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No presídio de Nova Andradina, detentos transformam bicicletas apreendidas em cadeiras de rodas

Projeto é denominado “Liberdade sobre Rodas”

Imagens: Divulgação

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Nas mãos de reeducandos do Estabelecimento Penal Masculino de Regime Fechado de Nova Andradina, bicicletas apreendidas pela Justiça estão sendo transformadas em cadeiras de rodas, proporcionando acessibilidade e a liberdade da locomoção a quem realmente precisa.

O projeto “Liberdade sobre Rodas” é desenvolvido pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), por meio da direção do presídio, e o Conselho da Comunidade de Nova Andradina. Ao todo, cinco internos participam da iniciativa que tem como objetivo oportunizar ocupação produtiva e capacitação aos apenados, além de beneficiar instituições como asilos, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE, hospitais e Rotary Club.

Para a realização dos trabalhos, os participantes estão recebendo orientação técnica de um instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Senai, com ensinamentos sobre manuseio das ferramentas, reutilização das peças e métodos necessários para a montagem das cadeiras de rodas. Unindo teoria e prática, o curso terá duração de 20 horas/aula.

Conforme o diretor da unidade penal, Edir Rubens Queiroz Campos, após a capacitação os internos estarão aptos a desenvolver os trabalhos, que serão organizados de forma específica. “Cada trabalhador será responsável por uma atividade, como se fosse uma fábrica com trabalhos em série, dessa forma, podemos intensificar a confecção, profissionalizar a mão de obra e identificar possíveis erros de produção”, explicou.

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Em média, para fabricar uma cadeira de rodas são necessárias três bicicletas. “Atualmente, recebemos a doação de aproximadamente 230 bicicletas e planejamos produzir uma cadeira de rodas por semana, com isso será possível atender muitas organizações comunitárias locais”, complementou Edir, explicando que essas bicicletas, muitas em péssimo estado e sucateadas, ficavam ocupando espaço no pátio da Delegacia da Polícia Civil local, o que acaba resolvendo também um outro problema.

Os internos que trabalham na confecção das cadeiras são beneficiados com a remição de pena: um dia a menos para cada três dias trabalhados. Além disso, o trabalho oferece uma nova especialização aos trabalhadores, ajudando na inserção ao mercado de trabalho, que geralmente é dificultada pelo preconceito da sociedade.

Para o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, a instituição desenvolve diversos projetos sociais junto à população carcerária do estado que atendem diretamente à população carente. “Dentre as iniciativas que utiliza mão de obra prisional temos a reforma de escolas, fabricação de brinquedos, confecção de perucas para pessoas com câncer, hortas sociais, entre outros, o que tem contribuído muito para a reintegração social dos apenados”, destacou.

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