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Investimento em inovação exige união dos setores público e privado

O Brasil deve superar os desafios de investimento em inovação com o aumento do trabalho conjunto entre os setores público e privado. Esse foi um dos principais pontos em comum dos argumentos dos participantes do painel "O Brasil como hub de inovação", realizado nesta quarta-feira (30), no segundo e último dia do Fórum Investimentos Brasil 2018, em São Paulo. "Nós sempre vamos solucionar os problemas quando trabalhamos juntos", resumiu Ana Haracemiv, diretora das áreas de poliuretanos, CAV e soluções industriais da empresa química Dow. O Brasil hoje investe o equivalente a pouco mais de 1% de seu produto interno bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento.

O consenso geral é que esse aporte deveria ser maior - na China, por exemplo, os investimentos equivalem a 2,2% do PIB, sendo 75% do total feitos por empresas privadas. "É preciso que todos os atores relevantes atuem em conjunto. Essa não é apenas uma tarefa do governo e das instituições de fomento", disse Márcia Nejaim, diretora de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Investir em inovação não é questão apenas de atrair recursos, mas de saber para quais áreas direcioná-los. "Temos que antever como será o mundo no futuro. Não podemos virar dinossauros", disse Márcio Girão, diretor de planejamento e gestão de riscos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O raciocínio ganhou um exemplo prático com a manifestação de Ricardo Abreu, diretor de tecnologia e inovação da Mahle: "antes éramos uma empresa de autopeças; hoje trabalhamos como uma empresa de mobilidade. Talvez, no futuro, não existam mais motores como os de hoje, talvez as pessoas viajem em foguetes, mas elas continuarão precisando se locomover."

Se o Brasil ainda enfrenta dificuldades para aumentar seu nível de investimento em pesquisa e desenvolvimento, Berthier Ribeiro-Neto, diretor de engenharia para a América Latina do Google, tratou de apontar um ponto de vista mais construtivo para a questão. "Assim como o Brasil, todas as nações têm problemas. A questão é pensar em onde estão as oportunidades", disse. Sobre oportunidades no mercado local, ele mesmo deu a resposta: o Google está recrutando profissionais para ampliar em 30% seu time de engenheiros no País.

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