Publicado em 07/03/2014 às 22:21, Atualizado em 26/04/2017 às 08:39

Diante do câncer, mulheres dizem sim aos sonhos e à vida

Especial do Dia da Mulher relata duas histórias emocionantes de amor e força

Acácio Gomes e Germino Roz, Redação Nova News

Neste mês de março, em que se comemora, no dia 08, o Dia Internacional da Mulher, muito se fala da importância da conquista do espaço feminino no mercado de trabalho, na política e em outras áreas, porém, para citar esta data especial, nada melhor do que exemplos de mulheres que foram e que vão muito além disso. Mulher que abre mão de sua própria vida para salvar a vida do filho que trazia no ventre e mulher que luta com unhas e dentes para vencer as mais difíceis provações. 

01 - "Abro mão da minha vida para que meu filho viva"

A cidade de Batayporã é palco da história de vida da Edivaine Cristina Fernandes Trachta, que chama a atenção pelo exemplo de doação e amor. Ela havia lutado contra um câncer em 2006, o que a obrigou fazer a mastectomia radical de uma das mamas. Um ano e meio depois, ela recebeu a informação do médico que acompanhava o tratamento, de que ela estaria curada. Levando uma vida normal, Edivaine Cristina seguiu suas rotinas até que, no final do ano de 2008, conheceu o seu futuro esposo, Milan Trachta. 

Edivaine comemorou as vitórias de se casar e ter um filho antes de partir (Foto: Arquivo/Família)

Edivaine não escondia de ninguém os dois maiores sonhos de sua vida: se casar e ter um filho. Porém, no final de 2009, através de novos exames, ela, ao lado do então noivo, descobre que o câncer havia voltado nos pulmões. 

 

Começou então um novo tratamento, mas com ele, veio a notícia de que, devido à agressividade dos medicamentos que seriam usados, ela se tornaria incapaz de gerar uma criança, o que impossibilitava o sonho da jovem em ser mãe.

Desta vez, a doença veio mais agressiva e o tratamento cada vez mais intenso até que, no meio de toda a luta, surge uma notícia que surpreenderia até mesmo a junta médica da cidade de Limeira (SP), que tratava o câncer de Edivaine. 

 

Por meio de um teste de farmácia ela descobriu que estava grávida. “Ela chegou pra mim e disse que estava grávida. Aquela notícia foi maravilhosa. Ela estava radiante e transbordava alegria”, disse Milan. Eles se deslocaram até o hospital para contar a novidade ao médico, porém, ao receber a notícia, a junta médica disse que seria um engano e que era praticamente impossível ela gerar uma criança. 

 

Edivaine foi então submetida a um exame de sangue, para obter mais precisão nos resultados. O procedimento confirmou que ela estava grávida. Mesmo com o resultado do exame, os médicos pediram que fosse realizada uma ultrassonografia, o que deu o veredito: Edivaine e Milan realizavam um feito que a medicina não seria capaz de explicar, seriam pais.

Após deixar o hospital, Milan recebeu uma ligação do médico, pedindo para que ele retornasse ao hospital sozinho. Ao chegar na sala de atendimento, ele ouviu uma notícia um tanto desagradável. “Ele foi bem categórico, disse que não seria possível salvar as duas vidas e que ela teria que tirar a criança. Confesso que mil coisas me passaram pela cabeça, a única coisa que eu não queria era perdê-la”, desabafou ele.

Edivaine foi até as últimas consequências, mas realizou seus sonhos de casar e ter um filho (Foto: Arquivo/Família)

Ao deixar o hospital, ele foi para casa e, antes de terminar de contar o relato do médico, Edivaine disse que teria a criança. “Eu nem terminei de falar e ela já me deu a resposta. Disse que teria sim o bebê e que os médicos teriam que fazer o impossível para que isso acontecesse. Ela foi tão determinada que a coragem dela tomou conta de mim e fomos à luta”, relatou. Os médicos acataram o pedido de Edivaine, suspenderam por hora a intensidade do tratamento.

O sonho de Edivaine, de ser mãe, estava se concretizando e o outro foi realizado no dia 23 de janeiro de 2010, data em que se casou com Milan Trachta. Exatamente um mês depois, com seis meses de gestação, pesando 1 quilo e 115 gramas, nasceu o bebê,Milan Gabriel Gonçalves Trachta Filho,que precisou ser encaminhado para uma incubadora onde permaneceu por um mês e dez dias.

“Eu ficava mal e muito triste quando estava sozinho, mas quando chegava perto da Edivaine, era como se a força dela me renovasse, sempre com um sorriso no rosto, acabava confortando a todos nós”, desabafou Milan ao relatar que dois momentos ficarão marcados para sempre. Um deles foi o momento que ela decidiu que teria o filho, e o outro foi na sala da residência deles, quando ela já estava bastante debilitada, devido ao avanço da doença.

O esposo conta que era madrugada e que uma prima e o cunhado dormiam na casa. Ele foi cobrir a esposa e notou que um dos braços dela estava muito frio. Edivaine começou a passar mal e o cunhado e a prima acordaram e todos foram para a sala. Milan e o cunhado tentaram de tudo, desde massagem cardíaca até respiração boca a boca, mas Edivaine não reagia. 

Quando todos deram por encerradas as tentativas de reanimá-la. Milan retornou até ela e, em uma medida desesperada para reanimar a esposa, realizou mais uma vez uma massagem cardíaca, momento em que Edivaine disse as últimas palavras ao marido. “Eu estava muito agitado e nervoso. Não me lembro precisamente o que ela disse, mas a mensagem que ela passou é que ela estava indo. “Eu já vou”, disse ela em seu último suspiro”, contou ele.

