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Desabafo – Estudante de 14 anos protocola carta na Câmara Municipal pedindo “socorro” para a cidade de Batayporã

No documento, Marilana Colodino dos Santos, de 14 anos, pede providências com relação a vários problemas que assolam o município

Na última segunda-feira (08), a adolescente Marilana Colodino dos Santos, de 14 anos, protocolou uma carta na Câmara Municipal de Batayporã, onde ela desabafa sobre os problemas que, sem sua opinião, têm deixado a cidade em um clima tristeza e incerteza – leia a íntegra da carta no final desta matéria -.

Na carta, endereçada ao prefeito Jorge Takahashi, a adolescente, que estuda o 9º Ano na Escola Estadual Braz Sinigáglia, diz se sentir aflita com a situação em que o município se encontra. “A cidade está se acabando em ruínas”, diz a estudante em um trecho do documento.

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Estudante afirma que escreveu a carta como uma forma de suplicar que algo seja feito pela cidade onde mora - Imagem: Redes Sociais

Marilana questiona a Administração Municipal sobre problemas como o atraso salarial dos servidores do Lar Santo Antônio e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), bem como afirma que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) seria uma solução temporária até que o hospital da cidade voltasse a funcionar, no entanto, a cidade continua sem uma unidade hospitalar.

Ao se referir a todos os problemas enfrentados pela população local, a jovem dispara: “Eu saio nas ruas e não vejo mais a atmosfera de alegria e paz, como eu já vi durante a minha infância, vivida aqui. O que eu vejo é total desprezo e uma tristeza no ambiente... como se a cidade estivesse chorando. Eu desconheço detalhes da crise que estamos passando, mas para saber que cada ser humano necessita do básico que lhe garanta dignidade, ninguém precisa estudar leis, ser vereador ou o que for!”.

Marilana afirma ser apenas uma adolescente tentando fazer alguma coisa pelas pessoas que ama e pede ao Poder Executivo Municipal que tome providências no sentido de resgatar a esperança da população de Batayporã.

O que fiz é um ato de cidadania, mas também um grito de socorro por minha cidade e pelas pessoas que moram aqui"

Marilana Colodino dos Santos

“Ouve, administração eleita, as minhas súplicas: pelos salários dos funcionários do asilo, pelos médicos desta cidade, pelos enfermos!... Deus chora e se indigna por eles. Então, paguem os salários atrasados, invistam nosso dinheiro na infraestrutura, na UPA, (recuperem o nosso hospital), invistam nas escolas municipais... amenizem esta crise! Ela não acabará de uma hora para outra, sabemos; mas, se não sabem amar o próximo, aos menos reconheçam vossos erros como gestão, e façam valer de verdade a confiança em vós depositada”, conclui.

Na manhã desta quarta-feira (10), o Nova News conversou com Marilana sobre a motivação de sua carta e a adolescente destacou que a ideia em redigir o documento foi uma iniciativa própria. “Protocolei na Câmara Municipal porque gostaria que minha carta fosse lida em uma das sessões, mas reafirmo que o verdadeiro destinatário é o prefeito. Quero que ele leia e reflita sobre tudo o que relatei”, disse Marilana.

A família da estudante autorizou o Nova News a reproduzir a carta escrita por ele, bem como usar a imagem da jovem. “O que fiz é um ato de cidadania, mas também um grito de socorro por minha cidade e pelas pessoas que moram aqui. Espero que algo seja feito para que Batayporã seja colocada nos trilhos. Se algo não for feito, não sei que futuro teremos neste lugar”, disse ela à equipe do site.

Outro lado

No início da tarde desta quarta-feira (10), o Nova News entrou em contato com o prefeito Jorge Takahashi, e o chefe do Executivo Municipal disse que até aquele momento ainda não tinha tomado conhecimento da carta. A equipe do site então encaminhou uma cópia do documento ao prefeito, que prometeu ler o relato e, assim que possível, se pronunciar sobre o desabafo da adolescente. 

O Brasil que eu quero

Esta não é a primeira vez que Marilana aparece na mídia pedindo melhorias para a cidade de Batayporã. Em abril deste ano ela apareceu no quadro "O Brasil que eu quero", da TV Globo, pedindo a reabertura do Hospital São Lucas.

A carta

Excelentíssimo Sr. Prefeito Jorge Takahashi:

Eu sou Marilana. Moro aqui em Batayporã e sou aluna da Escola Estadual Braz Sinigáglia.

