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Prefeitura de Nova Andradina aplica R$ 900 mil para tratar dependentes químicos

Esquadrão da Vida é um dos parceiros do município na missão de salvar vidas. Entidade acolhe pacientes que desejam sair do mundo das drogas

Imagens: William Gomes

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A Prefeitura de Nova Andradina aplica cerca de R$ 900 mil por ano para tratar dependentes químicos e alcoólatras. O objetivo é à proteção da vida e a saúde com foco nos cuidados, tratamento e a reinserção social dessas pessoas.

O tratamento pode se dá a partir de duas frentes. Quando os droga-dependentes e alcoólatras desejam, por vontade própria, se submeterem ao tratamento de forma voluntária, o acolhimento é feito pelo Esquadrão da Vida. Já quando se trata de internações compulsórias, via judicial, são encaminhados para o tratamento no Centro Terapêutico Mensageiros da Paz, clínica que funciona em São José do Rio Preto.

O acompanhamento e a fiscalização desses serviços são feitos através das secretarias municipais de cidadania e assistência social e de saúde. A atenção ao usuário de drogas começa na rede básica com atendimento em todos as ESFs nos bairros e setor de saúde mental. Os casos mais graves (psiquiátricos e químicos) são encaminhados ao CAPS – Centro de Atendimento Psicossocial, onde o paciente passa por consultas, exames, acompanhamento com profissionais especializados e recebe medicamentos.

Gilberto Garcia reconhece a importância deste trabalho social. "Sem o apoio de profissionais de saúde e o trabalho de instituições como o Esquadrão da Vida, as pessoas não conseguem vencer o vício das drogas. No município, estamos enfrentando com todas as forças a epidemia das drogas que destrói a nossa juventude, desestruturam as famílias, causa a violência que o país vive e que está se propagando em todas as classes sociais", certifica o prefeito.

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Nesta reportagem, vamos contar mais sobre Esquadrão da Vida, entidade beneficente parceira do governo municipal, que há mais de 6 anos acolhe dependentes de substâncias psicoativas, realizando gratuitamente tratamento social, psicológico e espiritual com o objetivo de reintegrá-los à família e à sociedade.

A instituição recebe R$ 180 mil anuais, através de convênio com a Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social. No próximo mês, mais detalhes sobre as internações compulsórias, onde as famílias recorrem a defensoria pública para internar o dependente em clínicas especializadas.

Esquadrão da Vida é um dos parceiros do município na missão de salvar vidas

Instalado no antigo Balneário Municipal de Batayporã, o Esquadrão da Vida tem capacidade para atender até 35 pessoas, vindas de todo o Vale do Ivinhema. São atendidos dependentes de álcool e drogas ilícitas como craque, maconha, pitilho (maconha com cocaína), pasta base, cocaína, extasy, "doce", LSD e outras drogas alucinógenas.

Além de seis prefeituras da região, a instituição é mantida com recursos de emendas parlamentares, auxílios de entidades civis e do poder judiciário da comarca de Nova Andradina, que desde sua criação em 2013, tem sido uma espécie de padrinho, financiando projetos de melhorias na infraestrutura através de recursos de penas pecuniárias.

O resultado do trabalho é incontestável: 90% dos dependentes químicos acolhidos pelo Esquadrão e que chegam ao fim do tratamento recuperam suas vidas. A taxa de evasão e recaída é de apenas 10 a 12%. O tratamento é realizado numa chácara, num aconchegante ambiente familiar-cristão.

Há 6 anos atuando em Batayporã, o Centro de Recuperação foi idealizado pelo Pastor Samir Zayed e administrado por membros pertencentes a Igreja Resgate, que ajudam inúmeras famílias no processo de ressocialização e luta contra os vícios do alcoolismo e das drogas.

Atualmente, são atendidas 26 pessoas e elas têm que se adaptar às regras internas durante os nove meses, período em que ficam em tratamento voluntário no local.

