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CNBB conclama brasileiros ao combate às causas da violência

O Plenário do Senado realizou na segunda-feira (7) uma sessão em homenagem à Campanha da Fraternidade 2018, uma iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Neste ano o tema da campanha é "Superação da violência — em Cristo somos todos irmãos", uma chamada da entidade às forças sociais e políticas para que reflitam e combatam a causas que entende serem estruturais para a explosão de violência vivenciada pelo país nos últimos anos.

Violência

Para o coordenador da Campanha da Fraternidade, padre Luís Fernando da Silva, o objetivo da Igreja Católica ao tratar do tema é também alertar a sociedade para "as múltiplas formas de violência à dignidade humana que vêm se naturalizando de maneira escandalosa no país".

A CNBB considera que privar contingentes inteiros da população de exercer os direitos sociais "mais elementares" é o que mais estimula a violência, e que o momento atual é de profunda crise de coesão social, abrindo espaço ainda para o aumento da violência em âmbito institucional.

A secretária-geral do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC), pastora Romi Bencke, também entende que o Brasil é um país dominado pela cultura da violência, pois foi formado e é gerenciado há séculos negando direitos à maior parte de sua própria população.

Para a religiosa, essa tradição de "negar o outro", manifestada historicamente no extermínio dos índios, na escravização das populações negras e posteriormente na super-exploração dos mais pobres, é o que está na raiz dos altos índices de violência do país.

Essa cultura de negação de direitos ao outro produz uma das sociedades ao mesmo tempo mais desigual e mais violenta do mundo.

Nos tornamos no fundo uma sociedade incapaz da convivência democrática, porque aqui a desigualdade profunda de poder e renda parece ter sido naturalizada e a transformação desta estrutura econômica e social simplesmente não é aceita — disse a secretária do CONIC, para quem a mentalidade de exclusão está presente em políticas hoje em curso, como no teto de gastos em investimentos sociais e na reforma trabalhista, que a seu ver gerarão apenas mais desagregação social e violência.

Durante a sessão, também foi exibido vídeo de projetos sociais no âmbito de atuação da Igreja Católica, voltados para a inclusão de jovens de comunidades desfavorecidas em diversos Estados do pais.

O vídeo enfatiza que todos os projetos, que têm foco na formação educacional, profissional, cidadã e espiritual, têm produzido resultados concretos na empregabilidade dos jovens e na redução dos índices de violência nas comunidades onde moram ou trabalham.

Senadores apoiam a CNBB

A sessão foi presidida pela senadora Fátima Bezerra (PT-RN), para quem a Igreja Católica mais uma vez traz para a reflexão social do país um problema que é "absolutamente prioritário".

Ela afirmou apoiar a proposta que estrutura o Sistema Único de Segurança Pública (PLC 19/2018), mas crê que essa política pública só produzirá resultados concretos caso consiga driblar restrições impostas pelo limite de gastos.

A iniciativa da CNBB também foi elogiada pelo senador José Agripino (DEM-RN), que lembrou que os assassinatos no país já superam 60 mil casos por ano, que se somam a outros cerca de 70.000 desaparecidos, "muitos destes também vítimas da violência generalizada".

Ele acrescentou que em Natal, a capital de seu Estado, regiões inteiras estão deixando de ser frequentadas à noite por medo de assaltos e outras formas de violência, fenômeno que, dependendo da localidade, também já vem se manifestando durante o dia.

Garibaldi Alves (PMDB-RN) também entende que a CNBB, com esta campanha, alerta o país "para o triste momento em que vive", de fortalecimento da cultura da violência.

O Brasil passa por tempos absolutamente angustiantes, com a violência nas ruas, nas relações domésticas, ofendendo pobres, indefesos, vulneráveis.

E também agredindo, com visíveis propósitos autoritários, as mais preciosas instituições e os mais caros valores nacionais.

Hélio José (Pros-DF) pediu que a CNBB se engaje mais no processo eleitoral deste ano e afirmou ter se baseado em posicionamentos da Igreja em sua atuação parlamentar contrária às reformas da Previdência e trabalhista.

Também esteve presente à sessão o senador Paulo Paim (PT-RS), que acredita que a CNBB "pôs o dedo na ferida" ao denunciar que a raiz dos altos índices de violência no país também está na estrutura social historicamente injusta.

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