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Após 50 anos de separação, irmãs se reencontram em Nova Andradina

Reencontro foi preparado pelos filhos para presentear pais que comemoram bodas de ouro

Os últimos dias foram de fortes emoções para uma família residente na região do Bairro Frutal, em Nova Andradina. O casal Francisca e Domingos comemoraram 50 anos de casados, mas, a festa das bodas de ouro serviu, na verdade, como pano de fundo para a reaproximação com uma irmã, afastada dos familiares desde a década de 50.

Dona Francisca, moradora em Nova Andradina, conta que a família se separou em 1954, em Guaraçaí (SP), quando a mãe faleceu após dar a luz a Ana, a mais jovem dos seis irmãos, época em que o pai passou a sofrer de depressão, algo que se quer era diagnosticado naquele tempo.  Foi quando um tio de Francisca, que já era casado e não tinha filhos, assumiu a paternidade de Ana, que havia perdido a mãe naquele momento, sendo apenas um bebê, inclusive registrando-a como filha do casal.

 

Em 1958, o casal, juntamente com a filha adotiva, veio morar em Naviraí, e logo após, mudou-se para Rondonópolis (MT), em época ainda antes da divisão do Estado e, portanto, anterior à criação de Mato Grosso do Sul. Também neste período, se iniciavam as primeiras atividades voltadas à criação do município de Nova Andradina. Com esta nova mudança, o contato com os demais familiares foi perdido de forma definitiva. Ana cresceu sendo educada como filha única do casal.

Longe dos irmãos, que ela nem sabia que tinha, a mulher conta que teve uma infância difícil, pobre, com poucos relacionamentos de amizade e um estilo de vida muito calada. Ela conta que desconfiava que algo estranho havia acontecido em sua história porém, nunca soube ao certo o que seria. Ainda residindo no Mato Grosso, agora em Araputanga, ela desenvolveu sua vida. Casada e com dez filhos, que residem hoje perto de sua casa, tudo foi sempre restrito. Viúva a cerca de seis anos, Ana conta que foi em Araputanga que criou suas raízes e que pretende continuar sua vida naquela cidade.

Alguns anos depois da separação familiar, um cunhado, o esposo de dona Francisca, chegou a visualizar Ana no Mato Grosso, mas não tiveram contato, apenas noticias superficiais. Após este episódio, eles perderam contato novamente. O reencontro começou a ser prioridade para a filha de Francisca há cerca de quatro meses, quando procuraram outra tia para pedir ajuda. Tudo fazia parte de surpresa para comemorar 50 anos do casal Francisca e Domingos Queiroz.

Ana Angélica, filha de Francisca, juntamente com uma sobrinha, Ana Carina, deram início à investigação para unir novamente as tias e tios com a irmã que havia sido adotada. Através de referencias como cidade de origem de registro em cartório e últimas eleições em que votou, é que foi possível sua localização, porém, um fator em especial, foi o que mais contribuiu no processo de localização. Um primo, que atua na área de saúde, localizou Dona Ana através do cartão do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em seguida, com a possível localização da cidade em que foram obtidas as últimas informações, deu-se início a uma campanha de divulgação em rádios e outros meios de comunicação existentes na região de Cáceres (MT). Todos estes esforços culminaram na localização e no reencontro delas depois de mais de 50 anos de separação.

A irmã, até então, afastada de Dona Francisca, conta que se emocionou ao pensar no reencontro. "Quando recebi a ligação, tremia gaguejava e até queria que fosse mentira. Achei estranho ao mesmo tempo me lembrava de algumas conversas desencontradas a respeito de minha família. Me assustei um pouco e fui tentando entender toda a história", conta Ana Souza, que trouxe em sua companhia duas das filhas.

Ao todo, são seis irmãos contando com ela: três homens e três mulheres, todos de cidades e estados diferentes. Dona Francisca, que sempre nutriu um sentimento de maternidade, por ser a irmã mais velha afirma que, mesmo sendo uma pré-adolescente na época, viu Ana tomar rumo ignorado e nunca deixou de se preocupar e tentar encontrar a irmã. Ela revela ser impossível descrever o sentimento de encontrar, tanto tempo depois, uma irmã que sobreviveu ao parto em que a mãe não resistiu.

"Os outros cinco irmãos sempre se relacionaram, mas, em minha lembrança, havia uma imagem dos cabelos longos de mina mãe e um bebezinho. Essa imagem carrego na lembrança até hoje. A minha mãe se foi e o bebezinho, que é Ana, reencontrei agora, com 60 anos de idade", diz Francisca. 

Na tarde da última sexta-feira (04), toda a família se reuniu para assistir a partida entre Brasil e Colômbia. O jogo marcou o primeiro encontro entre os seis irmãos desde a separação, há mais de 50 anos atrás. Durante toda entrevista, nenhuma palavra de revolta ou reclamação pelo ocorrido foi pronunciada. O sentimento de alegria tomou conta de todos.

Bodas

No sábado (05), Francisca de Souza Querioz e Domingos Sampaio Queiroz, que residem em Nova Andradina há 47 anos, sempre trabalhando na atividade rural, comemoraram 50 anos de união conjugal, ao lado de seus três filhos, sete netos, um bisneto, além dos demais familiares, amigos e, claro, da irmã de Dona Francisca, Ana, que comemorou a celebração e o reencontro com seus irmãos, que estavam todos presentes na cerimônia.

Para Francisca, celebrar 50 anos de casamento, ao lado de familiares, amigos e da irmã com quem tinha perdido contato é um momento de fortes emoções. “O reencontro, sem dúvida é o melhor presente. Eu e o Domingos ficamos felizes em ver todos com saúde comemorando conosco este momento especial”, finaliza. (Com imagens de Márcio Rogério/Nova News).

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