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Empresário de Goiás manifesta interesse em operar planta frigorífica de Batayporã

Burocracia devido ao fato de a área ainda estar alugada para a Minerva Foods pode impedir possível reabertura

Na manhã desta quinta-feira (18), em entrevista com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Nova Andradina e Região (STIANA), Sérgio Miller, o Nova News obteve a informação de que um empresário do estado de Goiás, que já atua no ramo frigorífico há cerca de duas décadas, tem interesse em reabrir a unidade de Batayporã, que está fechada desde julho de 2015, quando a Minerva Foods anunciou o encerramento das atividades no município. Na ocasião, cerca de 700 trabalhadores foram demitidos.

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Município de Batayporã pode, teoricamente, caso tenha interesse, retomar a área que está fora de operação - Imagem: Acácio Gomes / Nova News

Miller explicou que, diante do interesse concreto deste empresário em reabrir a unidade frigorífica de Batayporã, uma reunião entre várias lideranças foi realizada nesta quarta-feira (17). Participaram do encontro, o presidente do STIANA, Sérgio Miller; o presidente da Associação Empresarial de Batayporã (ASEB), Ney Olegário; o presidente do Sindicato Rural de Batayporã, Altamir Ramos; e o diretor de indústrias e comércios de Batayporã, Miguel Monteiro.

Entre as questões apontadas na reunião, é o fato de o Grupo Minerva Foods estar pagando aluguel da planta frigorífica que não está em atividade. “O frigorífico está parado há três anos e quatro meses e o Minerva continua pagando o aluguel para os responsáveis pelo prédio. Não sabemos o valor da mensalidade, mas acreditamos que, a esta altura, já deve estar atingindo a casa de milhões de reais. Qual seria o retorno disso para eles?”, questionaram.

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Presidente do STIANA afirma que lideranças se uniram para cobrar informações sobre o que pode ser feito a fim de que a unidade volte a funcionar - Imagem: Acácio Gomes / Nova News

Outro ponto abordado no encontro é o fato de, pelo menos teoricamente, o município de Batayporã poder, caso tenha interesse, retomar a área onde a indústria está instalada. Conforme já noticiado pelo Nova News, caso a planta frigorífica, doada pelo município no ano de 1989 para empreendedores da região e alugada para a Minerva Foods, permaneça inativa, o Poder Executivo poderá, em tese, tomar as medidas necessárias para rever a doação do terreno em que está o frigorífico e até mesmo a desapropriação do lote.

O terreno foi doado por meio da lei 116/89, de 28 de julho de 1989, com o único propósito de gerar empregos para a população de Batayporã. O Nova News teve acesso ao documento de doação, onde consta no Artigo 4º que a empresa “Frigorífico Maringá S/A”, que mais tarde, segundo a Lei 125/90, de 04 de abril de 1990, passaria a ser denominada de “Frigorífico Batayporã S/A – Friporã”, deveria cumprir a proposta de intenções, contribuindo com o desenvolvimento de Batayporã por meio da execução de suas atividades. Conforme o Artigo 6º da lei 116/89, de 28 de julho de 1989, “não cumpridas as exigências constantes da presente lei, os imóveis doados retornarão ao domínio do município”

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Conforme o Artigo 6º da lei 116/89, de 28 de julho de 1989, “não cumpridas as exigências constantes da presente lei, os imóveis doados retornarão ao domínio do município” - Imagem: Reprodução

Sérgio Miller explicou ao Nova News que, a reunião foi apenas o ponto de partida para um movimento que visa fazer com que o frigorífico de Batayporã volte a funcionar, seja sob a bandeira da Minerva Foods ou pelas mãos de outro grupo do setor. 

“Desde que o frigorífico fechou, em julho de 2015, o município sente as dificuldades financeiras. Dos mais de 700 empregados, alguns conseguiram colocação em outros frigoríficos da região, outros migraram para outros setores, mas muitos ainda amargam o desemprego, vivendo de trabalhos temporários, sem conseguir um registro em carteira”, disse.

Nos últimos meses, em diversos contatos com a assessoria da Minerva Foods, o Nova News sempre foi informado de que a empresa não tem interesse em voltar a operar no município. 

No entendimento das lideranças que abraçaram a causa, se a Minerva não pretende voltar a atuar na cidade e há um empresário com objetivo de instalar uma de suas unidades no município, o poder público deve empreender esforços e usar os meios legais disponíveis para que a população volte a contar com as mais de 700 vagas de emprego que, em outros tempos, muito contribuíram com a sociedade local e com a economia da região.

Nos próximos dias, deverá ser elaborado um ofício cobrando providências com relação à tomada de ações que promovam a reativação do frigorífico de Batayporã. Cópias deste ofício devem ser encaminhadas à Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, Ministério Público e Governo do Estado. As lideranças também pretendem realizar uma audiência pública, ainda sem data definida, para que a população tenha acesso às informações e saiba o que, efetivamente está sendo feito pelo poder público no sentido de reabrir um dos principais postos de trabalho do município. 

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