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Família de Nova Andradina vive exemplo de fé e devoção a Nossa Senhora Aparecida

Em 1977, Pedro Liberato da Rocha, vítima de AVC, foi a pé até Ivinhema pagar uma promessa à Virgem Maria

Nesta semana em que celebramos os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora nas águas do Rio Paraíba do Sul, na região de Aparecida (SP), o Nova News traz uma história emocionante de fé e devoção, vivenciada por uma família de Nova Andradina. O ano era 1977, quando o dentista Pedro Liberato da Rocha, aos 51 anos, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e se viu impossibilitado de andar, trabalhar e até mesmo de executar tarefas simples do dia a dia, como assinar o próprio nome, por exemplo.

Ao lado da esposa Maria José da Rocha e dos filhos José, Sebastião, Célia, José Hélio, Elmo, Cláudio, Claudenor e Antonina, o personagem da nossa história, Pedro Liberato, hoje já falecido, viu, naquele momento, através da fé em Nossa Senhora Aparecida uma maneira de suportar seus problemas de saúde. Na manhã desta segunda-feira (09), a viúva Maria José, atualmente com 91 anos, e a filha Antonina da Rocha Liberato, de 68 anos, receberam a equipe do site para contar este episódio.

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Até hoje, família se emociona ao falar da confiança e da fé em Nossa Senhora vivida por Pedro Liberato - Imagem: Acácio Gomes/Nova News

Acometido pelo AVC entre abril e maio de 1977, ele fez promessa à mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo de que, se ele voltasse a andar e trabalhar, caminharia a pé até Ivinhema para assistir a missa de inauguração da igreja daquela cidade, celebração esta que contaria com a presença da imagem de Nossa Senhora, vinda de Aparecida (SP). Em agosto do mesmo ano, ele decidiu pagar a promessa, mesmo sem ter a saúde totalmente restabelecida.

“Naquele momento ele estava um pouco melhor, mas ainda apresentava graves sequelas. Andava com dificuldade, se escorando nos móveis para não cair. Quando ele disse que iria a pé até a igreja de Ivinhema, toda a família ficou preocupada. Ele não teria condições de suportar a jornada”, disse a esposa. “Falamos até com os médicos, para que o fizessem desistir, mas ele repetia que apenas Deus teria o poder de fazê-lo mudar de ideia”, completou Antonina.

No dia 06 de agosto de 1977, às 04h, ele saiu em direção a Ivinhema, não permitindo que ninguém da família o acompanhasse. “A promessa é minha e eu vou pagá-la. Se puderem me mandar água e comida, eu agradeço”, disse ele. A esposa lembrou que ele saiu caminhando com muita dificuldade. “Achei que ele não conseguiria chegar na esquina, mas ele continuou a caminhar. Tenho certeza de que Nossa Senhora estava ao lado dele, pois sozinho ele não teria condições físicas para fazer a jornada”, disse ela.

De carro, a certa distância, familiares monitoravam Pedro Liberato em sua caminhada. Em determinados momentos, eles o abordavam para dar alimento e água. “Ele comia de pé, dizendo que se sentasse, não conseguiria levantar. A fé dele era maior do que a distância. Em momento algum ele reclamou nem se arrependeu. Apesar do cansaço e da fraqueza causada pela doença, ele se mantinha firme em seu propósito”, disse a família.

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Esposa e filha afirmam que exemplo de fé do nosso personagem deveria ser seguido por todas as famílias - Imagem: Acácio Gomes / Reprodução / Arquivo da Família

À 01h00 do dia seguinte, ou seja, 07 de agosto de 1977, ele chegava em Ivinhema, após percorrer mais de 60 quilômetros, exclusivamente a pé. “Eu fui de carro, ai nos encontramos no hotel, onde tomamos banho, trocamos de roupa e ele pode descansar um pouco até o momento da missa, que foi celebrada às 08h. Terminada a celebração, voltamos de carro para Nova Andradina”, disse a esposa.

