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Com efetivo reduzido pela metade, bombeiros se desdobram para atender ocorrências em Nova Andradina

Por dia, apenas 5 militares formam escala operacional; destes, dois ficam em Nova Casa Verde e um precisa ficar no quartel à disposição na sala rádio

Chega a ser uma maratona a rotina diária dos militares que integram o 3º Subgrupamento de Bombeiros de Nova Andradina. Com apenas cinco em cada plantão, os socorristas precisam se desdobrar para atender os chamados via 193 de quem está do outro lado da linha buscando algum tipo de ajuda.

Matematicamente, os números mostram uma realidade ainda pior. Dos cinco bombeiros, dois trabalham no Distrito de Nova Casa Verde, enquanto apenas outros dois cobrem todo o atendimento operacional, já que um último necessita ficar no quartel à disposição na sala rádio.

Dias atrás, a reportagem acompanhou de perto o corre-corre dos militares em mais um final de semana agitado em Nova Andradina com sua população de mais de 52 mil habitantes. Mal acabavam de atender uma ocorrência e, em seguida, já recebiam um novo chamado. No primeiro semestre entre janeiro e maio, 609 atendimentos foram realizados.

Além de Nova Andradina maior cidade da macrorregião do Vale do Ivinhema, o subgrupamento é responsável ainda pelo atendimento de ocorrências em Batayporã e Taquarussu, compreendendo uma área de 7.645,147 quilômetros quadrados e uma população de mais de 67 mil pessoas.

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Abaixo do ideal reduzido pela metade, o efetivo hoje de Nova Andradina é de apenas 30 bombeiros - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Ouvido pelo Nova News, o comandante interino do 3º SGB, major Pablo Diego Barros de Jesus, detalhou à reportagem que o efetivo reduzido que a corporação lida diariamente não é uma realidade exclusiva de Nova Andradina. “Trata-se de um problema em nível de Estado. Pelos números, o ideal seria um quantitativo de cerca de 3 mil militares, situação esta verificada em aproximadamente 1,5 que estão lotados nas 23 unidades do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul”.

Classificando o problema como um gargalo sem solução a curto prazo, o major expôs que a conclusão do curso de formação de sargentos, prevista para acontecer na primeira quinzena de agosto, tende a dar um alívio imediato no problema. “Em um total de 60, a apresentação dos militares que serão distribuídos nas unidades do interior deverá ocorrer em setembro, entretanto, tal número não será suficiente para suprir o déficit de baixo efetivo”, afirma.

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Até maio, 609 ocorrências já foram atendidas pelo subgrupamento - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Abaixo do ideal reduzido pela metade, o efetivo hoje de Nova Andradina é de apenas 30 bombeiros. “Em raros casos quando há menos policiais de férias ou com licença médica, conseguimos colocar quatro militares nas escalas operacionais que é de 24 horas trabalhadas por 72 horas de descanso. Com apenas três atualmente, o ideal é que tivéssemos seis por escala. Ao contrário de outras cidades como Ivinhema, o município de Nova Andradina ainda pode contar com o Samu 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência)”, pontua Pablo.

Como se não bastasse a limitação de bombeiros nas escalas diárias, Pablo ressaltou que está ativo o plano de chamada montado para dar suporte às ocorrências de queimadas no período de estiagem que deve acabar apenas só em meados de outubro. “Sem chuva e as temperaturas em alta, a incidência de queimadas aumenta nesta época do ano, sendo necessário formar escala extras com militares de folga que ficam de prontidão para agirem a qualquer momento”.

Mesmo com o déficit de efetivo, o major dá ênfase aos avanços da corporação nos últimos anos. “Quem vê o antes e a agora, reconhece o quanto foi feito em termos de aparelhagem e frota. Investimentos significados mudaram a realidade do subgrupamento e das unidades de todo o Estado. Resta apenas uma solução que dê fim a esta realidade de falta de pessoal que vivemos, tanto no atendimento operacional, como também na área de administrativa. Falta desde soldados na ponta da linha até no próprio comando”, explana Pablo.

“Um concurso está em vias de ser realizado, mas ainda não resolve de imediato o problema. Até a finalização das etapas e a preparação dos novos soldados, será necessário mais um ano até que os militares passem a atuar. A médio prazo, o ideal é que houvesse um concurso a cada dois anos para a situação ser normalizada”, conclui o comandante interno dos bombeiros de Nova Andradina.

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