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Mais uma vítima no trânsito nova-andradinense, o adeus a Jean Carlos ainda custa a acreditar

Matéria que o Nova News traz hoje como destaque é a última da série de entrevistas produzida durante todo o mês para chamar a atenção no trânsito

Tudo poderia ser diferente se o destino não mudasse o final de uma trajetória de vida que tinha tudo para ter um final feliz. Um mês e dois dias depois, quando tudo parecia estar sob controle, eis a triste notícia: Jean Carlos Santana Gouveia, com apenas 23 anos, não resistiu e morreu após seguir internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Regional ‘Francisco Dantas Maniçoba) desde o dia do acidente que se envolvera.

A matéria que o Nova News traz hoje como destaque é a última da série de entrevistas produzida durante todo o mês no ‘Maio Amarelo’ como forma de chamar a atenção dos nova-andradinenses sobre a problemática no trânsito.

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Jean Carlos, de apenas 23 anos, morreu um mês e dois dias depois de se envolver em acidente – Foto: Divulgação

Como triste coincidência sem prever mais o drama que mais uma família vivera, a ideia de desenvolver a série surgiu justamente no último dia 15 de abril quando Jean Carlos se acidentou. Um dia a ser esquecido, o domingo foi um dos mais tensos no trânsito como já visto na cidade com três acidentes graves e 12 vítimas feridas.

Relembrando como ocorreu o acidente, tudo parecia voltar à normalidade após já dois casos registrados horas antes. O chamado alertava para uma colisão envolvendo dois motociclistas e uma carreta. No acidente mais tenso do dia, Jean Carlos, que pilotava uma Yamaha R3, foi parar embaixo da carroceria da carreta e foi socorrido inconsciente e com suspeita de fraturas múltiplas pelo corpo. O jovem seguia por uma via preferencial quando foi atingido por outro motociclista, que estava em uma Honda Titan, quando o violento choque ocorreu.

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Sonia conta como foi o socorro ao filho até o seu último dia de vida - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Protagonista da entrevista de hoje, a mãe de Jean Carlos, Sonia Aparecida de Santana, ao lado da filha Bruna Naiara, de 17 anos, contou à reportagem como foi a hora do socorro ao filho até o seu último dia de vida. Segundo a agente de saúde, ele estava a cerca de 200 metros do local do acidente quando foi avisada e chegou logo em seguida.

“Foi desesperador ver meu filho embaixo daquela carreta sem se mexer. Os bombeiros não deixaram eu chegar perto e só tentavam me tranquilizar que tudo daria certo”, relata Sonia. Como não poderia ser diferente, ela conta que os ânimos se exaltaram quando viu o motociclista que causou o acidente tentando fugir, além ainda do próprio dono da carreta querer tirar o veículo do local com o filho ainda embaixo antes da chegada dos bombeiros. “Não teve como eu me controlar diante de uma cena dessa. Sem palavras para falar da revolta que senti quando vi tudo aquilo”, desabafa a mãe do jovem.Como triste coincidência sem prever mais o drama que mais uma família vivera, a ideia de desenvolver a série surgiu justamente no último dia 15 de abril quando Jean Carlos se acidentou. Um dia a ser esquecido, o domingo foi um dos mais tensos no trânsito como já visto na cidade com três acidentes graves e 12 vítimas feridas.

Mesmo considerado em estado em grave, Sonia diz que poucas horas depois o filho já voltou à consciência, quando felizmente a suspeita de uma lesão na cabeça foi descartada e que mais tarde, cinco dias depois, foi confirmada em exames detalhados que foram realizados na cidade de Dourados.

Descartado o pior que poderia ocorrer, os próximos passos de Sonia foi correr atrás da cirurgia ortopédica que Jean Carlos necessitava. No acidente, ele teve uma fratura exposta no tornozelo esquerdo, além ainda de uma fratura de fêmur na perna esquerda e outra no braço esquerdo.

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Bruna Naiara chora a perda do único irmão - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Após várias intervenções que até circularam na imprensa, a cirurgia de Jean Carlos ocorreu apenas 10 dias após o acidente. Para a mãe, “tratou-se de um descaso com a saúde do filho que gritava de dor devido às graves fraturas que sofreu e se desesperava pedindo ajuda para sair do hospital. Desde o dia do acidente, ele só ficou enfaixado e tomando sangue. Era muito difícil vê-lo naquela situação e o hospital demorar tanto tempo para liberar a cirurgia”, conta.

