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Mãe de seis filhos pede justiça ao ganhar casa há quase 10 anos e nunca morar

Entrevistada do Nova News é uma mãe de família entre as tantas que sonham em ter o próprio lar e que se vê injustiçada em não conseguir morar na casa que foi contemplada

Luciene Carvalho - Redação Nova News

Eliana Gomes de Nascimento Araújo (39) busca solução para caso dramático que enfrenta (Imagem: Luciene Carvalho/Nova News)

O drama de uma mãe de seis filhos, que começou há quase 10 anos, ainda continua sem solução. Sem ter mais a quem recorrer, Eliana Gomes de Nascimento Araújo, de 39 anos, decidiu chamar a atenção da imprensa nova-andradinense para a angústia que vive. De causar emoção a qualquer um que ouve sua história, a mãe de família é mais uma entre tantas que sonham um dia em ter o seu próprio lar para morar ao sair do aluguel e dar um sustento melhor à família.

Na entrevista concedida à reportagem do Nova News, Eliana detalha que no ano de 2007 começara o que seria a realização de um sonho. Há muitos anos na fila de espera, naquele ano ela foi contemplada com uma casa popular. Logo, conforme conta a dona de casa, as reuniões exigidas passaram a acontecer, além de uma visita no local onde as casas estavam sendo construídas, no Conjunto Habitacional Bela Vista, e do evento final realizado pela Prefeitura e a Caixa Econômica Federal para as assinaturas dos contratos.

Conforme relatado pela dona de casa, tudo seguia dentro na normalidade até chegar a data de entrega e ela descobrir que uma outra pessoa já estaria morando na casa. “Na última reunião realizada no mês de março de 2008, ficou decidido que as casas seriam entregues até o mês de dezembro. Entretanto, menos de dois meses depois, em maio, alguém que não seria eu estava morando na casa que era para ser minha”, conta ela ao falar que a data teria sido antecipada devido à realização de um evento do governo, sem, no entanto, ela ser comunicada.

Ao ir atrás para saber o que teria acontecido, Eliana relembra com tristeza e revolta o atendimento que recebeu na Agência Municipal de Habitação. “A atendente que lá trabalhava, me tratou com muita arrogância e descaso, me recebeu de uma forma que não tem explicação. Com um tom de voz alterado, ela mal quis me ouvir e disse que a casa não era mais minha, que eu tinha perdido. Disse que uma família já estava morando na casa e que eles a procuraram, mas não me encontraram, o que não é verdade”, afirma a mulher.

Eu já chorei tanto que eu não tenho mais lágrimas. Eu nem sei como chamar isso o que estão fazendo comigo.
Eliana Gomes de Nascimento Araújo

Não procede, segundo Eliana, a informação repassada de que ela não teria sido encontrada por estar morando fora do município. “Isso não é verdade e eu tenho como provar. Na época eu estudava na Escola Estadual Irman Ribeiro o EJA (Educação de Jovens e Adultos). 

 

Lá estudei nos anos de 2006, 2007 e 2008 e até levava os meus filhos comigo, porque não tinha com quem deixar. Tenho em mãos o histórico escolar com a frequência nas aulas, no dia que entregaram em 2008 a casa eu estava estudando. Hoje, eu provo que estava no município, mas naquele tempo conhecendo pouco da vida e dos meus direitos eu fui embora depois da maneira que eu fui tratada”, pontua.

Algum tempo depois, ela relata que foi até a agência da Caixa Econômica em busca de financiamento para tentar se ver livre do aluguel. Quando lá estava, o atendente a informou que ela já possuía uma casa em seu nome e que ela não poderia fazer outro financiamento. “Se tivesse casa moço eu não estava aqui”, disse Eliana espantada a ele diante da afirmação. “Não consegui acreditar no que estava ouvindo. Até me emocionei na hora. Ele me disse até o endereço e o ano que teria sido entregue a casa para mim”.

Em meio a tanta luta e sofrimento, Eliana diz que ouvir naquele dia que ela já tinha uma casa foi algo que não consegue explicar. Era como se fosse, como ela própria descreveu, uma emoção de que tudo vivido até ali poderia ser diferente. “Quando tiraram a casa de mim, foi uma época muito difícil na vida com a separação do pai dos meus filhos. Até eles mesmos sofreram junto com as brigas, as agressões, e a partir daí tudo ficou mais difícil”.

