Buscar

Em janeiro, gasto do governo central cresce e superávit é o menor desde 2009

Apesar do anúncio de cortes no Orçamento, despesas do governo central cresceram 19,5% e superávit primário caiu 50,7% em relação ao mesmo mês de 2013

Depois do anúncio da nova meta fiscal de 2014 e de cortes no Orçamento do ano, o governo central (que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) anunciou nesta sexta-feira, 28, um superávit primário de R$ 12,954 bilhões, o equivalente a 3,12% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse foi o menor superávit primário do governo central para os meses de janeiro desde 2009, ano em que o dado ficou em R$ 3,977 bilhões.

Após o anúncio, na semana passada, do bloqueio de R$ 44 bilhões nas despesas do Orçamento da União - medida que foi bem recebida pelo mercado financeiro -, o superávit de janeiro apresentou uma queda de 50,7% em relação o obtido no mesmo mês do ano passado e retração de 10,4% em comparação a dezembro de 2013.

Ao mesmo tempo, os gastos aumentaram mais que as receitas. As despesas do governo central cresceram em R$ 14,5 bilhões - alta de 19,5% -, e as receitas avançaram 6,6% em relação ao mesmo período do ano passado. As receitas totalizaram R$ 125,062 bilhões e as despesas somaram R$ 90,112 bilhões em janeiro.Mas, segundo o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, o resultado do governo central em janeiro foi influenciado por eventos específicos que podem dar margem a interpretação equivocada. Segundo ele, o resultado de janeiro está "absolutamente" em linha com o decreto do Orçamento.

Segundo Augustin, afetou o resultado primário de janeiro a redução no pagamento de IRPJ e CSLL pelas empresas. "Tem a ver com o comportamento de datas dos contribuintes. Nos meses subsequentes terá uma contrapartida a maior. O fato de janeiro ter sido menor que janeiro de 2013 não significa nenhuma tendência negativa. Está em linha com decreto de programação orçamentária que fizemos", disse. Em janeiro deste ano, o pagamento de IRPJ e CSLL por estimativa mensal e por ajuste anual foi menor. Isso significa que as empresas anteciparam um valor menor do que no ano passado para o pagamento do ajuste anual. O prazo termina em março, mas quando há folga de caixa, as empresas preferem pagar em janeiro para evitar a correção pela Selic."Fevereiro de 2014 será bem melhor do que fevereiro de 2013 e, por isso, o acumulado em 12 meses melhora", afirmou Augustin.As contas do Tesouro Nacional apresentaram um superávit primário de R$ 17,462 bilhões. Já as contas do INSS registraram déficit de R$ 4,595 bilhões e as do BC ficaram positivas em R$ 87,4 milhões. Augustin já havia antecipado em janeiro que o resultado do trimestre (de novembro de 2013 a janeiro deste ano) seria recorde, tentando ajudar a reforçar a confiança dos investidores nas metas fiscais.O governo conta com a melhora dos resultados fiscais nos primeiros meses do ano para reverter o risco de rebaixamento da nota do Brasil pelas agências de classificação de risco.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.