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Enfermeiros que não aceitaram “carteirada” de vereador são demitidos do HR

Demissão ocorreu no final da manhã desta quarta-feira (22)

Foto: Arquivo Nova News

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Os enfermeiros que não aceitaram a suposta “carteirada” do vereador Airton Castro (PDT) no último sábado (18) foram demitidos no final da manhã desta quarta-feira (22).

De acordo com o apurado pelo Nova News, os enfermeiros Odair Magaroto (pronto socorro) e Wesley Campanari (clínica medica e cirúrgica) já tinham um acordo de demissão. Os enfermeiros foram chamados pelo setor de RH (Recursos Humanos) do Hospital Regional Francisco Dantas Maniçoba, onde a carta de demissão foi entregue no final da manhã.

“Como éramos contratados e já havia um acordo de demissão, sabíamos que seríamos os próximos, só não posso afirmar se o episódio da “carteirada” adiantou o processo”, disse Odair ao Nova News.

Em contato o diretor geral da unidade hospitalar, Nelson Custódio da Silva, o mesmo afirmou que a demissão está dentro da normalidade. “Um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) firmado com o Ministério Público Estadual venceria no dia 30 de junho, então as demissões não tem relação com o episódio envolvendo o vereador. Eles já estavam cientes de que seriam demitidos,” afirmou o diretor da unidade.

Entenda o caso

No episódio ocorrido no sábado (18), enfermeiros que atuam na unidade acusaram o vereador Airton Castro (PDT) de tentar “dar uma carteirada”, ou seja, tentar usar de seu status de parlamentar para visitar, fora do horário, um amigo internado.

O fato foi noticiado na mesma data, ou seja, no sábado (18). O Nova News entrou contato com o vereador e com o diretor administrativo da Fundação de Saúde de Nova Andradina (Funsau-NA) - entidade responsável pelo HR -, Valmir Moraes da Silva. Airton Castro retornou as ligações à noite, afirmando ser inocente. “O que eu pedi foi uma gentileza, não tentei forçar nada”, disse ele.

Já Valmir disse que se manifestaria apenas a partir de segunda-feira (20). Na manhã desta terça-feira (21), ele encaminhou uma nota ao site. No documento, a direção do HR afirma que o que seria um mal entendido, já teria sido resolvido entre as partes.

Contestando a versão do hospital, os servidores entraram em contato com a reportagem nesta terça-feira (21), onde informaram que ao contrário do que diz a nota da unidade hospitalar de que o fato teria sido um “mal-entendido”, os enfermeiros afirmam que, de fato, o vereador teria “dado uma carteirada”, ou seja, supostamente usado de sua posição política para tentar, fora do horário estabelecido, visitar um amigo hospitalizado.

Os enfermeiros ratificaram a afirmação dada no dia dos fatos ao Nova News de que, após ser impedido de fazer a visita fora do horário, o vereador teria entrado em contato com o diretor administrativo do HR, Valmir Moraes da Silva, que, nas palavras de Odair, o teria intimidado por telefone e, logo depois, ido até a unidade hospitalar para tentar liberar a entrada do vereador. “Ele disse que mandava aqui”, afirmou Magaroto.

“Essa nota encaminhada pelo HR, dizendo que tudo não passou de um mal-entendido e que a situação já teria sido resolvida não condiz com a realidade”, afirmou Odair. Na opinião do enfermeiro, devido ao fato de o hospital ser 100% conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS), deve seguir o princípio da igualdade, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie.

As demissões tem gerado muita discussão e indignação nas redes sociais. Alguns mais exaltados com o desfecho do caso, falam em protesto. Segundo um assessor do prefeito Gilberto Garcia, que não está na cidade, o desligamento dos enfermeiros é "uma triste coincidência" uma vez que já estava ajustado. 

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