Publicado em 26/04/2022 às 18:21, Atualizado em 26/04/2022 às 22:23

Estiagem provocou queda de 34,6% e Estado conclui safra da soja com 8,6 milhões de toneladas colhidas

João Prestes, Semagro
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Imagem:  Edemir Rodrigues / Arquivo

O Projeto SIGA/MS divulgou nesta terça-feira (26) o balanço final da safra de soja 2021/2022 e confirma uma drástica queda na produtividade que resultou no menor volume colhido da oleaginosa nos últimos cinco anos em Mato Grosso do Sul. O Projeto Siga/MS é coordenado pela Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) junto com a Aprosoja/MS (Associação de Produtores de Soja de MS) e Famasul (Federação da Indústria de Mato Grosso do Sul).

A área ocupada pela soja na safra 2021/2022 em Mato Grosso do Sul foi de 3.748.042,72 hectares, o que projetava uma safra recorde caso se concretizasse a produtividade média esperada de 56 sacas por hectare. Entretanto, a estiagem verificada nos últimos meses do ano passado interferiu no desenvolvimento das plantas e provocou perdas significativas em grande parte das lavouras.

Dessa forma, a produtividade média caiu do montante estimado de 56 sacas por hectare para 38,65 sc/ha. Na região Sul, que responde por 62,4% da área total ocupada pela soja no Estado, a produtividade média foi de 27,85 sacas por hectare. A região Central apresentou produtividade média um pouco acima – 46,67 sc/ha -, porém só representa 22,4% da área total. O melhor desempenho da cultivar aconteceu na região Norte, com média de 71,15 sc/ha, sendo que representa aproximadamente 15,2% da área estadual ocupada com a cultura.

Ao todo, só 30 dos 77 municípios apresentaram produtividade acima da média estadual. “A produtividade média ponderada para Mato Grosso do Sul manteve-se baixa devido as produtividades em alguns municípios como Maracaju, Sidrolândia, Ponta Porã, Dourados e Rio Brilhante, que foram abaixo de 46,78 sc/há e, juntos, possuem o peso de 34% na média estadual”, relatam os técnicos do Projeto SIGA/MS. Os municípios de Rio Negro, Alcinópolis, Costa Rica, Chapadão do Sul, São Gabriel do Oeste, Sonora, Paraíso da Águas, Cassilândia e Coxim obtiveram as produtividades mais altas, acima de 64,38 sc/ha.

O levantamento de produtividade da soja em Mato Grosso do Sul foi realizado entre os dias 7 de fevereiro e 15 de abril de 2022, completando 10 semanas de coleta de dados que permitiu obter uma amostragem significativa de 977 propriedades nos 77 municípios do Estado, afirmam os técnicos no boletim.

Quando comparada à safra passada (2020/2021), tem-se uma retração de 38,5% na produtividade dessa safra, passando de 62,84 sacas por hectare para 38,65 sc/ha. Já na produção a retração foi de 34,6%, passando de 13,306 milhões de toneladas para 8,692 mi/ton.

Para se ter uma ideia da dimensão dessa quebra na safra, o Estado deixou de colher um volume equivalente ao que exporta todos os anos (4 milhões de toneladas de soja). O secretário da Semagro, Jaime Verruck, chama a atenção para o impacto econômico junto às famílias produtoras. “Muitos produtores estavam cobertos com o seguro agrícola, outros não, mesmo assim há um impacto direto na renda desses produtores e uma perda econômica significativa para Mato Grosso do Sul.”