Após a difícil jornada, Pedro Liberato sentiu os efeitos da caminhada. Com os pés cheios de bolhas e fortes dores pelo corpo ele se viu muito debilitado fisicamente, no entanto, confortado pela fé e satisfeito em ter cumprido sua promessa. Conforme o cansaço foi passando, as sequelas do AVC também foram desaparecendo, até que ele voltou a andar e até a trabalhar.

“Ele ficou tão ativo que, após a recuperação, exclusivamente com o suor do seu trabalho, conseguiu construir a casa para onde a família se mudou anos depois e onde moro até hoje”, revelou a viúva Maria José, emocionada com o exemplo de fé do esposo. “Ele foi fiel a Deus e a Nossa Senhora Aparecida até o fim”, disse ela.

Dez anos depois de ficar doente e de realizar a jornada, ou seja, em 1987, mais precisamente, no dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, José Liberato da Rocha, faleceu aos 61 anos. Sobre a morte, a família revela que, um dia antes, em 11 de outubro de 1987, ele se sentiu mal e o padre foi chamado para lhe dar a Eucaristia em casa.

Mais tarde, o padre retornou até o endereço da família para ministrar a Unção dos Enfermos, uma vez que, no dia seguinte, o sacerdote não estaria na cidade. Após receber o sacramento da Unção, nosso personagem foi hospitalizado. No dia seguinte, 12 de outubro, ele não conseguia mais falar, momento em que a família ficou ao seu redor na unidade hospitalar. “Ele não falava, mas creio que estava lúcido, pois matinha dos olhos abertos e acompanhava cada movimento nosso com seu olhar”, disse a filha Antonina.

Ela contou que, ainda no dia 12, percebendo o sofrimento do pai, se aproximou dele e disse: “Pai, hoje é o dia de Nossa Senhora Aparecida. Peça para ela a cura ou que ela o tire deste sofrimento”. Em seguida, lágrimas escorreram dos olhos de Pedro Liberato e, mais tarde, ele descansou. “Tenho certeza de que Nossa Senhora ouviu a oração dele e veio ao seu encontro”, afirma Maria José, a esposa.

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Neste mês de outubro de 2017, a Igreja Católica no Brasil celebra 300 anos de graças pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida - Imagem: Reprodução

Ao contar a história, a família se diz emocionada com o exemplo de fé de Pedro Liberato da Rocha. “Muita gente quando fica doente, vai buscar ajuda em lugares onde Deus não está. O meu esposo manteve sua fé firme até o fim. Se ficar doente procure um bom médico e também o padre. O primeiro cuidará do corpo e o segundo da parte espiritual. Precisamos aprender a buscar as coisas na fonte verdadeira”, aconselha Maria José da Rocha.

Para literalmente seguir os passos de Pedro Liberato da Rocha, este ano, os filhos Cláudio, Claudenor e José Liberato da Rocha, acompanhados do genro, que também se chama José Liberato, fizeram o mesmo trajeto. Eles foram a pé de Nova Andradina até a igreja de Ivinhema, mostrando também a fé deles em Nossa Senhora Aparecida.

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“Eles queriam sentir um pouco do que Pedro sentiu, porém, é importante destacar que Pedro sofreu mais, pois fez a caminhada doente, mas mesmo com a fraqueza física, ele conseguiu cumprir a jornada”, explica Antonina. Neste mês de outubro, vários membros da família foram em caravana para Aparecida (SP) para participar das celebrações dos 300 anos do encontro da imagem da santa.

“Nossa Senhora sempre esteve muito ligada à nossa família. Se todas as famílias a amassem como nós a amamos, certamente o mundo seria um lugar bem melhor. Ela tem muitas graças reservadas a seus filhos, basta termos fé e nos consagrarmos a ela. Se a Virgem Maria foi a escolhida por Deus para trazer ao mundo Jesus Cristo, é porque ela pode também nos dar muitas outras bênçãos. Como disse o anjo Gabriel, ela é cheia de graça”, finalizou Maria José da Rocha. 

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