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Quando a violência chega ao fim, CAM se abre para atender mulheres vitimizadas pela dor

O Nova News dá continuidade à série de matérias especiais sobre o cenário de violência doméstica em Nova Andradina

Quer seja física ou emocional, a dor de uma mulher vitimizada dentro do seu próprio lar não pode ser explicada em palavras. Ter onde buscar ajuda é o um dos pivôs que a fortalece para quebrar o ciclo de violência que está vivendo.

Dando continuidade à série de matérias especiais sobre o cenário de violência doméstica em Nova Andradina, a entrevistada de hoje é a coordenadora do CAM (Centro de Atendimento à Mulher) “Nova Vida”, Lucineia Rodrigues Medeiros Barbosa.

Uma referência em Nova Andradina, o centro possibilita o atendimento às mulheres em situação de violência. Desde 2006, ano de sua criação, já chega um total de 945 cadastros gerados até dezembro de 2017. Só ano passado, 720 atendimentos psicológicos foram oferecidos. Por mês, a média de acompanhamento é de 45 mulheres atendidas.

Conforme explica a coordenadora, várias são as ‘portas de entrada’ que a mulher vítima de violência tem para chegar ao centro. Uma das principais, segundo ela, é a DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) através do acompanhamento semanal dos boletins de ocorrências registrados. Durante 2017, o número chegou a 335 casos.

“Toda vez que uma mulher registra uma ocorrência de violência doméstica tomamos conhecimento do que ocorreu e procuramos intervir no sentido do que pode ser feito para ajudá-la. O próximo passo consiste em fazer uma triagem e encaminhá-la para o atendimento psicológico”, pontua Lucineia.

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Entrevistada de hoje é a coordenadora do CAM (Centro de Atendimento à Mulher) – Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Quantas vezes ela cair, estamos aqui para dar a mão e evitar a reincidência de um crime que cada vez pode ser pior

Lucineia Rodrigues Medeiros Barbosa, coordenadora do CAM "Nova Vida"

Perder o medo de falar do problema é uma das situações que são trabalhadas também nas terapias em grupo quinzenalmente. “A maioria chega fragilizada com medo e vergonha. Mas, no trabalho em grupo percebem que outras mulheres também vivem o mesmo problema e passam juntas a trocar experiências. O objetivo desse tipo de terapia é promover a autoestima, a valorização pessoal e a interação”, salienta a coordenadora.

Com uma rede articulada na luta contra a violência à mulher no município, a coordenadora diz que os outros meios de acessos ao CAM são por meio do Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e as Polícias Civil e Militar, além ainda de órgãos assistenciais como CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e Conselho Tutelar.

Analisando o cenário hoje existente em Nova Andradina, Lucineia classifica como preocupante o aumento de casos ano a ano. “Trata-se de uma situação que requer atenção. A violência doméstica não pode ocorrer. Qualquer um pode denunciar. Não existe mais aquela história que em briga de marido e mulher ninguém pode intervir. É um problema extremamente grave que gera enormes consequências para toda a família”.

Sobre os tipos de violência que mais ocorre, a coordenadora diz que a violência psicológica é a principal praticada contra as mulheres. “Quando se fala em violência psicológica, muitos não têm ideia da gravidade que ela tem. Esse tipo de violência adoece a mulher. Mata a sua alma aos poucos e causa mais dor e sofrimento que até mesmo uma agressão física”.

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Centro de Atendimento à Mulher é uma referência em Nova Andradina – Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Silenciosa ao torturar a mulher no dia a dia, a violência psicológica costuma acontecer, segundo a coordenadora, logo no início de uma relação. “Primeiro surgem as proibições em que a mulher acha se tratar apenas de um ciúme excessivo do companheiro. Mais adiante aparecem as ameaças e os xingamentos quando eis que ocorre um outro tipo de violência – a moral – através de injúrias, calúnias e difamações. E, por diversas vezes, situações consideradas mais comuns até então evoluem para a agressão física”, expõe Lucineia.

CAM faz acolhimento de vítimas de violência

Abrir mão de uma vida inteira ao lado da pessoa que aprendeu amar é uma tarefa mais que difícil qualquer mulher vítima de violência, especialmente quando muitas dependem financeiramente do marido e ambos têm filhos em comum. O CAM tem também como prerrogativa fazer a acolhida de vítimas que estão com a integridade física ameaçada em um local sigiloso que não pode ser divulgado.

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Coordenadora diz que o mais importante é a mulher querer sair do ciclo de violência que está vivendo - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

“Dar amparo e orientação à mulher é nossa missão de trabalho. Ajudá-la a se reerguer e ter volta sua autoestima é o que buscamos, ajudando-a, inclusive, a inseri-la no mercado de trabalho. Mas, o mais importante é ela querer sair do ciclo de violência que está vivendo. Quantas vezes ela cair, estamos aqui para dar a mão e evitar a reincidência de um crime que cada vez pode ser pior. Defendemos que a família deve ser construída com amor, respeito e confiança. Não estamos aqui para separar ninguém. Apenas para defender qualquer mulher que tenha seus direitos violados”, disse Lucineia.

Mesmo sem antes ter procurado a delegacia da mulher para registrar uma violência, qualquer mulher pode comparecer no CAM a fim de buscar atendimento. O atendimento psicológico é uma forma de esclarecer e fortalecer a mulher a dar fim à violência.

Onde fica

Vinculado à Secretaria Executiva de Políticas Públicas para a Mulher, o CAM (Centro de Atendimento à Mulher) fica localizado na Rua Santa Lúcia, 1058, área central de Nova Andradina. O telefone para contato é o (67) 3441-7600.

A equipe do centro é composta além da coordenadora de uma psicóloga, uma pedagoga, uma assistente social, uma atendente e uma motorista.

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