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Brasileiros celebram a estabilidade. Confira a história de quem viveu a hiperinflação

Brasileiros que começaram a vida adulta nos anos 1980 e 1990 comemoram hoje o fim da hiperinflação. Eles comparam o Brasil daquela época e o atual e, para essas pessoas, as novas gerações começam a vida um passo na frente de quem viveu o período dos preços descontrolados e da instabilidade econômica. Uma época em que não era possível financiar bens, ter mais acesso a produtos e serviços de qualidade e, sobretudo, planejar um futuro mais confortável.

“Estamos em um momento em que a inflação está muito contida”, avalia a aposentada Berenice Elizabeth Starling Loureiro, 68. Os dados do Instituto Brasileiro e Geografia e Estatística (IBGE) confirmam a percepção de Elizabeth. Em março, os preços subiram apenas 0,09%. Já em março de 1994, quando ela tinha 44 anos e entrava no auge da vida profissional, a inflação do mês havia sido de 182,96%.

Naquela época, um saco de feijão que custasse R$ 5, por exemplo, chegaria no fim de março a R$ 10,64. Um saco de arroz que fosse R$ 10, passaria para R$ 12,99; um quilo de alcatra que estivesse a R$ 13, saltaria para R$ 18,65. No fim de 1994, os preços tinham subido quase dez vezes.

“A gente tinha de comprar o máximo possível para economizar porque, da próxima vez que você chegasse no mercado, o preço estaria mais elevado”, lembra Elizabeth. “Precisava ter um freezer, o que hoje eu não tenho, que era para estocar carne”, explica.

Inflação no piso histórico

As pessoas que viveram a hiperinflação celebram os indicadores atuais, principalmente quando eles batem nas mínimas históricas. “O dragão hoje está bem mais manso”, pondera o aposentado Adaildo Viana Lima, 66. “Agora não precisa fazer aquela compra volumosa, dá para se programar”, afirma.

Na prática, com os preços controlados, principalmente como nos últimos dois anos, com as taxas mais baixas da história, dá para adiar compras ou pensar em poupar. “A vida é mais simples agora. Você consegue se programar, consegue segurar, fazer uma economia. É bem mais simples do que no tempo da inflação”, diz.

Adaildo fica feliz de saber que as gerações atuais não sabem o que é hiperinflação ou ter de pegar fila para comprar carne ou para abastecer o carro antes dos preços mudarem. “Era um horror mesmo. Eu sou muito frequentador de supermercado, naquela época a gente ia num dia e, quando era no dia seguinte, o preço já estava lá em cima”, lembra.

Ele conta, ainda, que muitas vezes chegava ao mercado e tinha a figura dos remarcadores. Eles vinham com uma maquininha mudando os preços no meio do dia; às vezes mudavam mais de uma vez no mesmo dia. Para a aposentada Doralice de Brito, 68, o dinheiro não valia nada. Os reajustes salariais eram constantes, mas sempre defasados. “O dinheiro não valia nada. Se você recebia um reajuste salarial, no dia seguinte estava tudo mais caro. Hoje não”, relata.

Importância do Plano Real

O Plano Real, em 1994, foi o primeiro passo para a estabilização da economia. Ele permitiu que o País tivesse ferramentas para controlar a inflação. Nos últimos dois anos, com o governo do presidente Michel Temer e a criação do teto dos gastos, o Brasil deu mais um passo para manter a inflação sob controle e os juros baixos no longo prazo.

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