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Mercado do leite ‘amarga’ entressafra e queda na produção já chega a 25% em Nova Andradina e região

Dois fatores são preponderantes para atual crise do setor que afeta produtores desde início do ano

Comparado a janeiro, a queda no volume de produção do mercado do leite já chega de 25%. Em plena entressafra que teve início em abril, a tendência é de mais dias ruins para os produtores de Nova Andradina e região - até meados de setembro - quando acaba a sazonalidade do setor.

Explicando a atual conjuntura do mercado, o gerente industrial de um laticínio em Batayporã, João Gilberto Marques Caldeira, detalhou ao Nova News que dois fatores preponderantes justificam a queda da produção. “Como acontece todos os anos, os animais estão em final de fase de lactação e, de outro lado, existe a qualidade de pastagem que é inferior com o período de seca que tende a se agravar”.

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Setor enfrenta falta de oferta da matéria-prima para atender a indústria e o consumidor final - Imagem: Arquivo / Famasul

Com o recuo no volume de leite captado, os produtores começam a amargar a falta de oferta da matéria-prima para atender a indústria e, consequentemente, o consumidor final. Segundo o gerente, no ano passado, chegou a 60% a quebra do setor com o produto encarecido em cerca de 30%. “Em janeiro, deste ano, por exemplo, a captação girava em torno em 25 mil litros, e, hoje estamos na média de 20 mil. Por hora, os preços estão estáveis, mas não sabemos como vai reagir o setor no desenrolar dessa entressafra”.

Nas palavras do produtor Valdir Pinheiro - há mais de 20 anos no setor com propriedade em Batayporã -, já caiu pela metade o volume de produção nos últimos 40 dias. Segundo ele, a captação que antes era de 180 a 200 litros por dia, agora chega na média de apenas de 90 litros.

“Este tem sido o pior do ano desde que atuo no setor. Investi cerca de R$ 15 mil para reformar as pastagens após fechar 2018 no ‘vermelho’ com muitos gastos com ração e, agora, preciso amargar um período de tanto prejuízo”, pontua o produtor.

A curto prazo, Pinheiro diz que não há uma solução imediata para a crise que o setor enfrenta. “Precisei apartar a maioria do gado em lactação e só daqui aproximadamente uns dois meses é que a situação pode voltar a melhorar. O único jeito é esperar e torcer ainda para que o laticínio continue segurando o atual preço de R$ 1,20 para não agravar a situação ainda mais”, frisa.

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