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Luiza Brunet recebe título de madrinha do enfrentamento à violência contra mulher de Nova Andradina

Ativista contou um pouco de sua história durante o encerramento da campanha "Agosto Lilás"

Fotos: Bárbara Ballestero/Nova News

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Luíza Brunet recebeu o título de madrinha do enfrentamento à violência contra a mulher de Nova Andradina na manhã deste domingo (01) durante o encerramento da campanha “Agosto Lilás,”.

Apesar das condições climáticas que impediram a caminhada, o público composto por diversas faixas etárias compareceu em peso no plenário da Câmara Municipal. Diversas autoridades, como o Prefeito Gilberto Garcia, vereadores e secretários acompanharam o encerramento da campanha, cujo objetivo é sensibilizar a sociedade para o fim da violência contra as mulheres.

A empresária e ativista Luiza Brunet é embaixadora do Programa Mãos EmPENHAdas contra a Violência, criado pela juíza Jacqueline Machado, que já atuou na Comarca de Nova Andradina e que é atual coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar de Mato Grosso do Sul. A ativista também é madrinha da Campanha Estadual de Combate do Feminicídio.

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Luiza é natural de Itaporã, município de Mato Grosso do Sul e é declaradamente vítima de violência doméstica. Desde que tornou pública a violência que sofreu do ex-marido, Lírio Parisotto, em 2016, participa de campanhas nacionais e internacionais de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Em Nova Andradina, além de receber o título de madrinha da campanha municipal, a ativista contou um pouco de sua história e da infância na roça, que já envolvia contato com a violência doméstica. “Dos meus 6 aos 12, meu pai saiu da roça, começou a beber regularmente e agredir minha mãe, então eu sofri com violência doméstica quando ainda era menina. Aos 54 anos eu sofri violência e tive quatro costelas fraturadas, tive o rosto machucado e o corpo todo cheio de manchas roxas da agressão de um companheiro com quem eu vivi quase 5 anos. Qualquer pessoa pode sofrer agressão física, não importa a classe social, etnia, enfim é uma coisa que está permeando na nossa sociedade,” lamentou.

A ativista falou ainda das dificuldades que enfrentou após as agressões; “Eu tive muito medo de fazer a minha denúncia, por causa das consequências, do julgamento da sociedade, por ser uma mulher conhecida. Felizmente eu resolvi usar essa mulher que é conhecida no Brasil inteiro para falar sobre esse tema. E foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida, eu nunca estive tão feliz, eu nunca me senti tão útil. Eu tenho certeza que fiz a escolha certa. É muito prazeroso poder levar essa palavra de conforto e dizer que é possível sim, sair de um relacionamento abusivo, reconstituir a nossa vida”, disse.

Luiza falou ainda que um dos primeiros passos para sair do ciclo de violência é reconhecê-la. “As mulheres precisam reconhecer quando sofrem violência, porque a partir do momento em que você assume, verbaliza isso e procura ajuda, você se cura e cura outras pessoas também. Parabenizo todas as mulheres que antes da gente, da nossa geração, já começaram a trabalhar com esse assunto, mas que não foram reconhecidas e agora estão sendo. São mulheres que abriram os caminhos para a gente,” afirmou a ativista.

Durante sua fala Luiza agradeceu e parabenizou a delegada titular da DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) Daniella de Oliveira Nunes pelo trabalho desempenhado no município.

A ativista finalizou sua fala dizendo que pretende voltar para Nova Andradina em breve, “Quem sabe para reinaugurar a Delegacia de Atendimento à Mulher? Estou me convidando prefeito,” disse.

Luiza recebeu um troféu celebrando o título de madrinha e um desenho realista feito pelo artista local, Bruno Barreto.

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