Considerada um sucesso pelos médicos, segundo Sônia, a cirurgia demorou cerca de cinco horas e desde esse dia o filho nunca mais conversou. “Antes de operar, ele conversava e aparentemente se mostrava bem independente das fraturas. Mas, quando voltou da sala de cirurgia ele mal acordava e abria o olho até poucos dias antes de morrer”, enfatiza a agente.

“Questionei várias vezes os médicos sobre o que estaria acontecendo e eles diziam que estava tudo normal. Em cada plantão diferente, cada médico falava uma coisa. Cheguei a pedir para transferir ele, mas não quiserem liberá-lo ao dizerem que estava tudo bem”, afirmou a mãe de Jean à reportagem.

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Para Sonia e Bruna, faltará para sempre um pedaço no coração - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Sonia relata que a principal causa das complicações do quadro de saúde do filho, apontada pelos médicos, foi que ele contraiu uma pneumonia após a cirurgia. “Na mesma semana que ele morreu, falaram que em cerca de dois dias ele sairia da UTI e iria para o quarto. Três dias antes do meu filho morrer voltei para casa muito feliz depois da visita. Foi o dia em que vi ele reagir e parecia estar de fato melhorando”.

Mas, eis que o inesperado até então aconteceu. A mãe conta que chegou no hospital como todos os dias para visitar o filho e logo que entrou recebeu a triste notícia. Jean Carlos teria tido duas paradas cardíacas e chegou a ser reanimado, mas não resistiu. “Na certidão de óbito também fala que contraiu uma bactéria e teria tido uma infecção hospitalar. O pior ainda é que, segundo ela, o filho faleceu às 16h30 de uma quinta-feira e só no final da manhã do dia é que o hospital liberou o prontuário para a necropsia. Eu só queria entender porque demorar tanto para fazer tal liberação”, diz Sonia.

Nós três éramos inseparáveis. Fazíamos tudo juntos. Não tê-lo mais conosco é uma dor que nunca terá fim

Sonia e Bruna

Revoltada com a morte do filho, Sonia afirma acreditar que ocorreu algum erro médico durante a recuperação de Jean. “Um advogado está cuidando do caso e vamos acionar o hospital para apurar a eventual falha que pode ter ocorrido. Para a morte não tem desculpa, mas não da forma como aconteceu. Tudo o que queremos é que se faça justiça. Quantos ‘Jeans’ já se foram e quantos poderão ir devido à negligência médica? Vou inclusive acionar o CRM (Conselho Regional de Medicina) e cobrar as providências necessárias”.

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"A dor de perder um filho não tem explicação", diz a mãe - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Uma dor que nunca tem fim

Mesmo pedindo justiça sem poder ter o filho de volta, Sonia fala de Jean com alegria ao relembrar dos momentos que viveu ao seu lado e ainda da filha caçula. “Nós três éramos inseparáveis. Fazíamos tudo juntos. Não tê-lo mais conosco é uma dor que nunca terá fim”, desabafam Sonia e Bruna.

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa em relação aos jovens, Sonia conta que o filho sempre foi prudente no trânsito e responsável com tudo em sua vida. “Desde cedo ele começou a trabalhar e após a minha separação se tornou o ‘homem da casa’. Estava à frente de tudo e conseguiu comprar a tão sonhada através do seu próprio suor. Até parou de beber para juntar dinheiro a fim de comprá-la. Tinha comprado a moto há apenas uma semana quando infelizmente se envolveu nesse acidente que lhe custou a vida devido à imprudência de outra pessoa”, diz a mãe ao criticar a falta de punição ao motociclista que causou o acidente e sequer deu qualquer tipo de assistência a Jean.

O cenário caótico do trânsito de Nova Andradina é, do ponto de vista de Sonia, reflexo da falta de rigor nas leis e a imprudência dos condutores que andam em alta velocidade e não respeitam as regras de sinalização. “Se o motociclista que causou o acidente tivesse parado na placa ‘Pare’ nada disso teria ocorrido. Um acidente pode acontecer, mas em certas situações pode ser evitado. Cabe a cada um dirigir com mais responsabilidade e se importar mais com os outros. O nosso Jean se foi e não quero que continue acontecendo o mesmo com mais outras famílias. A dor de perder um filho não tem explicação”, expôs Sonia.

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