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Defesa Civil instala Sala de Situação Integrada para monitorar surgimento de incêndios em MS

Intenção é reunir órgãos voltados ao combate a incêndios para troca de informações, planejamento e intervenções mais rápidas

Foto: Divulgação

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A Defesa Civil de Mato Grosso do Sul ativou uma Sala de Situação Integrada que reúne diferentes órgãos de fiscalização ambiental e enfrentamento a incêndios urbanos e florestais, de forma a reunir informações e dar suporte às instituições na tomada de decisões para combate a queimadas. Nesta terça-feira (27), foi definido um calendário de reuniões e de troca de dados, com a elaboração de boletins com diagnósticos da situação.

A medida foi tomada em meio ao aumento no número de incêndios em áreas urbanas e rurais em Mato Grosso do Sul que, embora estejam acima da média registrada no ano passado, seguem um padrão trienal.

Além da Defesa Civil, integram a Sala de Situação o Corpo de Bombeiros, Cemtec-MS (Centro de Monitoramento do Tempo, do Clima e dos Recursos Hídricos de Mato Grosso do Sul), Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar). Entre as iniciativas, está também a consulta a outras instituições, como Embrapa e PMA (Polícia Militar Ambiental), para que colaborem com a base de dados.

"Essa Sala de Situação Integrada foi ativada com órgãos que atuam em incêndios florestais no Estado", explicou o tenente-coronel Fábio Catarinelli, comandante da Defesa Civil. "Trabalharemos com indicadores climatológicos e operacionais, gerando boletins de monitoramento para deixar as informações disponíveis à população e outras instituições".

Segundo Catarinelli, os dados darão suporte à tomada de decisões. "A ideia é integrar os indicadores de monitoramento e de resposta. Já existem estratégias montadas por instituições de combate, como os bombeiros e o Prevfogo, para enfrentamento a grandes incêndios. Agora, faremos uma ação parecida, mas em nível estadual", pontuou.

Chefe do CPA (Centro de Proteção Ambiental) e comandante do 1º Grupamento do Corpo de Bombeiros, o tenente-coronel Waldenir Moreira Junior reforça a importância desse ambiente de troca de informações. "As instituições possuem competências legais e precisam se comunicar. O Corpo de Bombeiros Militar, por exemplo, tem a competência legal de combater incêndios urbanos e rurais, planejando e executando seu plano de operações em função da demanda da sociedade", explicou, prevendo otimização dos trabalhos com os novos dados.

Cenário

Franciane Rodrigues, coordenadora do Cemtec, destacou que a Sala de Situação ajudará "principalmente no auxílio, na resposta à população em condições climáticas que prejudiquem, de forma geral, toda a sociedade, como em questões de saúde. A integração é importante para cruzarmos as informações e darmos as respostas imediatas". Responsável pela análise climática do Estado, o centro subsidiará o órgão com tais informações.

Ela lembrou que o mês de agosto costuma ser seco, com baixa umidade do ar e temperaturas elevadas. "Houve algumas instabilidades formando garoa e chuvisco, mas nada significativo para a melhora da qualidade do ar", disse.

O Cemtec prevê que chuvas de grande porte começarão a chegar ao Estado a partir de 1º de setembro, com até 20 milímetros acumulados, atingindo as regiões Sudoeste, Sul e Central. A intensidade deve aumentar entre os dias 8 e 9 do próximo mês. "A chuva deve voltar ao Estado nos primeiros dez dias de setembro".

O tenente-coronel Moreira, por sua vez, lembrou que a qualidade do ar é influenciada também pela ação humana, como o uso de fogo para a "limpeza" em áreas urbanas e rurais. "Isso não é mais admitido como normal, é crime ambiental e a população precisa se conscientizar de que uma pequena fumaça gerada pelo agrupamento de folhas queimadas prejudica a qualidade do ar. É preciso perder esse hábito cultural de atear fogo em combustível vegetal, que causa dano à sociedade".

Por outro lado, o chefe do CPA apontou que, embora focos de calor e fumaça tenham sido avistados com mais frequência, o histórico de incêndios seguem a média.

"Temos indicadores desde 1998, nos quais percebemos uma variação a cada três anos. Há um ano mais baixo, outro mais elevado e um terceiro extremamente alto. No ano passado foi muito baixo, inclusive, choveu em agosto. A tendência era de que seria mais alto neste ano, mas está dentro da média histórica", disse o tenente-coronel. "A previsão é de que, no ano que vem, será mais alto ainda. Há um ciclo natural, e o que ocorre neste ano está dentro do esperado".

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