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Em ano de maior alta da gasolina, postos de Nova Andradina amargam prejuízos

Segmento no município chegou a registrar queda de 30% nas vendas em ano que gasolina teve 130 alterações nos preços

2017 fechou como o ano de maior alta já vista no preço da gasolina. De um lado, o consumidor se vê de mãos atadas diante dos reajustes, e de outro, os revendedores vivem um momento de insegurança sem saber ainda o que está por vir.

Segundo as informações a que o Nova News teve acesso junto ao Sinpetro/MS (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul), a nova política de precificação da Petrobras, que ocorre desde o último mês de julho, resultou em mais de 130 alterações nos valores praticados.

Jorge Proença, proprietário de um posto de combustíveis em Nova Andradina, avalia 2017 como o pior ano de crise do setor já visto no município. Os números apresentados revelam que a defasagem nas vendas chegou a 32% nos últimos meses. “Desde 1995 no mercado, nunca tivemos um ano como esse. Combustível mais comercializado, a gasolina em um ano aumentou 27% - de R$ 3,40 em janeiro do ano passado, hoje ela está cotada a R$ 4,39”, afirmou.

Trabalhar com uma margem de lucro menor é, segundo o empresário, uma das alternativas para driblar a queda nas vendas. “Trata-se do único meio que precisamos adotar para se manter no mercado. Muitos reajustes chegam até a nós e nem sequer repassamos ao consumidor que não aguenta viver com tanta alta”, expõe.

De mãos atadas sem saber o que está por vir, o empresário detalha que o consumidor nova-andradinense ainda critica a margem de preços dos postos sem saber ao certo como funciona o método de comercialização que cada um segue. “É comum ouvirmos reclamações dos preços que praticamos, mas o que as pessoas não entendem é a forma como trabalhamos. Ser um posto bandeirado significa vender um posto de maior qualidade ao consumidor. Não adianta pagar menos por um produto, e ter dor de cabeça depois como geralmente acontece, sem falar ainda da alta carga de impostos que pagamos que encarece ainda mais os combustíveis”, afirmou.

Voltando a reagir no último trimestre do ano, Proença diz que o mercado começa a dar sinais que os tempos de crise estão terminando. “A economia do país aos poucos está voltando nos trilhos. Pelo que se verifica, a tendência é que só em 2019 a situação se normalize”.

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Em um ano, o preço da gasolina aumentou 27% segundo levantamento realizado pelo Nova News - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Hélio Fachiano, de 69 anos, se sente indignado com o preço da gasolina que não parou de aumentar nos últimos meses. “Isso é uma vergonha. Ao longo de toda a minha vida, nunca vi nada igual. Nossos atuais governantes só exploram o brasileiro e pelo que se vê essa situação nunca mais vai se reverter”.

Hoje aposentado, ele vende pães caseiros que produz junto à esposa. “Depois que a gasolina começou a subir, ando a metade do que eu andava. Não dá mais para ter um orçamento como antes. O jeito é economizar o máximo possível para sobreviver em meio a tantos reajustes que sempre nos deparamos”, argumentou o entrevistado.

Mato Grosso do Sul amarga o fechamento de mais de 32 de postos

Edson Lazaroto, gerente executivo do Sinpetro/MS, classifica como preocupante o atual cenário do segmento. “A situação é bastante complicada para ambos os lados. O revendedor faz um pedido pela manhã e pode ser surpreendido ao receber o produto com novo preço, bem como o consumidor abastece em um dia e pode, ao abastecer no dia seguinte, também ser surpreendido com novo preço, o que o leva a fazer pesquisas de mercado, como em outro segmento qualquer”, pontuou.

O revendedor faz um pedido pela manhã e pode ser surpreendido ao receber o produto com novo preço, bem como o consumidor abastece em um dia e pode, ao abastecer no dia seguinte, também ser surpreendido com novo preço

Edson Lazaroto, presidente do Sinpetro/MS

Conforme explicado por Lazaroto, quando ocorrem os aumentos imediatamente a refinaria repassa as distribuidoras que em seguida repassam aos pedidos feitos pelos postos. “Ocorre que muitas vezes os postos por diversos fatores como concorrência, por exemplo, nem sempre atualizam seus preços, ou seja, começam a trabalhar com margens que já são bastante estreitas. O empresário já não consegue ter mais estoques de produtos em seu posto devido essas oscilações de mercado, porque perdeu seu capital de giro e referência de preço, e somente compra o estritamente necessário para atender determinado período”.

Como reflexo dos altos e baixos do setor, Mato Grosso do Sul amarga o fechamento de mais de 32 de postos devido à crise econômica e as diferenças de tributação entre os estados vizinhos como Paraná e São Paulo.

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Consumidor se sente indignado com preço da gasolina em alta - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Por que existe tanta diferença de preço de um posto para outro?

Um dos questionados feitos pela reportagem é quanto à política de preço que os postos praticam. “As diferenças de preços existem porque nosso mercado é de livre concorrência e, portanto, cada posto executa seus preços dentro de suas projeções e planilhas de custos dependendo de diversos fatores como numero de funcionários, tamanho do posto etc. Assim como as distribuidoras também existe a concorrência. Portanto, o que ocorre é meramente comercial, cada setor cuidando de seus custos”, detalhou o gerente.

Em relação aos preços praticados na Capital, que são inferiores ao do interior, o gerente explicou que o custo do frete influencia no consumidor final ao pagar mais caro pelo produto em cidades mais distantes. “A distância de onde estão localizadas as bases das distribuidoras na Capital e a localidade que está situado o posto encarece os combustíveis, ou seja, quanto mais distante, mais aumenta o custo do frete e consequentemente o do produto, além do fator concorrência”.

Outro ponto destacado é sobre como atuam os postos na compra dos combustíveis que comercializam. Ele explicou que o setor divide-se em bandeiras brancas e bandeirados (que são os que detêm uma identificação como Petrobras, Shell, Ipiranga, Taurus e outras). Por serem bandeirados, ou seja, mantêm contratos de exclusividade com essas bandeiras para expor sua marca, obedecem a contratos de cumprimento de galonagem mensal e, portanto, cumprem clausulas contratuais, o que diferentemente nos bandeiras brancas não ocorre, pois eles podem comercializar (comprar de qualquer distribuidora), bastando apenas identificar nas bombas a origem dos produtos que estão vendendo.

“Como não tem compromissos contratuais, os postos de bandeira branca conseguem comprar com preços diferentes o que ocasionam preços diferenciados na hora das compras, possibilitando uma margem diferente de comercialização nos postos, inverso dos bandeirados, justamente por terem em suas testeiras alguma marca que o identifique como franqueado a uma bandeira”, explanou Lazaroto ao dizer que a ANP (Agência Nacional de Petróleo) realiza fiscalizações anuais no Estado ou quando é solicitada quando ocorre algum tipo de denúncia.

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