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Dia do Professor: Aladir de Biasi, exemplo de quem vê na educação não apenas uma profissão, mas um dom especial

Educadora atuou por cerca de 31 anos na formação de centenas de pessoas em Nova Andradina

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Professora aposentada afirma que sentimento por tudo o que viveu em sua vida é de extrema gratidão - Imagem: Acácio Gomes / Nova News

Neste dia 15 de outubro, data em que se comemora o Dia do Professor, o Nova News conta a história de Aladir Siani de Biasi, 80 anos, alguém que dedicou sua vida à formação e à educação, atuando em várias escolas de Nova Andradina por mais de 31 anos. Ela defende que a educação, antes de ser uma profissão, deve ser vista como um dom muito especial.

Aladir, que tinha estudado, naquele tempo, até a 8ª série, veio de Santo Anastácio (SP) em 1967 para atuar como professora na Escola Antônio Joaquim de Moura Andrade. “Meu esposo, Paulo de Biasi, hoje com 86 anos, trabalhava na época com venda de produtos agrícolas e decidimos nos mudar para Nova Andradina. Graças a uma amizade com a direção da escola, cheguei à cidade já empregada”, conta ela.

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Aladir, quando se formou na 8ª série - Imagem: Reprodução

A professora revela que a primeira vez que entrou em uma sala de aula para lecionar foi no dia 01 de março de 1967. “Foi um dia inesquecível, que marcou minha vida para sempre”, afirma ela, ao contar que dava aula durante o dia e seguia com seus estudos à noite, buscando completar sua formação.

“Ser professora sempre foi um sonho para mim. Quando criança, eu brincava de dar aula para minhas bonecas em casa. Chegar a Nova Andradina e conseguir realizar este sonho foi uma conquista muito significativa para minha vida”, revela Aladir.

Ela afirma que em sua trajetória profissional atuou como professora por 13 anos na Escola Moura Andrade e na Escola Marechal Rondon que, na época, era uma extensão da Moura Andrade, além de lecionar por 18 anos na Escola Austrílio Capilé Castro, até se aposentar, em 1998.

Aladir ainda foi coordenadora da Escola Capilé por oito anos, teve passagens pela Escola Padre Anchieta e pelo extinto Colégio das Irmãs e atuou como catequista também por 31 anos, trabalhando na formação cristã da comunidade católica de Nova Andradina.

“Foi um período muito gratificante, mas também de vários desafios. Nem sempre foram flores, mas no final de tudo posso garantir que valeu a pena. É bom demais saber que muitos advogados, médicos, professores e outros profissionais que atuam na cidade um dia foram meus alunos. É uma sensação de dever cumprido”, garante.

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Aladir de Biasi ao se formar professora em 1972, juntamente com colegas da turma e ao lado de figuras como o prefeito da época, Décio Azevedo; o paraninfo na ocasião, ex-prefeito Alcides Menezes de Faria; e o Irmão Braz Sinigáglia - Imagem: Reprodução

Sobre seu método de ensino, Aladir de Biasi revela que foi uma professora bastante exigente. “Eu sempre dei muito valor à disciplina e ao respeito. Na época, muitos alunos me achavam rígida demais, mas hoje, ao ver que a maioria deles se tornou cidadãos de bem, que têm suas profissões e constituíram suas famílias, tenho a certeza de que fiz a coisa certa”, diz ela, com bastante convicção.

“Minha formação foi marista, então além de ensinar os conteúdos, eu buscava transmitir algo a mais para meus alunos. Por exemplo, toda sexta-feira, até a hora do recreio, eu dava a eles atividades de redação, caligrafia e desenho, já depois do recreio, eu fazia com as crianças atividades mais leves. A gente cantava músicas que transmitiam mensagens de fé e de esperança, entre elas destacavam-se as canções do Padre Zezinho, em especial ‘Um Certo Galileu’ que marcou muito tanto a minha vida quanto as vidas dos estudantes, tenho certeza disso”, afirma.

Aladir acredita que o professor não deve ser aquele personagem que apenas ensine os conteúdos aos alunos, mas sim uma figura que seja luz, que seja referência de amor a Deus e às pessoas. “Professores, façam tudo com amor, sem esperar recompensa ou reconhecimento. Ser professor, antes de ser uma profissão é um dom. Exerçam este dom com carinho e recompensa virá das mãos do Nosso Senhor”, diz.

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Nesta foto, a professora Aladir aparece com uma das turmas para a qual lecionava no antigo Colégio Santo Antônio - Imagem: Reprodução 

Nas palavras da professora aposentada, não é raro ela estar na fila de um supermercado ou na rua e ser abordada por pessoas que foram seus alunos e que querem lhe dar um abraço. “É impossível lembrar de todos, afinal de contas, foram inúmeras turmas ao logo de 31 anos, mas, mesmo assim é muito bom receber este abraço, este carinho e saber que sou importante na vida daquela pessoa. Isso não tem preço”, diz Aladir, emocionada.

Neste Dia do Professor, Aladir de Biasi resume sua trajetória em uma palavra: realização. “Sou uma pessoa muito realizada e feliz. Com o apoio do meu esposo, que é meu grande parceiro, dei minha contribuição para com a sociedade e fiz o meu melhor. Se pudesse... faria tudo de novo com certeza. E para os professores da atualidade, que enfrentam muitas dificuldades e muitas vezes até o desrespeito por parte de alguns alunos, deixo uma frase que resume a vida de Santa Terezinha do Menino Jesus: ‘Nada é pequeno onde o amor é grande’, finaliza a professora.

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Ao lado do esposo, Paulo de Biasi, Aladir disse que se sente realizada e revela que o apoio do companheiro em todos os momentos foi algo fundamental - Imagem: Acácio Gomes / Nova News

Origem do Dia do Professor*

A origem do Dia do Professor se deve ao fato de, na data de 15 de outubro de 1827, o imperador Dom Pedro I ter instituído um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, com a instituição das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do país. (*A informação sobre a origem da data é do site Brasil Escola).

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