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“Eu sofri tanto que até desejei morrer por não aguentar mais”, diz vítima de violência psicológica

Entrevistada de hoje na série especial sobre violência doméstica do Nova News conta como foi o drama de um casamento de 17 anos

O único amor que conheceu por quase metade de sua vida virou sinônimo de dor. Ana, nome fictício, é a entrevistada de hoje na série especial sobre violência doméstica em Nova Andradina produzida pelo Nova News. Com um olhar de tristeza de uma página difícil de ser virada, ela conta como foi o fim do relacionamento de 17 anos com o pai de seus quatro filhos.

Como sempre acontece, o começo da relação foi regado pela magia do amor. Eles se conheceram em um encontro de igreja e poucos meses depois já estavam casados e dividindo o mesmo lar.

Os espinhos no mar de flores do casal começaram a aparecer. Ana conta que era sempre ‘colocada para baixo’ e para o marido ela nunca sabia nada. “Até mesmo o dinheiro que ganhava trabalhando fora, incluindo passando roupa em casas de família, ia parar nas mãos dele que me controlava em tudo. Sem falar que ele estipulava até o horário que tinha que entrar para dentro de casa com os meus filhos”, diz.

Dia a dia vivendo o mesmo drama, a violência psicológica chegou a causar tanto sofrimento em Ana que ela chegou a pensar em cometer suicídio. “Teve dia de eu chegar em casa e encontrar bilhete dele pregado na geladeira me maltratando como ‘você é uma ótima mãe, mas é uma péssima esposa’. Eu vivia o tempo todo de proibições. Simplesmente era privada de tudo”, desabafa.

Como se não bastasse a violência silenciosa sofrida, ela conta que o hoje ex-marido não gostava de trabalhar e chegava faltar o que comer dentro de casa. “Quantas vezes precisei pedir comida para a minha mãe, porque ele deixava eu e os meus filhos com fome? Enquanto ele só gostava de viver de aparência e até uma moto zero quilômetro comprou e nos deixou passando necessidade.

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Violência chegou a causar tanto sofrimento em Ana que ela chegou a pensar em cometer suicídio - Foto: Ilustração

Ana relembra que a situação passou a ficar mais crítica quando a mãe faleceu. Quando decidiu ir à luta, o companheiro ficava pouco tempo no emprego e ela precisa arcar com as despesas da casa. Uma das piores lembranças, segundo ela, foram as ofensas que recebeu devido ao tratamento de uma das filhas que é portadora de necessidades especiais. “Com um problema pós-cirúrgico após uma cesárea, o meu marido passou a levar a nossa filha para o tratamento em outra cidade e saiu falando por aí que eu tinha abandonado o tratamento, sem falar que na maioria das vezes eu trabalhava e ele não, e reclamava ainda de ajudar a cuidar dela. Foi muito difícil ouvir isso”.

Por pouco, conforme Ana, as ofensas não se transformaram em agressões. Em algumas situações, empurrões chegaram a acontecer e os filhos interviam. “Se não fossem os meus filhos, ele teria me agredido”, desabafa.

Ele foi o meu primeiro e único homem. Nunca imaginei que acabasse assim.

Ana (nome fictício), entrevistada de hoje

Suportando tudo calada sem pedir ajuda, Ana acreditava que os filhos precisavam ter o pai por perto e tentava manter o casamento ao lado do homem que escolheu como marido. Ela relembra que apenas três meses após o namoro, os dois já foram morar juntos e nunca passou pela cabeça que tudo fosse terminar assim. “Quando decide pela separação em que ele só saiu de casa com uma ordem judicial, foi como tirassem um fardo das minhas costas. Cheguei muitas vezes a pensar em suicídio por não aguentar sofrer tanto. Ao olhar para trás, vejo que essa minha escolha foi uma libertação. Mas, só tive coragem quando meu filho, de 17 anos, me fez acordar e até me pressionou a me separar. Não aguentava ver o pai sem trabalhar e ainda me fazendo sofrer tanto”.

Ana diz que a fatídica decisão em dar fim a um casamento de tantos anos se descreve em um amor sincero que acabou em medo e desilusão. “Ele foi o meu primeiro e único homem. Nunca imaginei que acabasse assim. Eu vivia ofuscada pela sombra do meu marido em que o tempo todo ele me fazia acreditar que só ele era centro de tudo e que a vida sem ele não teria sentido. Ao olhar para trás, sou hoje uma pessoa que tem identidade própria. Deixei de ser esposa para ser apenas mãe e não quero nunca mais outro homem do meu lado”, afirma a entrevistada que não quis ser fotografada.

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