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Alunos realizam manifestação pelas ruas de Nova Andradina

Movimento tem por objetivo apoiar os professores que fazem greve por período indeterminado

Imagem: Acácio Gomes/Nova News

Os alunos da Escola Estadual Professora Nair Palácio de Souza, de Nova Andradina, realizaram, na manhã desta quarta-feira (27), uma manifestação emapoioaos professores da Rede Estadual de Educação, que iniciaram nesta mesma data, por tempo indeterminado. Por volta das 07h30, os alunos se reuniram em frente à escola, de onde saíram em marcha até o Sindicato Municipal dosTrabalhadoresem Educação (Simted). No sindicato, o grupo se uniu a estudantes de outras escolas convidadas.

Após o encontro no Simted, o grupo seguiu até a região central da cidade. A chamada “Manifestação em favor da Educação” teve comoobjetivomostrar à sociedade que os estudantes apoiam a luta dos professores que decidiram fazer greve como forma de pressionar o Governo do Estado pelo atendimento às reivindicações da classe. Com cartazes e faixas, os estudantes se manifestaram de forma favorável ao movimento grevista dos educadores. 

Estudante afirmou que movimento foi uma iniciativa dos próprios alunos - Acácio Gomes/Nova News

Segundo o estudante Gustavo Ferreira, do 3º Ano do Ensino Médio, a iniciativa de realizar a manifestação foi dos próprios alunos. “Tudo o que sabemos aprendemos com os professores então porque não apoiá-los neste momento de luta”, explicou. Ao percorrer as ruas da cidade, os alunos foram acompanhados pela Polícia Militar, que orientava o trânsito a fim de evitar acidentes.

Ainda nesta quarta-feira (27), estaria prevista uma reunião no Salão São José, em frente à Escola Estadual Luis Soares Andrade, a partir das 19h, com pais e mães de alunos matriculados na Rede Estadual em Nova Andradina. Segundo lideranças do Simted, as redes sociais também deverão ser utilizadas para informar e divulgar o calendário da greve.

Greve

Nesta quarta-feira (27), os professores da Rede Estadual de Mato Grosso do Sul entraram em greve por tempo indeterminado. De acordo com o presidente da FETEMS, Roberto Magno Botareli Cesar, a luta é pelo cumprimento da lei e pela valorização dostrabalhadoresem educação. "Exigimos o pagamento de 10,98% de reajuste dos professores. Referente ao cumprimento da Lei Estadual n° 4.464, de 19 de Dezembro de 2013, que rege sobre a implantação do Piso Salarial Nacional por 20 horas, como prevê o Plano Nacional de Educação”.

Estudantes saíram às ruas da cidade de Nova Andradina - Imagem: Acácio Gomes/Nova News

“No compromisso firmado, o Governo do Estado, tinha até o dia 15 de maio, para negociar com a FETEMS, o pagamento do piso nacional por 20 horas até 2018 e a proposta apresentada é um retrocesso, pois ao invés da implementação do piso em quatro anos, que seria 2018, o poder público propôs reformular a Lei e aumentar a implementação para oito anos, no caso a legislação só seria cumprida em 2022", disse.

O presidente explicou ainda que o poder público estadual também se nega a debater e a pagar 1/3 de hora-atividade para os professores, referente a 2013. "Estepagamentofoi acordado no Pacto pela Educação Pública de outubro de 2012 e está consolidado na Lei Complementar 165 e o governo se quer coloca isso em ponto de pauta em nossas reuniões", afirma.

Para Roberto Botareli um dos pontos que motivaram a greve e merecem maisdestaqueé a questão dos administrativos da educação. " Além disso, o Governo do Estado anunciou índice zero de reajuste aos administrativos em educação, que são as nossas merendeiras, agentes de limpeza, de manutenção, de atividades educacionais, de portarias, enfim, os educadores que cuidam das nossas unidades escolares e nós não aceitamos isso de maneira nenhuma", explicou.

Imagens: Acácio Gomes/Nova News
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Outro lado

“A greve dos professores da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul não deve sofrer partidarização”. O pedido é do governador Reinaldo Azambuja, que lamentou, nesta terça-feira (25), uma possível politização do movimento anunciado pela Federação dos Trabalhadores em Educação do Estado (Fetems). 

 

Conforme anúncio da categoria, os educadores devem cruzar os braços a partir desta quarta-feira (27). Durante agenda na Assembleia Legislativa, Reinaldo reafirmou à imprensa que o as conversas sobre o reajuste salarial da categoria continuam, mesmo com a recusa da proposta do governo de dobrar o salário dos professores até 2022 – com a primeira parte do reajuste de 4,34% em outubro de 2015. Esse ano, a categoria já contou com reajuste de 13,01%, dado em dezembro de 2014 como antecipação a data base de maio de 2015.

“Infelizmente estão querendo politizar essa questão, mas nós vamos continuar tratando os professores com responsabilidade, pois o governante tem que ter responsabilidade de propor algo possível e que dê para cumprir”, disse o governador. “Isso é um movimento nacional e sabemos que estão politizando. Se você tiver uma conversa no meio dos professores, você vê claramente isso”, completou.

Conforme o governador, Mato Grosso do Sul é o único estado do Brasil que deu reajuste de 13,01% para todos os professores da Rede Estadual de Ensino em 2015. Os professores do Estado ainda recebem o terceiro maior salário do País, mesmo diante de uma grave crise que assola os estados e a União, como queda de arrecadação e diminuição da atividade econômica.

Em Mato Grosso do Sul, os educadores já recebem o piso nacional. Mais que isso, o Estado paga 38,84% acima do piso. Enquanto o teto nacional para 20 horas semanais de trabalho é de R$ 1.917,78, Mato Grosso do Sul paga R$ 2.662,83. 

“Nossa proposta é honesta e da melhor maneira possível, que dá pra cumprir. Só Mato Grosso do Sul cumpriu na integralidade [o reajuste de 13,01%]. Alguns cumpriram, mas parcialmente. Então mostra que nós estamos no diálogo e buscando o entendimento”, ponderou. 

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