Para Milan, o filho deixado por sua esposa representa muito em sua vida. “A cada ano que passa, eu olho pra ele e tenho orgulho dela. Sei que ele é fruto da coragem que ela teve. Hoje, esta criança é a energia que me fez seguir em frente nestes quatro anos”, afirma. Ao ser questionado se faria tudo novamente, sem hesitar ele responde que sim, e que conhecer aquela mulher de garra, como ele a define, mudou completamente a sua vida.

“Era como se Edivaine soubesse que o filho era o que me daria forças. Ela acompanhou o primeiro ano de vida do bebê, sempre muito atenciosa e prestativa. Fazia o que estava ao seu alcance. O exemplo de luta e superação de Edivaine retrata o instinto de mulher, a coragem, força, determinação e, ao mesmo tempo, impulsiona outras pessoas a ter a força de lutar em suas batalhas. Ela abriu mão de seu tratamento e, consequentemente renunciou à sua vida, para salvar o nosso filho. “Ela literalmente nos deu uma linda lição de vida, de como devemos viver”, finaliza.

02 - "Deus já fez a obra: Estou curada"

Outro exemplo de mulher com otimismo e força de vontade e que decidiu seguir em frente mesmo diante dos maiores obstáculos, é o de Claudete Rambaldi, de 55 anos, residente em Nova Andradina. Ao lado do esposo, Luiz Antônio, o “Lua”, das filhas, Luana, de 21 anos, Cibele, de 35, do filho Caio, de 27, e de sua mãe, Rosa, de 79 anos, ela luta contra um câncer de mama, que foi descoberto há cerca de dois anos. Através de exames, ela descobriu o a doença no seio direito, mas a princípio, os médicos diagnosticaram o tumor como benigno e disseram que após algum tempo tomando a medicação indicada ela estaria curada, o que não aconteceu.

Claudete Rambaldi não deixa nada tirar o sorriso de seu rosto. "Já estou curada", diz ela (Foto: Arquivo/Família)

Através de novos procedimentos, a junta médica descobriu que, na verdade, o tumor hospedado na mama de Claudete era maligno até que, em junho de 2013 ela foi encaminhada para Barretos (SP). Segundo a filha Luana, a doença estava tão avançada devido à falta de tratamento adequado, que, assim que chegou ao Hospital de Câncer, a mãe foi submetida a várias sessões de quimioterapia, uma vez que, a cirurgia naquele momento era inviável. A jovem relata que apenas na próxima quarta-feira (12), a Claudete passará pela retirada da mama. “A história da minha mãe é cheia de milagres. Um deles é o fato de, mesmo sem o devido tratamento, o câncer se alastrou para fora da mama, não atingindo outros órgãos”, relata a jovem.

Outro ponto considerado como milagre pela família é o fato de a mãe, durante uma das viagens a Barretos ter ficado sem oxigênio e mesmo assim sobrevivido. “Eles a colocaram, entre a vida e a morte, em uma ambulância para que ela fosse transferida. Ela seguiu no balão de oxigênio, que estava munido com um cilindro pequeno, que estava cheio, e outro maior que, por algum erro, estava vazio. No meio da viagem acabou o oxigênio. Meu pai pediu para ela ser forte, até que, em um hospital existente no trajeto, foi feita a troca do recipiente por outro cheio, que foi suficiente para chegar ao Hospital de Câncer”, conta Luana emocionada.

Esposo "Lua" está sempre ao lado de Claudete (Foto: Arquivo/Família)

Agora, nas palavras da filha, o maior milagre, e que ela considera como fruto da fé em Deus e da união da família, é mesmo o otimismo a garra de Claudete Rambaldi. 

 

“Desde o início da doença até hoje, nunca vi minha mãe triste ou deprimida. Ela nunca se queixou de dor ou de mal estar. Ela não deixa a doença que se manifestou nela afetar o resto da família."

 

"Ela gosta de sair de casa, de passear, de conversar e principalmente de jogar um bom bingo”, conta a jovem emocionada ao dizer que a mãe não gosta de falar sobre a doença, mas sim sobre as boas coisas da vida.

“Quando alguém pergunta sobre sua saúde, ela olha bem nos olhos da pessoa e diz que já está curada. Que Deus já fez a obra e que os médicos, vão apenas concluir o trabalho. Minha mãe é exemplo de garra, de otimismo e de uma mulher que sabe que é forte. Tão forte que a força dela passa para nós e nos contagia. Junto dela não há tristeza, só alegria. Sei que as mulheres, de uma forma geral, têm bastante conquistas, mas neste Dia Internacional da Mulher não posso pensar em outra mulher, se a mais guerreira de todas é minha própria mãe”, afirma Luana.

Segundo a família, Claudete deve passar pela cirurgia na quarta-feira (12) e, pela expectativa, ela pode voltar para casa em poucos dias. “Tudo vai depender da avaliação dos médicos, mas temos fé que os procedimentos darão certo. Se os médicos disserem que ela, por algum motivo, não poderá retornar na próxima semana, eu vou até lá para visitá-la. Pois a saudade é demais”, finaliza a jovem, emocionada com o exemplo de superação por parte de sua mãe.

União da família, presença de amigos e fé em Deus são os pilares de Claudete, diz filha

Imagens: Arquivo/Família