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Alta taxa de mortalidade de animais preocupa setor de proteína

Intervenção rápida e forte por parte do governo para evitar a mortandade de milhões de animais, por conta da greve dos caminhoneiros, é o que espera o vice-presidente de mercado da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

"Uma intervenção rápida do governo brasileiro é urgente para evitar a continuidade da mortandade de milhões de animais, o desabastecimento, problemas de saúde pública, danos ao meio ambiente e possível fechamento de agroindústrias e cooperativas, que empregam centenas de milhares de brasileiros e movimentam a economia nacional e o comércio internacional do país", diz Santin.

Segundo ele, a mortandade animal já é uma realidade devido à falta de condições minimamente aceitáveis de espaço e quantidade de ração. "Um bilhão de aves e 20 milhões de suínos estão recebendo alimentação insuficiente", informa.

Essa situação, de acordo com o executivo, gera risco de canibalização, além de condições críticas para os animais.

"Cerca de 64 milhões de aves adultas e pintinhos já morreram, e um número maior deverá ser sacrificado em cumprimento às recomendações da Organização Mundial de Saúde Animal e das normas sanitárias vigentes no Brasil. Milhões de suínos também estão ameaçados", lamenta.

Santin acrescenta ainda que a mortandade cria uma grave barreira para a recuperação da produção do setor nas próximas semanas e meses.

"As carnes suína, de frango e os ovos, proteínas que antes eram abundantes e com preços acessíveis, poderão se tornar significativamente mais caras ao consumidor caso a greve se estenda ainda mais".

Outra preocupação do executivo e também da entidade está relacionada às demais áreas da cadeia produtiva, além das consequências diretas para a população.

"O velho fantasma da inflação poderá assombrar o País, pelo menos até que ocorra o restabelecimento da produção.

Os menos favorecidos serão os mais prejudicados", avalia, acrescentando que os reflexos sociais, ambientais e econômicos são incalculáveis.

De acordo com a ABPA, 167 plantas frigoríficas de aves e suínos estão paradas e mais de 234 mil trabalhadores com as atividades suspensas.

"A situação é caótica não só para o mercado nacional. Aproximadamente 100 mil toneladas de carne de aves e de suínos deixaram de ser exportadas na última semana. O impacto na balança comercial já é estimado em 350 milhões de dólares", informa.

CONSEQUÊNCIAS

Para Santin, essa intervenção por parte do governo tem caráter imediato, pois após o final da greve a regularização do abastecimento de alimentos para a população poderá levar até dois meses.

O executivo destaca que o desabastecimento de alimentos para o consumidor também já é fato, uma vez que milhares de toneladas de carnes e outros produtos deixaram de ser transportadas para os centros de distribuição desde o dia 21 de maio, data do início da greve.

"Outras milhares de toneladas não foram produzidas pelas fábricas, que foram obrigadas a paralisar a produção por não terem mais onde estocar produtos", acrescenta.

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