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A programação começa logo cedo, às 6 horas, com o café da manhã e a oração. Alimentados fisicamente e espiritualmente, os acolhidos participam de atividades diárias individuais e em grupo como cuidar da horta, galinheiro, porcos, limpeza do quintal, alojamentos, preparação das refeições, limpeza interna dos espaços, padaria e cozinha caipira.

A rotina prevê horários dedicados ao autocuidado – organização e limpeza dos espaços, com a rotatividade gradual da terapia ocupacional, de maneira que a cada 15 dias, o acolhido passa por um setor diferente, contribuindo para a melhoria do comportamento e a seu processo de adaptação ao tratamento.

São servidas 5 refeições diárias e reservados horários para a prática de lazer na academia de ginástica, jogo de futebol, televisão e outros atividades lúdicas, além dos momentos de espiritualidade e de consulta/atendimento com os profissionais de saúde.

Edilson Neres da Silva, de 44 anos, foi um dos primeiros acolhidos. Morador do bairro Argemiro Ortega e pai de quatro filhos, ele passou pelo Esquadrão da Vida há seis anos para se libertar do vício da maconha, álcool e do crack. Hoje, presta serviços de pedreiro à instituição e, quando tem a oportunidade, convida dependentes a conhecer a casa de recuperação.

Ele conta que trabalhava uma semana e passava duas e três semanas na praça usando drogas. Metade da vida usou a maconha e a pinga. Depois, foi um pulo pra pedra. Seu casamento foi destruído quando a esposa também entrou nesse mundo. O casal perdeu a guarda de dois filhos, que acabaram sendo adotados, e outros dois ainda estão morando em Nova Andradina.

"Estou limpo há seis anos e 4 dias. Consegui retomar meu trabalho, tirar habilitação e comprar uma moto para trabalhar. Estou casado novamente há 4 anos. Aos poucos estou conquistando tudo que perdi, porque quando tava no vício, eu jogava tudo fora. Agora, tô tocando a vida, graças a Deus", disse.

Aos 65 anos, Natalino Pereira, está no fim do tratamento para vencer o vício da pinga e do cigarro, droga que conheceu através de amigos aos 21 anos de idade e o acompanhou por grande parte da sua vida. Esta é a segunda vez que passa pelo Esquadrão da Vida. Da primeira vez, em 2015, se submeteu ao tratamento por 6 meses. Ficou 4 anos "limpo" e acabou voltando a beber novamente no início de 2019. "Fiquei dias caído na praça da rodoviária até o pessoal da assistência social me encontrar. Me convidaram e vim pra cá. Já aprontei muita coisa por causa da pinga. Agora, quando sair daqui é vida nova", frisa, esperançoso.

Como funciona

Conforme o pastor Wilson Antonio Soares dos Santos, que há 10 meses é pastor do Esquadrão da Vida, o trabalho consiste na desintoxicação física e mental, depois a conscientização e, por último, a reinserção social. Todos os recursos repassados à entidade possibilitam a gratuidade total do tratamento.

"O primeiro passo é o cidadão querer. Trabalhamos em todas as facetas do setor humano: mente, corpo e espírito e o social, ou seja, traçamos um plano de modo que o indivíduo saia daqui, senão com emprego, orientado para tal", destaca.

Para tanto, o Esquadrão da Vida mantém parceria com a Casa do Trabalhador, Programa Acessuas Trabalho, Sindicatos Rurais, Senai e empresas que agregam ao trabalho. Constantemente, são realizadas melhorias na infraestrutura do local, para que possam atender as normas da Anvisa de funcionamento de comunidades terapêuticas.

O acolhido mantém uma rotina saudável, com horários determinados, de modo que possam viver com equilíbrio, constância e motivação, construindo relacionamentos familiares e profissionais e tendo com eles que isso é mais importante do que a droga e o álcool.

A equipe multidisciplinar é formada por psicólogo, assistente social e 4 técnicos em dependência química, além dos pastores da Igreja. O plano de trabalho é personalizado, observando as diferenças e necessidades de cada paciente.

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