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Com uma das piores perdas dos últimos anos, colheita do milho safrinha começa em Nova Andradina

Colheita da safra 2017/2018 teve início nos últimos dias e perda já varia entre 60% e 70%

Sem a benção que vem do céu para sacramentar a nova safra, produtores de milho safrinha de Nova Andradina e região amargam uma das piores perdas já vistas nos últimos anos. Não choveu como o esperado e os prejuízos tendem a pesar consideravelmente no bolso com os efeitos da baixa produção.

Acompanhando o cenário agrícola do mercado do milho entre os seus altos e baixos, o Nova News teve acesso à informação que a colheita da safra 2017/2018 teve início nos últimos dias. Pelo apurado, a perda já varia entre 60% e 70% após levantamento realizado nos 5% da área plantada que já foram colhidos no município.

Com uma área plantada em torno de 16 a 17 mil hectares, a perda ultrapassa cerca de metade do previsto. “Se comparado com o ano passado, a safra estimada era de 5 a 5.500 quilos por hectare. Pelo que se vê até agora, a margem de aproveitamento é de apenas 1.500”, detalha Mario Kai, engenheiro agrônomo da Coopergrãos (Cooperativa Agropecuária Regional dos Produtores Grãos do Mato Grosso do Sul).

Sem chuva no tempo ideal, o engenheiro explica que o milho colhido apresenta baixa qualidade que acarreta a perda na produtividade. “Entre abril e maio, uma estiagem de 48 dias impactou a região, período este mais crítico que necessitava de chuva por se tratar do desenvolvimento vegetativo do grão que define a produção”, aponta Kai ao relatar que produções ruins também foram registradas em anos anteriores em outros fatores como geada que atingiu as lavouras.

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Colheita teve início nos últimos dias em Nova Andradina – Foto: Ilustração/Agrícola Rio Preto

Descapitalização ameaça próxima safra

Mesmo antes de chegar ao ápice da colheita que acontecerá em agosto, o gerente da Coorpergrãos, José Antônio dos Santos Filho, afirma que já é possível prever o cenário da próxima safra agrícola no município.

Em sua avaliação, a descapitalização dos produtores com a safra atual de milho safrinha será um gargalo em que a maioria tende a não conseguir pagar as contas sem ficar no vermelho. “Tudo indica uma menor receita para a próxima safra que será a de soja que começará a ser plantada após a colheita final do milho. Não apenas para o produtor, a cadeia agrícola será toda afetada, inclusive para a própria cooperativa em que forte é o recebimento de grãos”, detalha Santos.

De outro lado, uma boa notícia anima o setor em relação aos preços de mercado que estão bem acima do ano passado. “Na safrinha do ano passado, a saca de milho, com 60 quilos, variava entre R$ 16 e R$18 saca. Já agora estamos trabalhando com R$ 27 a R$ 28 a saca, alta esta justificada pela perda da produção”, aponta o gerente.

As atenções se voltam a partir de agora, segundo Santos, é aguardar o término colheita para analisar se haverá algum rendimento. “Não sabemos se os produtores conseguirão segurar. Existe uma expectativa para depois da safra devido à falta de grãos que deverá ficar em falta no mercado. De outro lado, a cadeia está com dificuldade desde a greve dos caminhoneiros e que não conseguiu absorver ainda os prejuízos. Se o consumo normalizar, a alta do preço do milho poderá ser de certa forma positiva para compensar uma parte da perda na lavoura. O jeito é esperar para termos uma noção da dimensão da perda e vermos como o produtor vai se portar perante a nova safra”.

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