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Após acidente que quase lhe custou a vida ao ficar 27 dias em coma, Jivan diz ter renascido

Dando continuidade à série de entrevistas, o Nova News hoje conta a história de mais uma vítima de um acidente de trânsito que carrega sequelas irreparáveis

A vida não parou para Jivan Nunes, hoje com 37 anos de idade. Quem o vê fica simplesmente perplexo com a alegria radiante que ele transmite através de um sorriso de quem não se abateu com as peças que o destino lhe pregou.

Dando continuidade à série de entrevistas para servir como alerta à problemática vivenciada hoje no trânsito da ‘Cidade Sorriso’, o Nova News hoje conta a história de mais uma vítima de um grave acidente que carrega sequelas irreparáveis de um dia que nunca deveria ter existido.

Em um domingo de agosto, mais precisamente no dia 8, justamente no “Dia dos Pais”, o acidente envolvendo Jivan aconteceu no ano de 2010 há quase oito anos atrás. Pilotando uma moto Honda Titan 125, ele retornava de Taquarussu de uma confraternização familiar, dedicada à comemoração data, na companhia da então ex-namorada.

Quase chegando ao fim do trajeto na MS-276, um motociclista embriagado e em alta velocidade, saiu de um posto de combustível pela contramão e atingiu em cheio Jivan que já caiu desacordado e em estado de coma. Já o condutor que provocou o acidente morreu na hora. Na garupa estava a filha, uma adolescente que à época tinha 17 anos de acidade, que sofreu uma fratura grave em uma das pernas e precisou colocar 26 pinos. Tal acidente próximo à Concessionária Ford, onde exatamente hoje tem uma lombada eletrônica na saída para Ivinhema.

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Além das sequelas visíveis, Jivan teve um trauma na cabeça que o levou à perda de memória - Foto: Luciene Carvalho

Tenho poucas recordações de tudo. Até mesmo pessoas que me conhecem não as reconheço. É como se eu nunca as tivesse visto antes

Jivan Nunes

Voltando a falar de Jivan, ali começava uma batalha pela vida. Transferido às pressas para o Hospital de Vida, em Dourados, ele precisou ter a perna esquerda amputada. “Lembro-me de quase nada do acidente. Só depois que sai do hospital, recordo que o doutor falou que minha perna moeu e que foi preciso cortá-la para estancar a grave hemorragia que tive. Eu perdi 90% do meu sangue e não tinha outra alternativa”.

Com poucas lembranças do acidente, ele contou que a moto que o atingiu estava com o farol apagado e só viu o instante quando ocorreu a colisão frontal. Como se não bastasse o acidente que acabara de acontecer, Jivan relata que outra grave colisão aconteceu minutos antes há poucos metros na mesma rodovia, próximo ao Frigorífico JBS. “Quando os bombeiros saíram para prestar socorro às vítimas do primeiro acidente nem imaginou que o meu tinha acontecido. Envolvendo um carro e uma moto, uma das vítimas também morreu e uma mulher também teve uma das pernas amputada. Pelo menos seis vítimas se envolveram nos acidentes com duas mortes. Um dia difícil de esquecer”, desabafa.

Fora a perna esquerda amputada, Jivan detalha que nervos da medula óssea foram rompidos no acidente que o levaram a perder o movimento do braço esquerdo, além ainda de uma fratura no maxilar e um trauma na cabeça que o levou à perda de memória. “Tenho poucas recordações de tudo. Até mesmo pessoas que me conhecem não as reconheço. É como se eu nunca as tivesse visto antes”, disse o acidentado ao lembrar precisou ser submetido a cinco cirurgias após o acidente.

Do coma profundo de volta à vida

Duraram 19 dias o coma profundo que Jivan viveu em um dos leitos do CTI (Centro de Terapia Intensiva) no Hospital da Vida. Vencido o desafio, o coma, em um estágio mais leve, ainda durou mais oito dias até retomar a consciência e voltar para casa três dias depois. “Quando todos não acreditam que eu poderiam sobreviver, eu voltei para casa e hoje aqui estou. Mesmo com as sequelas que hoje tenho, aprendi a aceitar a minha atual situação e continuo a vida”.

