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Mato Grosso do Sul passa a contar com Comitê de Prevenção ao Suicídio

Estado está entre as seis unidades da federação com os maiores índices de mortalidade em decorrência de pessoas que tiram as próprias vidas

Despontando entre os seis estados do país com as maiores taxas de mortalidade por suicídio, Mato Grosso do Sul ganha mais uma ferramenta para o trabalho de prevenção. Na última semana, o secretario de Estado de Saúde, Geraldo Resende, instituiu o Comitê Estadual de Prevenção ao Suicídio de Mato Grosso do Sul.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES), em 2017, a taxa de suicídio em Mato Grosso do Sul era de nove mortes em cada 100 mil habitantes. Desde 2015 somos o 3° estado com as maiores taxas dessa mortalidade.

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Grupos de trabalho regionais irão intensificar debate sobre o tema - Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Diante dos números preocupantes que assolam o país, o Ministério da Saúde escolheu, em 2017, os seis estados, sendo Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Piauí, Paraná e Amazonas para que implementassem o comitê e pudessem promover o desenvolvimento e a articulação de medidas destinadas a ampliação das ações de prevenção do suicídio e promoção da saúde mental.

Conforme explicou a gerente da Rede Psicossocial da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Michelle Scarpin, instituir o Comitê era uma das atribuições dos seis estados escolhidos pelo Governo Federal. “O Comitê irá monitorar, acompanhar e avaliar as ações desenvolvidas para prevenção do suicídio até o fim de 2019. Vamos criar novas estratégias de prevenção”, afirma ela.

“Agora, serão instituídos grupos de trabalho regionais que irão intensificar o debate, construir fluxos de atendimento e multiplicar a todos os profissionais as capacitações”, explica.

Nova Andradina

Conforme noticiado pelo Nova News, na região de Nova Andradina, apenas nos últimos anos, foram diversos casos de pessoas que tiraram a própria vida. Segundo a psicóloga Vanessa Leite, de Nova Andradina, em recente entrevista ao site, falar sobre suicídio é muito complexo e abrange diversos aspectos. “Atualmente, os índices apontam aumento considerável desse ato de fuga da dor como também de transtornos mentais, além da maior busca por antidepressivos/ansiolíticos. Diante dessa realidade, cabe a nós fazer uma simples reflexão: por que esses números não diminuem?”, pontua ela.

Nas palavras de Vanessa, a maioria da população vive um intenso sofrimento psíquico. “Não basta apenas falar sobre essa questão social, é preciso abordar os vários fatores que contribuem para esta perda da valorização da vida, dentre eles, são muito recorrentes a depressão, conflitos familiares, término de relacionamentos amorosos e pressões psicológicas”, explica.

Na avaliação da profissional, felizmente, as discussões sobre o tema vêm ganhando espaço significativo na sociedade, apesar disso não se pode negligenciar a relação entre transtornos mentais e as razões do suicídio, representando mais de 90% dos casos, e já se tornou problema de saúde pública.

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Psicóloga de Nova Andradina defende que tema deve ser amplamente debatido pela sociedade - Imagem: Bárbara Ballestero / Nova News

“O preconceito em relação aos transtornos mentais ainda se faz muito presente e pode ser apontado como principal causa dos atentados contra a própria vida, já que esse é um aspecto que dificulta a prevenção e, principalmente, a adesão ao tratamento na maioria dos casos. Nesse sentido, quando uma pessoa fica doente, é quase que natural a procura por ajuda profissional, entretanto quando as emoções não vão bem, o medo dos julgamentos e do estigma podem impossibilitar a busca por apoio”, alerta.

Conforme a psicóloga, falar sobre o suicídio é refletir sobre a vida e não incentivar o ato. “A prevenção começa quando deixamos de lado os mitos que existem em relação a esse assunto e passamos a discutir sobre o problema. Devemos também identificar os sinais que antecedem a ação e saber como ajudar uma pessoa que pode estar em sofrimento. Às vezes esses sinais não são compreendidos pela sociedade, ou até mesmo são velados, mas significam um pedido de socorro. O indivíduo que pensa e tenta esta prática sempre comunica sua intenção de alguma forma”, afirma Vanessa.

De acordo com ela, observa-se ainda a dificuldade que as pessoas encontram em lidar com a angústia de quem está precisando de amparo. Para ela, é importante compreender que o sofrimento do suicida é real, ao ponto que ele acaba com a própria vida num momento de desespero, por não encontrar auxílio para sua dor.

“Precisamos ter sensibilidade para discutir essa realidade, olhar mais para o próximo, questionar a forma como vivemos e nos preocupar com as pessoas que estão morrendo aos poucos em vida. A ausência de lugares para falar sobre nossas dores e inquietações sugere a criação de espaços de circulação da palavra e escuta dos sentimentos e angústias. Conversar sem julgamento e acolher quem está em sofrimento pode salvar vidas”, garante.

Ainda segundo Vanessa Leite, a introdução de um tratamento com psiquiatras e psicólogos é fundamental para o processo de recuperação. “O apoio emocional da família é de suma importância, mas enquanto a sociedade não se conscientizar que o julgamento destrói os sentimentos de quem está sofrendo, essa realidade tem poucas chances de ser modificada. O suicídio pode ser evitado e sua prevenção é possível de ser realizada. Ainda temos tempo para evitar muitas tragédias. Não julgue quem se despede da vida todos os dias”, finaliza.

Afeto e Ação

Ainda em Nova Andradina, recentemente, 14 profissionais da área da Psicologia, que atuam na cidade, se uniram em um projeto de cunho social denominado “Afeto e Ação”, que tem como objetivo levar às pessoas informações sobre a importância dos cuidados para com a saúde mental.

A idealizadora do projeto, a psicóloga Rafaela Mattos, disse ao Nova News que a iniciativa nasceu do anseio em oferecer à população mais informações sobre a área da Psicologia, bem como promover ações de acolhimento além de atividades de incentivo a uma melhor qualidade de vida do ponto de vista emocional.

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Psicólogos de Nova Andradina se unem em projeto para levar mais saúde mental às pessoas - Imagem: Arquivo / Nova News

“Nossa intenção é acolher as pessoas, fazer com que elas sejam ouvidas em suas inquietações e também trabalhar na promoção de ações que despertem o interesse da sociedade para estas questões, daí nasceu o nome do projeto ‘Afeto e Ação’. É uma semente que estamos plantando e que, com certeza, dará bons frutos”, explica Rafaela.

O grupo realizou, no dia 23 de março, no centro de Nova Andradina, uma ação de valorização da vida. Os psicólogos abordaram condutores que passavam pelo local e entregaram adesivos em formato de coração, simboliza afeto e as emoções. No material, a frase ‘Sua Vida Importa’, representa um alerta contra o drama do suicídio.

Segundo os integrantes do projeto “Afeto e Ação”, outras atividades deverão ser realizadas futuramente, como palestras, rodas de conversa e encontros. (Com informações da Secretaria Estadual de Saúde).

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