Sabe, senhor prefeito, eu estou aflita pela situação da minha cidade. Ou melhor, aflita pelas PESSOAS simples que aqui moram. Essa cidade é meu berço, meu porto seguro, o lugar que eu não trocaria por nenhum outro, nem mesmo pela comodidade e acessibilidade de uma cidade grande...

Meu coração está aflito, repito! E se o senhor não vê (ou quer fingir que não está vendo) minha cidade está SE ACABANDO em ruínas, por conta da ignorância da vossa gestão! Os funcionários do nosso asilo estão sem pagamento, a APAE, teve que ser fechada, as ruas todas esburacadas, NOSSO HOSPITAL fechado! Senhor prefeito, desculpe-me, mas a UPA ERA PARA SER UMA SOLUÇÃO TEMPORÁRIA, nada substitui o atendimento hospitalar!

Senhor prefeito, eu saio nas ruas e não vejo mais a atmosfera de alegria e paz, como eu já vi durante a minha infância, vivida aqui. O que eu vejo é TOTAL DESPREZO e uma tristeza no ambiente... como se a cidade estivesse chorando. Eu desconheço detalhes da crise que estamos passando, mas para saber que cada ser humano necessita do básico que lhe garanta dignidade, ninguém precisa estudar leis, ser vereador ou o que for! E a burocracia que existe, parece que vem para impedir a realização dos direitos, em vez do contrário. O bem dos cidadãos vem EM PRIMEIRO LUGAR, e independente da situação financeira das contas públicas, ou de qualquer outra questão não resolvida. Não somos somente um NÚMERO POPULACIONAL, somos seres humanos, com sentimentos, necessidades de alimentação, de salário e etc.

Lhe peço, senhor prefeito, coloque-se em nosso lugar, no lugar dos idosos, das crianças, das mães, dos pais de família. Afirmo-te que, se parasse para sentir a mesma dor que cada uma dessas pessoas sente, quando não têm seu salário para se manter, e manter aqueles que amam; quando uma criança não tem perspectiva de vida e não pode viver a melhor fase de sua vida com dignidade; quando pessoas que não tem para onde ir, são obrigadas a aceitar as consequências de uma GESTÃO FRIA E IRRESPONSÁVEL, QUE NÃO PENSA NO PRÓXIMO, SÓ PENSA NO PRÓPRIO CONFORTO. Se o senhor e toda a vossa administração amassem verdadeiramente esta cidade, não estaríamos assim; e nada justifica a violência que estamos sofrendo, esta que vai matando aos poucos!

Eu não vou mais citar a PROBLEMÁTICA NÃO RESOLVIDA, pois eu CANSEI! ESTOU DANDO BASTA! Todos aqueles que de alguma forma contribuíram e contribuem para a “morte” da memória dessa cidade e dos seus habitantes, são insensíveis ao sentimento chamado AMOR. E FALHARAM terrivelmente em seu trabalho político-público. Vocês trataram as pessoas daqui como se fossem tolos, que podem ser enganados. De certo pensam que nós vamos de quatro em quatro anos às urnas para votar nos nossos próximos SENHORES, já que acham que somos seus ESCRAVOS, que devemos os servir!

Repito, senhor prefeito: pense em nossas dores, coloque-se por um momento em nosso lugar. Saia de seu conforto e entre na nossa realidade: por acaso somos nós menores, ou menos merecedores de ter uma vida confortável como a vossa? Não quero dizer que temos que ter o mesmo patamar financeiro teu, mas, que eu saiba, todos somos iguais perante a LEI, portanto temos os MESMOS DIREITOS e oportunidades.

Eu reconheço que sou uma mera adolescente tentando fazer alguma coisa pelas pessoas que amo, pela cidade que amo. E, infelizmente, vejo que meu povo não está interessado em se levantar e ir à luta. Talvez porque... (não gosto nem de pensar) são insensíveis à dor do outro também.

Ouve, administração eleita, as minhas súplicas: pelos salários dos funcionários do asilo, pelos médicos desta cidade, pelos enfermos!... Deus chora e se indigna por eles. Então, paguem os salários atrasados, invistam NOSSO DINHEIRO na infraestrutura, no UPA, (recuperem o NOSSO HOSPITAL), invistam nas escolas municipais... amenizem esta crise! Ela não acabará de uma hora para outra, sabemos; mas, se não sabem amar o próximo, aos menos reconheçam vossos erros como gestão, e façam valer de verdade a confiança em vós depositada.

Despeço-me, senhor prefeito, apesar de tudo esperançosa em vosso agir, e no agir da vossa administração.

Marilana Colodino Dos Santos.

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