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“Aprendi a aceitar a minha atual situação e continuo a vida”, diz Jivan

“O importante é que ele voltou para casa”

O caçula de 13 irmãos, Jivan não foi a primeira vez que se envolveu em um acidente. Ao todo, foram 13 acidentes até o último mais grave que quase o tirou a vida. Sargento da Polícia Militar, Edmilson Nunes é um dos irmãos de “Cabelinho” como é também conhecido.

“Não foram dias fáceis. Toda a família se mobilizou para acompanhar ele no hospital até voltar para casa. O principal desafio foi a fase de transição para nos adaptar à sua nova condição de vida. Em tudo ele dependia de nós e precisávamos nos desdobrar para não desampará-lo”, pontua o sargento.

Ao olhar para trás e ver tudo o que aconteceu, Nunes diz que o mais importante é que ele voltou para casa depois de mais um acidente que se envolvera. “À época do acidente estava em Campo Grande realizando um curso de formação de cabos e cheguei a receber a notícia, até mais uma vez, de que ele tinha morrido. Mas, graças a Deus, não importa como, em uma cadeira de rodas ou não, é que ele continua aqui entre nós. Agora o desafio é adaptá-lo a uma perna mecânica e será até preciso amputar o braço esquerdo, que não tem mais movimento, para ajudar no equilíbrio com a intenção de que ele volte a andar ”.

Sem ainda data definida, Jivan afirma que antes não aceitava a ideia de ter também um braço amputado. “Chegaram até a marcar a cirurgia para a retirada do meu braço e eu não aceitei. Só algum depois entendi que era necessário, além de que meu braço não serve mais para nada. Me recordo quando após o acidente, um dos meus irmãos que me acompanhava em Dourados precisou autorizar a cirurgia para amputar a minha perna por eu correr risco de vida e a voz não saia. Mesmo sendo difícil, tenho certeza que o melhor foi feito”.

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Jivan é o caçula de 13 irmãos; na foto com Edmilson Nunes que é sargento da PM – Foto: Luciene Carvalho

Engajada em ações no ‘Maio Amarelo’, o sargento Nunes detalha que a Polícia Militar vive um desafio diário em conter os abusos no trânsito nova-andradinense. “Basta parar apenas alguns segundos e observar o quanto os condutores não respeitam as regras de trânsito. Do meu ponto de vista, o que falta é atenção e amor pela vida por parte das pessoas que dirigem às avessas sem se preocupar com nada. Se cada um fazer a sua parte, já é um começo e não teríamos um cenário como o que nos deparamos hoje em nossa cidade”, enfatiza o policial.

O jeito é erguer a cabeça e agradecer a Deus pela oportunidade de estar vivo

Jivan Nunes

“Tudo o que mais amava era dançar”

A vivacidade de Jivan antes do acidente não passava despercebida. Dançar, segundo ele, era tudo o que ele mais amava nas festas em tantos lugares afora que já curtiu. “Eu não parava um minuto. Amava dançar e sempre estar rodeado de amigos para aproveitar ao máximo a vida”.

Questionado sobre os acidentes anteriores que se envolveu, Jivan admitiu ter cometido erros que não deveriam ocorrer e disse que faria diferente se pudesse voltar atrás. “Não vou mentir que nos outros acidentes que tive eu andava em alta velocidade e até após ingerir bebida alcoólica, mas nesse último acidente eu não estava embriagado e foi justamente um motociclista alcoolizado que provocou o acidente. Pelo que eu vejo, as pessoas só acham que acidentes acontecem com os outros e nunca com a gente. Como não é possível voltar no tempo, o jeito é erguer a cabeça e agradecer a Deus pela oportunidade de estar vivo”, frisou o entrevistado.

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