Dona de casa diz que precisou abrir mão dos filhos por não ter onde morar (Imagem: Luciene Carvalho/Nova News)

Diante da separação, ela se emociona ao se lembrar do sofrimento que viveu em não ter para onde ir com os quatro filhos que moravam com eles, enquanto os outros dias estavam com os avôs. “De 9, 7, 5 e 4 anos, meus filhos eram todos pequeninhos na época. Eu só cuidava da casa e não trabalhava fora e tive que aprender a me virar, trabalhando de diarista e o que aparecesse”, conta Eliana.

A ida à Caixa Econômica foi o começo da luta em busca de seus direitos. Na época, ela diz que voltou à Agência Municipal de Habitação com toda a documentação que teve acesso e falou diretamente com a responsável pelo órgão, a diretora-geral Maria Eugênia Bruno Andreassi. “Quando relatei o caso, ela disse que ficou surpresa com o que ocorreu, chegou a falar que eu deveria ter a procurado diretamente quando fui informada que tinha perdido a casa”.

Apenas com tentativas verbais de solucionar o caso, Eliana diz que também recorreu à Justiça e foi até a Promotoria de Justiça Pública. “O defensor encaminhou um ofício à Prefeitura pedindo esclarecimentos do que teria ocorrido. No documento, eles falaram que não teriam me encontrado e que eu não estava morando no município, e que seria o pai dos meus filhos que teria dito essa informação, o que não é verdade. Até mesmo apresentaram um documento que eu tinha só 9 dias de frequência na escola. Alguns dias depois, recebi a notícia por meio da própria Defensoria que eles me iriam me dar uma nova casa e que não precisaria levar judicialmente adiante o caso”.

Os anos se passaram e nenhuma medida, conforme Eliana, foi tomada. Após receber a notícia em 2014 que ganharia a casa a vida de sofrimento continuou. Depois de tentar várias vezes, ela disse que conseguiu falar diretamente com o então prefeito, Roberto Hashioka Soler, já no ano de 2015. “Ao explicar o assunto, na hora ele pegou o telefone e ligou para a Maria Eugênia que disse que eles teriam errado e estavam fazendo de tudo para me dar outra casa”.

Na época, Eliana diz que a diretora da Agência Municipal de Habitação chegou a falar que já tinha inclusive uma casa em vista para dar a ela e me apresentou uma documentação com até as imagens da suposta casa que, segundo a diretora, a pessoa beneficiada teria desistido do imóvel. Na época, ela diz recebeu seis meses de aluguel social.

Um dos fatos que revolta Eliana é o fato de que terceiros relataram que a pessoa que mora na casa veio de outra cidade, enquanto ela que mora em Nova Andradina desde criança. Ainda segundo ela, uma das piores situações é ela não poder se inscrever em outro programa habitacional e ficar impedida de fazer qualquer tipo de financiamento. “Eu tenho uma casa que eu nunca morei e posso dizer que não é minha. Nem sequer a chave tive nas mãos. Quero simplesmente justiça e que me ajudem a resolver esta situação e me deem um teto para morar. São quase 10 anos de luta que precisa chegar ao fim”, relatou a entrevistada que disse enfrentar problemas sérios de saúde e pede aos responsáveis uma solução para o caso.

Esclarecimento do caso

A reportagem tentou entrar em contato com os envolvidos, mas nenhuma parte foi encontrada para comentar o assunto. Desta forma, o Nova News se coloca à disposição para eventuais esclarecimentos sobre o caso.

Vale ressaltar que durante a entrevista, Eliana apresentou vários documentos que comprovam a suposta irregularidade apontada nesta denúncia. Entre as cópias dos documentos, estão o contrato assinado com a Caixa Econômica, a lista de frequência das reuniões após ser contemplada com a casa, o histórico escolar que comprova a frequência no curso que fazia à época da transferência para uma outra pessoa, o posicionamento da Agência Municipal de Habitação sobre o caso, além ainda da documentação da intervenção do Ministério Público Estadual, além ainda de laudos médicos que atestam sua condição delicada de saúde por estar tratando um sério reumatismo. 

Beneficiária prova que tem direito pela casa; Ministério Público chegou a intervir (Imagem: Luciene Carvalho)

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