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Dia da Mulher: “Encontrei minha plena realização como mulher vivendo para servir a Deus”

Irmã Vanderlúcia explica que ser mulher consagrada é remar contra a maré e, ao mesmo tempo, ser sinal do amor de Deus no mundo

Quando se fala no Dia Internacional da Mulher, comemorado neste 08 de março, geralmente se pensa em mulheres que são esposas, mães de um ou mais filhos, em guerreiras que lutaram para conquistar espaço na sociedade e que hoje são empresárias de sucesso e conseguiram garantir sua independência financeira.

Certamente todos estes aspectos são muito importantes à medida que quebram o paradigma de que mulher seria o sexo frágil, sendo que, cada vez mais, elas se mostram ousadas e inovadoras em suas realizações, no entanto, desta vez, o Nova News decidiu mostrar como é a vida de alguém que abriu mão de tudo isso para viver a consagração religiosa, os votos de castidade, pobreza e obediência, mas acima de tudo, sem deixar de ser mulher.

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Irmã que atua na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Nova Andradina, falou sobre sua vocação à vida religiosa - Imagem: Acácio Gomes / Nova News

Um exemplo disso é a irmã Vanderlúcia Fernandes Oliveira, que atua há quatro anos na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Nova Andradina. Natural de Quixeramobim, no Ceará, ela é filha adotiva do casal Afonso da Rocha e Maria do Carmo, com quem foi deixada pela mãe biológica quando tinha apenas 15 dias de vida. “Minha mãe biológica decidiu ir para São Paulo atrás de uma vida melhor e achou que não seria bom passar vários dias na estrada com uma criança recém-nascida, então fui entregue para a família que me adotou”, revela.

Hoje, aos 37 anos, a religiosa conta que sentiu o chamado à sua vocação na adolescência, por volta dos seus 16 anos. “Eu sempre frequentava o grupo de jovens da paróquia de Quixeramobim e comecei e me perguntar qual seria o plano de Deus para mim. Queria saber qual seria minha vocação e, com o passar do tempo, mediante orientação vocacional, fui descobrindo o que Jesus queria de mim”, conta ela.

Em 1999 ela conheceu a Congregação das Irmãs Pobres Servas da Divina Providência e decidiu participar do chamado aspirantado, que representa o primeiro passo rumo à vida religiosa. Sentindo cada vez mais forte o chamado de Deus, nos anos de 2000 e 2001 ela se mudou para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde ingressou na etapa seguinte, o postulantado.

Em 2002 ela esteve em missão apostólica por um ano no Paraguai e, logo depois, voltou para o Rio Grande do Sul, desta vez em Farroupilha, onde, durante os anos de 2003 e 2004, participou da última etapa de sua formação, o noviciado. No dia 01 de janeiro de 2005, também em Farroupilha, ocorreu a profissão religiosa, ou seja, a consagração da irmã Vanderlúcia Fernandes Oliveira.

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Filha adotiva de família humilde, Vanderlúcua explica que sentiu o chamado à vida consagrada ainda na adolescência - Imagem: Acácio Gomes / Nova News

Já consagrada, ela teve como primeira missão atuar em um abrigo de crianças em Ciudad Del Este, no Paraguai. Após isso, a irmã já esteve em missão pela Argentina, Uruguai e retornou ao Brasil, primeiro para Rio Grande do Sul e, há cerca de quatro anos, em Nova Andradina, onde atualmente auxilia os trabalhos da Pastoral da Juventude, catequese, coroinhas e serviço de animação vocacional. “Devo total obediência à consagração. Hoje estou em missão nesta cidade, mas basta uma determinação dos superiores para que eu vá para outro município, estado ou país”, afirma a religiosa.

Ao falar sobre o Dia Internacional da Mulher, irmã Vanderlúcia Oliveira afirma que é muito feliz como mulher consagrada. “Ser mulher consagrada nos dias de hoje, para mim, é sinal do amor de Deus e também é um testemunho de renúncia. Uma renúncia que não fiz por mim mesmo, mas por amor ao Senhor e aos meus irmãos. Mulher consagrada é sinal da luz de Deus no meio do povo”, afirma.

