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Atendimento do Programa Criança Feliz completa um ano

O colchão jogado na sala e os brinquedos espalhados já denunciam: hoje é dia de visita do Criança Feliz. Sentados no chão, Cicero Santos Barbosa, de 31 anos, acompanha atento todas as orientações da visitadora e repete passo a passo as brincadeiras com a pequena Sara Melissa, de oito meses.

O auxiliar de serviços gerais vive em Pacatuba (SE), o primeiro município do Brasil a iniciar as visitas domiciliares do Programa Criança Feliz. Pai de mais dois meninos, ele lamenta não ter dado a mesma atenção aos filhos mais velhos.

"O pai tem que brincar com seus filhos, aproveitar o agora. Eu não tive essa oportunidade. Eu queria ter brincado mais com os meninos.

Mas, hoje, com o programa, tenho a oportunidade de brincar com os três", conta Cícero. A mudança de comportamento do pai começou ainda na gravidez, quando a família passou a ser acompanhada pelo programa.

Orientada pela visitadora, Rebecca, a esposa de Cícero, insistia para que o marido acariciasse sua barriga, mas ele era irredutível. "Rebecca me dizia para alisar a barriga dela, conversar com a menina. Mas eu dizia: ‘Deixe de besteira.

Como é que essa menina está me ouvindo falar com ela? ’ Até que um dia eu alisei a barriga da minha esposa e a neném mexeu", lembra o pai, com carinho.

Empurrãozinho

Foi graças à insistência de Rebecca e a um empurrãozinho do Criança Feliz que Cícero finalmente passou a fazer parte da vida de Sara, hoje com oito meses. Ele conversava e cantava para a menina ainda no ventre.

Até hoje, as músicas fazem parte das brincadeiras da família. "Fiquei muito emocionado ao ver aquilo. Hoje, canto a mesma música que eu cantava antes e ela até dança", conta o pai.

Transformações como a de Cícero vem acontecendo em todo o Brasil. O Criança Feliz está completando um ano da primeira visita domiciliar e hoje já conta com mais de 311,8 mil famílias visitadas em mais de 2,1 mil municípios. Em Pacatuba, o programa atende 100 crianças e sete gestantes.

A dona de casa Núbia dos Santos, mãe de Uemerson, foi a primeira mãe do Brasil a receber as orientações.

Ela nota a evolução do filho, que já tem um ano. Seja nos passos – ainda desastrados – que ele ensaia na sala de casa ou nas tentativas de formar palavras e conversar com mãe, o desenvolvimento de Uemerson é mais rápido do que o dos irmãos que não tiveram o mesmo acompanhamento. "Depois do programa, ele já se desenvolveu muito mais.

Ele brinca melhor, faz tudo melhor. Antes, eu não brincava com os outros filhos. Não tinha as visitadoras para orientar, brincar com ele, botar a bolinha no pano", explica a mãe.

Investimento

O investimento do Criança Feliz é a longo prazo. As ações coordenadas nas áreas de saúde, assistência social, educação, justiça, cultura e direitos humanos têm o objetivo de reduzir a desigualdade e quebrar o ciclo de pobreza entre as gerações.

Para o ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, as ações do programa são determinantes para o desenvolvimento completo da criança.

"É o momento de comemorarmos a mudança no rumo da história e no destino de milhares de crianças que estão recebendo essas visitas. Isso significa melhor desenvolvimento psicomotor e cognitivo, mais capacidade de aprendizado para essas crianças.

No futuro, elas serão jovens com melhores condições de entrar no mercado de trabalho, gerar renda e resgatar a si e a sua família da pobreza", avalia Beltrame.

O desenvolvimento integral da criança requer muito trabalho e dedicação de todos na família. Segundo a secretária de assistência social de Pacatuba,

Faustilene Santos, o Criança Feliz tem o importante papel de orientar as famílias sobre como incentivar integralmente as crianças e fortalecer o vínculo familiar.

"Algumas mães não sabiam brincar com as crianças e dar essa atenção integral de que elas precisam. Esses meninos necessitam de carinho e de amor na primeira infância.

Algo que as mães, muitas vezes por viver em situação de vulnerabilidade social, de muita pobreza, não sabiam", justifica Faustilene.

Semanalmente, visitadores levam às famílias orientações sobre a melhor maneira de impulsionar o desenvolvimento das crianças.

O programa, que é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), acompanha crianças de até três anos beneficiárias do programa Bolsa Família e aquelas de até 6 anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada, o BPC.

Em todo o Brasil, quase 13,2 mil visitadores seguem atuantes, garantindo às crianças a oportunidade de uma vida melhor.

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