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Aumento da produtividade do frango em quatro décadas

O MAPA divulgou o resultado de estudo elaborado por sua Secretaria de Política Agricola, no qual é observado que a melhora na produtividade é responsável por 80% do crescimento da agropecuária brasileira.

No estudo foram utilizados dados de 1975 e de 2016, ou seja, resultados que refletem a evolução do setor em pouco mais de quatro décadas.

Alguns produtos foram destacados pelo MAPA no "press-release" então divulgado: a produção de grãos passou de 40,6 milhões/t para 187 milhões/t; a pecuária aumentou de 1,8 milhão/t para 7,4 milhões/t, o volume de carne suína cresceu de 500 mil/t para 3,7 milhões/t e o de frango de 373 mil/t para 13,23 milhões/t.

Nesses exemplos, o que mais chama a atenção é o índice de evolução da produção de carne de frango (tabela abaixo).

Ou seja: enquanto os demais produtos ressaltados registram incremento que varia entre 300 e 600% o da carne de frango vai além dos 3.000%.

Eventualmente, em tal índice poderia estar embutida uma subestimativa do volume de carne de frango produzido em 1975.

Mas ainda que se triplique o total apontado para 1975 - de 373 mil/t para 1,119 milhão/t (os primeiros números da APINCO, relativos a 1981, ou seja, seis anos depois, apontam 1,4 milhão/t) – o percentual de incremento permanece superior a 1.000%, confirmando que a maior expansão está na indústria do frango.

Naturalmente, boa parte desse ganho vem do aumento da produção. Pois, por exemplo, em 1981 (novamente, dados da APINCO) a produção média de pintos de corte não foi muito além dos 90 milhões de cabeças mensais, enquanto em 2015 (recorde do setor até aqui) ficou próxima dos 550 milhões de cabeças mensais.

E, só aí, já vai um aumento superior a 500%. Mas, sem dúvida, o principal fator de aumento na produção da carne de frango vem sendo o incremento contínuo da produtividade.

Que, no caso da carne de frango, resulta da combinação de pelo menos quatro diferentes fatores: melhoramento genético, o principal; aperfeiçoamento dos sistemas de nutrição; evolução na prevenção e no controle de doenças; melhoria das condições de bem-estar animal.

Coincidência ou não, no recente encontro (janeiro de 2018) anual da avicultura mundial em Atlanta, EUA, Greg Thoma e Martin Christie, Professores da Universidade do Arkansas, abordaram esse tema.

E, a exemplo do período contido no estudo do MAPA, apontaram os aumentos de produtividade ocorridos em, aproximadamente, quatro décadas. Neste caso, entre 1965 e 2010.

Na tabela abaixo, logo após os dados do MAPA, estão relacionados os ganhos registrados. Por exemplo, de quase 62% no peso médio do frango abatido, o que, combinado com uma redução de quase 30% no tempo de criação, corresponde a um aumento anual de volume – mantido o mesmo numero inicial de cabeças – superior a 125%.

O ganho de pouco mais de 2% na viabilidade dos lotes criados parece pequeno. Mas, considerada uma criação anual da ordem da 6 (seis ) bilhões de cabeças, como no caso brasileiro, essa redução se torna significativa. Por fim, há o ganho na conversão alimentar.

No estudo de Arkansas é apontado que o volume de ração necessário para produzir um quilograma de carne de frango caiu de 2,440 kg em 1965 para 1,940 kg em 2010 – redução, portanto, de 20%. Mas esse resultado já está defasado, pois atualmente, a conversão vem sendo inferior a 1,8:1,0.

E isso significa que, proporcionalmente, a produção de carne de frango requer menos matérias-primas alimentares que há quarenta anos atrás.

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