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Com indenizações irrisórias, Grupo Independência começa pagar ações trabalhistas

Após celebração individual de acordo, ex-funcionários recebem valores com mais de 70% de redução 

O impasse gerado pelo não pagamento das dívidas trabalhistas para com os ex-funcionários do Frigorífico Independência, que fechou as portas em 2010, ganha mais um capítulo. Na manhã desta quinta-feira (03), um grupo formado por ex-trabalhadores da empresa, que possuem ações trabalhistas a serem recebidas, procurou a sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Nova Andradina para cobrar explicações sobre o trâmite do processo e a forma em que esses recursos têm sido negociados entre a classe e o advogado que representa a categoria.

Segundo eles, os valores oferecidos como pagamento são inferiores a 30% do montante a que os ex-funcionários têm direito. Para alguns, a negociação chama a atenção, uma vez que o advogado deveria representar os interesses dos trabalhadores que, na verdade, se sentem prejudicados com a forma como as dívidas estão sendo pagas. “Minha rescisão é de R$ 25 mil, baixou para R$ 8 mil e, agora, por ultimo, me foi oferecido apenas R$ 2.800. Não vou aceitar”, protestou Dorival Joaquim Lopes, de 44 anos, que trabalhou por seis anos e meio no frigorifico.

Sem concordar com redução nos valores, trabalhadores exigem providências (Foto: Márcio Rogério/Nova News)

Ainda de acordo com os trabalhadores, não há um parâmetro de negociação, “Está acontecendo um leilão de nossos benefícios. Eles fazem uma oferta e, se você aceitar, assina os papéis e o dinheiro cai na sua conta no dia seguinte”, disse Adenilson Dias, também ex-funcionário da empresa. O Nova News confirmou a suposta denúncia ao encontrar um trabalhador que fez o acordo e, em seguida, recebeu o pagamento via deposito bancário em valor bem inferior o montante a que tinha direito.

Com três anos e meio de carteira assinada a serviço do Independência, Francisco Ribeiro Souza, de 55 anos, tinha direito, segundo ele R$ 12.600, mas se contentou em receber apenas R$ 3.043, conforme consta em seu extrato bancário. “Já estou quase aposentando e esse dinheiro não sai. Praticamente desisti. Aceitei receber esses 30% para não morrer sem receber nada”, ironizou Francisco.

         Com mais de três anos na empresa, trabalhador recebeu apenas R$ 3.043,98

O grupo que se reuniu com o presidente local da OAB, Gustavo Pagliarini, também quer explicações sobre a demora nos pagamentos, uma vez que, desde a negociação da planta frigorífica, em 2012, comentava-se que os valores já estariam à disposição da Justiça. “Não entendemos porque estes pagamentos ficaram travados por tanto tempo. As dívidas trabalhistas são as primeiras questões que devem ser resolvidas quando uma empresa fecha, mas, no nosso caso, já são quase quatro anos”, cobrou Dorival Joaquim, ao afirmar que, todas as dívidas que ele tinha na época, aumentaram devido aos juros e que apenas o valor a receber da empresa diminuiu.

Segundo os ex-funcionários, durante mais de dois anos em que o curtume esteve arrendado para outra empresa, nenhum valor foi revertido aos ex-colaboradores do Grupo Independência. O Nova News encontrou outros dois funcionários que também aceitaram o acordo. Eles disseram que, no dia da reunião, o advogado teria dito que só aceitaria a proposta quem quisesse. Como eles estavam com dívidas e sem possibilidades de pagamento, aceitaram o valor proposto. “Só nós sabemos o que é ficar sem emprego e sem receber o que tínhamos direito. Perdemos carros, motos, e até famílias se separaram por causa desse dinheiro”, lamentam os trabalhadores.

Trabalhadores aguardam uma nova reunião agendada para a próxima semana (Foto: Márcio Rogério/Nova News)

Satisfeitos com o encontro realizado entre a classe trabalhista e o presidente da OAB, os trabalhadores aguardam uma nova reunião agendada para a próxima semana. A expectativa é que todas as questões referentes ao caso sejam esclarecidas. O presidente da OAB não quis comentar o assunto. Procurado pelo Nova News, o advogado que representa a categoria não foi encontrado. Segundo outro advogado procurado pelo site, a prática de oferta em negociações desta natureza, mesmo com valor inferior ao que o trabalhador tem direito é comum, tendo o ex-funcionário total liberdade para aceitá-la ou não.  

Sindicato

De acordo com o representantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Nova Andradina e Região (STIANA), as negociações com redução de valores não é compartilhada pela entidade. "Representamos cerca de 70 ex-funcionários e afirmamos que estes vão receber tudo o que tem direito, mesmo que isso leve tempo”.

O sindicato afirmou ainda que, em reunião interna entre integrantes da diretoria, a informação é de que não há nada em lei que proíba o advogado escolhido pelos trabalhadores de atuar dessa forma, mesmo que pareça antiético. "É um acordo e aceita quem quer". Membros do STIANA argumentam ainda que as pessoas que quiserem também podem finalizar a ação com o advogado particular e procurar o departamento jurídico do sindicato, que, nas palavras deles, estão à disposição dos filiados.

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