pouco mais de 51 mil habitantes e, segundo a Arepid, perto de 7.000 são idosos ou possuem algum tipo de deficiência que dariam acesso às vagas exclusivas. A prefeitura, por sua vez, informou que, a cada quarteirão onde funciona o serviço de Zona Azul, 5% das vagas são reservadas, o que significa uma para idosos e uma para deficientes.

De acordo com Sérgio Braz, professor de educação física idealizador do projeto e que dá aulas de voleibol para idosos e de atletismo para pessoas com deficiência, a intenção é mostrar que as vagas exclusivas são necessárias. "Por falta de conhecimento, a população acaba parando nesses locais. 

Então nós confeccionamos 5.000 multas, que são colocadas nos veículos parados indevidamente. É um puxão de orelha e esperamos que as pessoas aceitem."

Melhorias

Em vez de pagar a multa e perder pontos na carteira, a penalidade proposta é "aceitar esse puxão de orelha com bom humor e admitir seu erro". Cada multa vem ainda com o texto "Pense que essa vaga existe por um motivo especial: ela é adaptada às necessidades de quem realmente precisa. Pense bem da próxima vez - é ruim ver sua vaga ocupada por quem não deveria, né?".

Segundo Braz, em alguns casos, uma pessoa com deficiência ou idosa espera o motorista infrator chegar e explica por que precisa da vaga. "A chance de a postura mudar é maior quando quem errou vê que está prejudicando alguém de fato", conta.

A campanha é permanente e melhorias estão sendo sentidas em alguns locais. "Já percebemos uma mudança da parte dos motoristas. Também estamos pensando em fazer campanha dentro dos bancos, já que muitos deles ainda não fizeram adaptação do piso tático do deficiente visual."

Para quem precisa das vagas, a medida causou boa impressão. É o caso de Renato José Guimarães Pereira, que teve uma das pernas amputadas há cinco anos, depois de um acidente de moto. "Não sei o que acontece com as pessoas. Muitas não têm a mínima consciência do que é ser um deficiente físico e depender de uma vaga, de uma rampa, de respeito no trânsito, enfim, de meios de acessibilidade para viver em sociedade."

Para ele, a multa moral serve como uma espécie de tapa com luva de pelica nos infratores. "Espero que as pessoas entendam o objetivo da campanha e aceitem como um toque de cidadania. É preciso ter mais consciência em relação às dificuldades pelas quais passam idosos e pessoas com deficiência."

Já o auxiliar administrativo Arthur Vilares Santos, 34, que recebeu uma das multas, levou a bronca com bom humor. "A gente sabe que a vida de todos é corrida, mas eu admito que errei. O puxão de orelha vai servir", disse.

Multa e pontos na carteira

Independentemente da campanha e da advertência moral, o ato de utilizar um espaço destinado a idosos ou deficientes é considerado uma infração leve. "O trabalho de multar é feito pela Polícia Militar, que também pode ser acionada pela população em caso de qualquer irregularidade", informa o secretário de Trânsito da cidade, Carlos Donizete Brambila.

A multa é de R$ 53,20 e três pontos na carteira. Em 2015, das 480 multas aplicadas pela PM, 135 foram por estacionamento irregular. O secretário não soube precisar, entretanto, quantas dessas foram dadas a motoristas que pararam em locais reservados.

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