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Jair Bolsonaro e a construção da agenda liberal

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) defende uma agenda liberal no Brasil há algum tempo, bem antes de chegarão cargo mais importante do Poder Executivo do país — assumido oficialmente em janeiro deste ano. Ainda deputado federal, Bolsonaro já expressava em discursos e entrevistas o desejo em adotar uma cartilha liberal na Economia do Brasil em caso de vitória no pleito de outubro. “Nossa Constituição será o mapa e os princípios liberais serão a bússola para navegarmos no caminho da prosperidade”, declarou Bolsonaro em suas redes sociais ainda no período de campanha eleitoral.

Para liderar a frente econômica, Jair Bolsonaro destinou a Paulo Guedes missões que considera importantes, como as privatizações e a reforma da previdência. O economista de 69 anos reforça o discurso do presidente e promete velocidade nas medidas. “O primeiro pilar é a reforma da previdência, o Segundo são as privatizações aceleradas e o terceiro pilar é a simplificação, redução e eliminação de impostos”, declarou o ministro em discurso.

Um dos primeiros atos de repercussão da dupla Guedes-Bolsonaro foi a extinção da pasta do Ministério do Trabalho. O presidente dividiu as atribuições do órgão criado em 1930 entre outras repartições, como o ministério da Economia e o da Justiça. A decisão causou reações de funcionários do antigo departamento e do PDT, que no início de janeiro pediu ao STF a suspensão da extinção do Ministério do Trabalho. De acordo com a sigla, a decisão de Bolsonaro pulverize as atribuições da pasta: “Essa medida [extinção] suprime a adequada implementação dos direitos sociais e das relações”.

Após decisão relacionada à pasta, previamente prometida ao seu eleitorado, Jair Bolsonaro agora pretende dar foco aos dois pilares de sua retórica de campanha: reforma previdenciária e privatizações. A primeira, apesar de negociações em andamento nos bastidores, só poderá ser recolocada oficialmente em pauta após o retorno das atividades do Congresso, que iniciam em fevereiro. Já a segunda, depende muito de Paulo Guedes e do cenário que o Mercado internacional vai enxergar do Brasil.

O primeiro passo foi dado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Bolsonaro viajou ao país europeu para discursar e vender uma imagem de um Brasil diferente, com agenda liberal e ambiente propício para negócios e investimento estrangeiro. Devido à essa questão também, o presidente evitou falar sobre as movimentações financeiras atípicas identificadas pelo Coaf (Controle de Atividades Financeiras) que envolvem seu filho e senador eleito, Flávio Bolsonaro.

No evento em Davos, o presidente teve a intenção de transmitir ao Mercado internacional o seu desejo e o de Guedes em abrir o Brasil para privatizações e outros tipos de investimentos, em areas como infraestrutura e portos. Com essa ideia de elevar a fatia do comércio exterior no PIB nacional, o governo deve aumentar a concorrência internacional para as companhias brasileiras.

A ida a Davos foi a primeira grande viagem de Bolsonaro como presidente eleito. Foi também a primeira oportunidade para mandar um recado diretamente à comunidade internacional sobre a agenda liberal que enxerga em seu mandato, principalmente em um evento em que o Brasil é um dos protagonistas. Grandes figuras da política internacional, como Emmanuel Macron, Theresa May e Donald Trump, por exemplo, não estiveram presentes. 

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