Buscar

Às vésperas de julgamento de 1º caso de feminicídio, violência contra mulher continua uma ‘ameaça’ em NA

Município tem média de mais de um caso por dia registrado; primeiro semestre fechou com 195 ocorrências

Todos os dias uma mulher é vítima de violência doméstica em Nova Andradina. Dentro dos lares, os casos não deixam de vir à tona e figuram como uma ameaça em um crime sem precedentes que coloca a população em alerta às vésperas do julgamento do primeiro caso tipificado como feminicídio, ocorrido em 2016, que será daqui a algumas semanas.

Segundo os números a que o Nova News teve acesso junto à DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) na última terça-feira (7), o primeiro semestre fechou com 195 casos de violência registrados. Em comparação com anos anteriores, 2017 contabilizou durante todo o ano 410 casos, contra 351 em 2016.

Detalhados por tipo, as ameaças lideram o topo entre os crimes mais praticados com um total de 78. Em segundo lugar, aparecem os casos de lesão corporal que somaram 47. E, em terceiro, as vias de fato tiveram 21.

Se comparados a 2017 e 2016, os três crimes evidenciados no primeiro semestre do ano são os que mais acontecem no município. A boa notícia é que casos de feminicídio, como o ocorrido em 2016 e que será julgado neste mês, não ocorreram mais em Nova Andradina. Os crimes de modo geral, em destaque para as ocorrências de ameaças e lesão corpora diminuíram no primeiro semestre do ano: de 83 em 2017 caiu para 78 os casos de ameaça em 2018, e de 68 em 2017 caiu para 47 neste ano.

Cb image default
Delegada diz que vê com preocupação o cenário atual de violência contra a mulher em Nova Andradina - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Ouvida pela Nova News, a delegada titular da DAM, Daniela de Oliveira Nunes Leite, expôs que vê com preocupação o cenário atual de violência contra a mulher em Nova Andradina devido ao teor dos casos que passaram a ter maior gravidade. “Em específico nas ocorrências de ameaças, uma situação verificada é o modo como o crime é praticado em que o autor passou usar objetos para intimar a vítima, como facas e até mesmo armas de fogo”, pontua.

Uma ameaça pode ser o estopim para um crime mais grave.

delegada titular da DAM, Daniela de Oliveira Nunes Leite,

Trata-se, segundo a delegada, de um fator que requer atenção e deve ser denunciado. “Uma ameaça pode ser o estopim para um crime mais grave. Antes da Lei da Maria da Penha entrar em vigor, que nesta semana completou 12 anos, a violência psicológica não era tratada como hoje quando ocorre dentro do âmbito familiar. Punições são aplicadas de imediato através das denúncias que são maiores em virtude do maior acesso à informação”, enfatiza Daniela.

Na análise da delegada, o ciclo da violência em si que acontece repetidamente dentro de um lar explica a maior gravidade nos casos de ameaça. “O ‘atar e reatar’ quando existe por um longo período faz o homem querer se prevalecer e tomar conta de uma situação de violência. Pelo que se vê, a realidade machista culturalmente falando ainda faz parte da sociedade que aos poucos vai perdendo força com denúncias até de terceiros quando se deparam com uma cena de violência contra uma mulher”.

Ao fim da entrevista, Daniela dá ênfase à necessidade da mulher cada vez mais se empoderar e denunciar uma situação de violência. “Abrir mão de um lar não é uma tarefa fácil para qualquer mulher, mas todas têm a chance de começar de novo e seguir uma vida digna sem violência, quer seja física ou até mesmo psicológica que no amanhã podem ter consequências irreparáveis”, salienta a autoridade policial.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.