Sobre os votos de castidade, pobreza e obediência, a religiosa afirma que são compromissos assumidos por amor a Deus. “O mundo prega muitas ideologias, vários setores da sociedade defendem o prazer, a aquisição de bens materiais, a liberdade de fazer o que quiser, então, nós, mulheres consagradas estamos, na verdade, remando contra a maré ao consagrar nosso corpo e nosso ser totalmente ao Senhor”, explica ela.

Mulheres, sigam o exemplo de Nossa Senhora, sejam mulheres de oração, sejam mulheres fortes e serenas, sejam mulheres que cultivam o amor, a fé e a esperança

Irmã Vanderlúcia Fernandes Oliveira

Irmã Vanderlúcia afirma que ter vida consagrada não significa deixar de ser mulher. “Viver a castidade não é deixar de ser mulher e muito menos deixar de ser mãe. Na verdade somos mães espirituais de muitos filhos e através do nosso jeito de mulher, da escuta, do acolhimento aos necessitados, fazemos com que as presenças de Deus, que é pai, e da Virgem Maria, que é mãe, sejam constantes na vida de todos”, testemunha.

Sobre a pobreza e a obediência, a irmã explica que são votos que a faz olhar para o que realmente interessa: o amor de Jesus. “Bens materiais em demasia e o conceito de que ser livre é fazer da vida o que quiser são fatores que podem atrapalhar o ser humano a olhar para Deus e seguir o seu caminho”, defende.

A religiosa faz questão de salientar que a vocação religiosa a faz ser uma mulher muito feliz. “Deus nos chama e nós damos a resposta. Optei pela vocação religiosa porque é o que me faz feliz e não por alguma decepção ou desilusão como muitos pensam. Quem se sentir chamado por Deus à vida religiosa não deve ter medo de dar sua resposta ao Senhor”, explica a irmã.

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Religiosa afirma que a Congregação das Irmãs Pobres Servas da Divina Providência teve papel fundamental em seu discernimento vocacional - Imagem: Acácio Gomes / Nova News

Em meio a uma rotina de missão e de momentos de oração, a irmã sempre encontra um tempinho para se comunicar com seu pai e sua mãe que, atualmente, têm, respectivamente, 86 e 79 anos, e continuam morando no Ceará. “Tenho saudade da família, mas sei que, se estou a serviço de Deus, Deus cuidará bem dos meus familiares e parentes. Sempre me comunico com eles, mas a sintonia maior é através da oração”, diz ela emocionada.

Aproveitando a oportunidade, irmã Vanderlúcia Oliveira conclama todas as mulheres a viveram suas vocações de forma digna. “Ser mulher é dom de Deus. Mulheres, sejam fiéis às suas vocações. Quem é esposa e mãe de família, seja fiel. Quem é solteira, seja fiel. Quem sente o chamado à consagração, seja fiel. Sejam mulheres livres, mas tendo em mente que a verdadeira liberdade é ser fiel a si mesma e acima de tudo ser fiel a Deus. É preciso entender que vocação não é abrir mão da liberdade, pois a verdadeira liberdade consiste em não se deixar prender pelo vício do pecado”, defende a religiosa.

Ao final da entrevista, Vanderlúcia Fernandes Oliveira aproveitou a oportunidade para parabenizar todas as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher. “Entendo que todas as mulheres têm sonhos, planos, projetos e isso é muito positivo, mas chamo a atenção de todas para o fato de que o mais importante é estar na graça de Deus. Mulheres, sigam o exemplo de Nossa Senhora, sejam mulheres de oração, sejam mulheres fortes e serenas, sejam mulheres que cultivam o amor, a fé e a esperança. Feliz Dia Internacional da Mulher a todas nós!”, finalizou.

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