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Avanço das leis é uma das principais conquistas da mulher, diz delegada

Responsável pela Delegacia da Mulher, Daniella de Oliveira diz que se engana quem pensa que a violência é o único problema enfrentado pelas mulheres 

Não é novidade para ninguém que a cada dia que passa as mulheres estão ocupando cada vez mais os espaços que antes eram unicamente ocupados por homens. A discussão de gêneros têm ganhado muitos adeptos e com isso a força do movimento, que busca uma visão igualitária para homens e mulheres dentro da sociedade está cada vez mais forte. Entretanto, apesar de muito se falar sobre o tema, é necessário frisar que ainda há um caminho árduo para percorrer, e nem de longe a sociedade parece preparada para conviver com todas essas mudanças.

Um marco importante, responsável por abrir as portas para uma maior inserção da mulher no âmbito político nacional, aconteceu em 1932, quando foi dada às mulheres o direito de votar e serem votadas. Mas para que essa conquista se concretizasse, foram necessários mais de 100 anos de lutas, discussões e debates. Hoje, 85 anos após o marco, a mulher acumulou inúmeras conquistas para além dos limites do lar. Ela ampliou sua participação no mercado de trabalho, nas associações sociais e na política, ocupando posições e chegando até mesmo à presidência do País.

A ocupação de uma mulher na presidência do país é o fato mais emblemático das conquistas femininas na história do Brasil, assim como a ocupação das mulheres nos cargos políticos de primeiro escalão, apesar de ainda ser pequena a presença de vereadoras e senadoras. A atuação das mulheres no mercado de trabalho também é algo a ser destacado, porém, de acordo com estatísticas, as mulheres ainda ganham muito menos ao desempenhar a mesma função ocupada por um homem.

O Nova News conversou com a delegada responsável pela Delegacia da Mulher (DAM) de Nova Andradina, Daniella de Oliveira, que há mais de dois anos atua na região em contato direto com mulheres que de alguma forma são vitimadas dentro de sua convivência social. Segundo ela, as mulheres têm conseguido ocupar e se destacar em vários espaços da sociedade, embora ainda seja preciso haver muita luta e conscientização para que a mulher possa de fato ser acolhida sem nenhum tipo de preconceito, no seio da sociedade. Daniella destaca que uma das principais conquistas da mulher é o avanço das leis, que hoje, embora seja pouco, consegue amparar e defender uma mulher, mesmo que ela não queira ajuda. A história muda se a mulher quiser ser ajudada, nesse caso, a delegada explica que a Justiça usa todos os artifícios para que essa mulher possa ser ajudada. "Não quero dizer que tudo funciona as mil maravilhas e que nada dá erado. Pelo contrário, há falhas, mas a polícia busca prestar o apoio necessário dentro das limitações que lhes são apresentadas", concluiu. 

Daniella explica que a violência é só uma, das muitas lutas da mulher. Segundo ela, existe a questão assistencial, psicológica, educacional, embora a violência seja a questão mais séria a ser trabalhada. Ela falou que os avanços a partir de leis de proteção à mulher, discussões sobre gêneros, relações homoafetivas, foram marcantes para um processo de maior atenção às mulheres. Ela destacou o Estado de Mato Grosso do Sul por ser o primeiro a receber a implantação da Casa da Mulher. “Eu acho até meio visionário, por que o índice de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul é realmente muito alto, isso pode se dar através das políticas de incentivo as denúncias. O caso de violência só pode ser registrado se houver uma denúncia, e são as atitudes de pessoas ligadas aos movimentos sociais que dão um encorajamento para que a violência contra a mulher seja levada até as autoridades competentes”, explicou.

Delegada Daniella de Oliveira Nunes, responsável pela Delegacia da Mulher (DAM) (Foto: Germino ROZ/Nova News )

Apesar de ser muito estimulada, a denúncia ainda é uma atividade pouco praticada pela sociedade. A delegada conta que a maioria das pessoas não denunciam uma violência doméstica por que pressupõe que depois de um determinado tempo, a mulher acabará voltando para junto de seu agressor. “É muito complicado quando não conseguimos enxergar lá na frente. A mulher que é violentada e acaba retornando ao seu lar não pode ser tratada como uma pessoa que gosta de ser alvo de violência. Essa mulher precisa de atenção, por que atém de violência física ela pode estar sofrendo todo o tipo de violência psicológica, que a torna prisioneira de uma situação dá qual, sozinha ela não consegue se libertar”, pontuou.

A mulher que é violentada e acaba retornando ao seu lar não pode ser tratada como uma pessoa que gosta de ser alvo de violência
Daniella de Oliveira 

A responsável pela Delegacia da Mulher chamou atenção para um ponto. Segundo ela as ações de incentivo a liberdade e protagonismo das mulheres são bastante densas, e o público atingido é sempre o feminino, que é a parte mais interessada no assunto. Ela explica que as mulheres se preparam para as mudanças que a sociedade está passando, porém as ações voltadas aos homens são poucas executadas. Seja por falta de interesse ou por falta de participação, o público masculino não acompanha essas mudanças, e ao chegar em casa, com a cabeça cheia de novos horizontes e possibilidades, a mulher é frustrada por um homem pensamento arcaico, onde a mulher deve ser submissa e se restringir as tarefas do lar. “Penso que através de leis, nos mulheres avançamos muito, e ainda vamos avançar muito mais, por que é necessário. Mas a sociedade não está acompanhando esse avanço, as pessoas não interessadas na causa não estão se inteirando das mudanças que as mulheres vêm conquistando ao longo do tempo. São muitas vezes conquistas que permanecem ocultas à sociedade, por que infelizmente a mulher ainda não é vista da forma que deve ser”, alfinetou. 

Todas as estatísticas se tornam um instrumento pelo qual se pode entender a condição da mulher na sociedade brasileira. Se é verdade que os números ainda não colocam as mulheres em condição de equilíbrio em relação aos homens, é também verdade que os números são bens mais esperançosos do que já foram há séculos passados. É preciso que agora, as mulheres continuem a nutrir a igualdade entre os gêneros, continuem a lutar para que também os homens passem a enxergar os ideias das mulheres como uma causa maior, responsável por garantir à elas seu lugar próprio no mundo, sem ter que se desfazer de uma coisa que é exclusivamente sua, a feminilidade. 

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