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Batayporã: Família de mulher paralisada há 27 anos pede doações de prendas para rifa beneficente

Luzia Ramos Rodrigues ficou acamada desde que sofreu um grave acidente de trânsito no início da década de 90

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Luzia sofre com paralisia total nas pernas e no braço esquerdo e paralisia parcial no braço direito - Imagem: Nova News / Cedida pela Família

Em abril deste ano, o Nova News relatou o drama da moradora de Batayporã, Luzia Ramos Rodrigues, de 52 anos. A mulher, que tem o corpo paralisado devido a um acidente de trânsito, vive acamada há cerca de 27 anos e tem apenas movimentos parciais em um dos braços. Agora, a família e amigos se unem para tentar realizar uma rifa beneficente.

Na reportagem anterior, a tentativa era conseguir um médico que avaliasse Luzia, para verificar a possibilidade de que ela fosse submetida a algum procedimento que a fizesse esticar as pernas, uma vez que seus membros inferiores ficaram paralisados em uma posição que dificulta seu repouso.

Após a publicação da matéria, o médico ortopedista de Nova Andradina, Omar Ferreira Miguel, se comoveu com a situação de Luzia e entrou em contato com a família. Ele fez uma avaliação e se colocou à disposição, porém, devido ao estado delicado da mulher, paralisada há quase 30 anos, qualquer procedimento mais incisivo seria um risco.

Sendo assim, familiares optaram por não mais tentarem corrigir a posição de suas pernas, evitando desta forma, possíveis complicações que poderiam agravar ainda mais a situação da moradora que já sofre de forma desumana.

“O médico foi muito atencioso, mas entendemos que a situação da minha mãe é complicada. As pernas dela estão travadas nesta posição há quase três décadas. Ele nos explicou que, no caso dela, a realização de algum procedimento seria algo arriscado e sem garantia de melhora”, disse Edson, filho de Luzia.

Rifa beneficente 

Sem o que fazer para melhorar o quadro clínico de Luzia, familiares e amigos agora se unem para tentar dar um pouco mais de conforto a ela. Edson explica que a casa em que a mãe mora precisa de melhorias.

“O banheiro é muito pequeno e não tem como entrar com a cadeira de rodas. Minhas tias que cuidam da minha mãe têm que dar banho nela com panos úmidos, porque é muito difícil levá-la neste estado até o chuveiro”, explica o filho.

Além da ampliação do banheiro, Edson comenta que outro objetivo da rifa é fazer o calçamento do quintal. “Na casa dela não tem calçada aí é difícil a locomoção com a cadeira de rodas. A gente queria que ela ficasse um pouco fora do quarto, que tomasse um ar puro no quintal, mas, na terra, a cadeira de rodas vai com dificuldade”, afirma.

Pensando em melhorar a qualidade de vida de Luzia, a família solicitou orçamento de mão-de-obra e de materiais de construção para a ampliação do banheiro e calçamento do terreno, chegando ao valor de R$ 7 mil. Por não ter condições de arcar com os custos, surgiu a ideia da rifa.

“Queremos pedir doações de prendas para que possamos organizar esta rifa e tentarmos arrecadar o valor necessário para as obras. Uma pessoa na situação da minha mãe não poder tomar um banho de chuveiro ou sair no quintal para ver a luz do dia é algo muito cruel”, desabafa Edson, ao apelar para a solidariedade das pessoas de toda a região.

Como ajudar?

Quem puder ajudar na realização da rifa beneficente a Luzia Ramos Rodrigues com doações em prendas, dinheiro ou de outras formas, pode entrar em contato com a família pelos números de celular / WhatsApp (67) 9 9906-2683 ou (67) 9 9808-3998.

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Além da paralisia, ela sofre com outras complicações, entre elas, um grave dano em seus dentes - Imagem: Nova News / Cedida pela Família

Como Luzia ficou assim? 

Sobre o acidente que a deixou neste estado, Edson relata que há 27 anos, Luzia trabalhava para a Prefeitura Municipal de Batayporã, atuando no setor de limpeza púbica e, em alguns dias, cumprindo escalas no Lar Santo Antônio, que atende idosos carentes da comunidade.

Uma noite, um dos moradores do asilo começou a passar mal e, sem telefone ou as facilidades de comunicação que se tem hoje em dia, Luzia foi de bicicleta até a casa da responsável pela unidade para avisá-la da situação, sendo que, no caminho, ela foi atingida por um motociclista, ficando gravemente ferida.

“Minha mãe foi levada para Campo Grande, mas os médicos acharam que ela não iria escapar. Talvez por não acreditarem que ela sobreviveria, a deixaram nesta posição, com as pernas encolhidas. Ela ficou em coma por oito meses e, quando acordou, não tinha mais os movimentos das duas pernas e do braço direito. Apenas o braço esquerdo ela consegue movimentar um pouco”, explica Edson.

Ela detalha que após sair do coma, Luzia recebeu alta, mas quando chegou em casa não reconhecia nem os próprios filhos. “Com o tempo a memória foi voltando. Hoje ela está totalmente lúcida, conversa, reconhece as pessoas lembra de coisas do passado. A grande dificuldade na vida dela além de não pode andar, é claro, são as pernas, que endureceram desse jeito”, lamenta.

O filho disse que na época, quando voltou para casa, Luzia recebeu acompanhamento por parte do município, mas com o passar do tempo os atendimentos foram ficando escassos. “As sessões de fisioterapia eram poucas e com muito espaço de tempo entre uma e outra. Acredito que se ela tivesse recebido um atendimento mais eficaz, o quadro poderia ser diferente”, diz Edson.

Outros problemas

Segundo a família, além da paralisia, Luzia também tem diabetes, praticamente não enxerga de um dos olhos, faz uso de medicamentos controlados para que consiga dormir e tem um grave problema bucal, com praticamente todos os dentes danificados, o que é uma grande dificuldade na hora de se alimentar.

Situação da família

Questionado sobre a situação financeira, o filho disse que a família consegue, com suor do trabalho, o básico para sobreviver. Ele afirma que a casa em que Luzia mora é própria e que ela tem um benefício de um salário mínimo. Segundo ele, muitos itens, como fraldas geriátricas e medicamentos, geralmente são fornecidos pelo município. “Mas, toda ajuda é muito bem-vinda”, garante.

“Na época do acidente eu era criança, mas lembro que saiu uma indenização. O valor ficou em poder do meu avô, que comprou algumas roupas para nós que passávamos por dificuldades na época e creio que foi utilizado em outras despesas. Como minha mãe ficou oito meses em coma, quando ela chegou em casa o dinheiro havia acabado e ela acabou não usufruindo do valor no sentido de talvez passar por um tratamento médico de mais qualidade”, disse.

Edson explica que Luzia é mãe de cinco filhos, sendo que um deles é falecido. Sem marido, ela mora sozinha em uma casa que fica em frente à residência de uma irmã dela e próxima do imóvel onde habita outra irmã. Elas que são responsáveis pelos cuidados constantes como banho, alimentação e ministração dos medicamentos. “Nós, os filhos, ajudamos como podemos, mas todos trabalhamos fora e tocamos nossas vidas como Deus permite”, finalizou.

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