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Brasil precisa aproveitar disputas no comércio internacional, aponta debate

O Brasil deveria aproveitar o atual cenário de disputas no comércio internacional para aumentar seus acordos comerciais com países e blocos, sugeriram na segunda-feira (7) os participantes do quinto painel do ciclo de debates "O Brasil e a ordem internacional: estender pontes ou erguer barreiras?", da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Doutores em Economia, ambos os debatedores convidados falaram sobre as oportunidades e desafios para o Brasil diante das disputas comerciais internacionais, principalmente as protagonizadas pelos Estados Unidos com a China e em relação a produtos como aço e alumínio.

Para eles, o Brasil precisa seguir a tendência mundial e fechar mais acordos de importação e exportação, principalmente com nações ou blocos de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá, União Europeia, Coreia do Sul e Japão.

O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Lucas Pedreira do Couto Ferraz informou que atualmente mais da metade de todo o comércio global é feito por meio dos mais de 270 acordos comerciais regionais em todo o planeta.

Para ele, o Brasil precisa deixar de lado o preconceito de que exportar é melhor que importar. O professor disse que todo país que é grande exportador é também grande importador.

Ele defendeu a diminuição das tarifas de importação brasileiras, principalmente de bens intermediários (componentes elétricos, borracha e plástico, por exemplo) e de bens de capital (máquinas, equipamentos e materiais de construção), como forma de o país ter uma maior inserção no comércio internacional. Isso também ajudaria no incremento do PIB, afirmou.

Temos as maiores tarifas de bens de capital e de bens intermediários do mundo. Como a gente vai se integrar desse jeito? — disse.

O diretor do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), José Tavares de Araújo Júnior, disse que os atuais movimentos protecionistas do governo Donald Trump nos Estados Unidos seguem a tradição daquele país de medidas protetivas seletivas e temporárias, principalmente em governos de representantes do Partido Republicano.

Para ele, se o Brasil diminuir suas tarifas de importação de maneira gradual, os custos de produção da economia nacional ficariam mais baratos.

Ele sugeriu que o Brasil promova uma reforma portuária inspirada em grandes portos do planeta, como Roterdã, na Holanda, e Xangai, na China.

Essa reforma, ressaltou, tem que priorizar a governança corporativa da autoridade portuária para eliminar as influências políticas nos portos e dar mais transparência ao setor. Com isso, o Brasil caminharia mais rápido para a integração internacional.

A audiência pública interativa foi conduzida pelos senadores Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

A CRE é presidida pelo senador Fernando Collor (PTC-AL) e tem como vice-presidente o senador Jorge Viana (PT-AC).

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