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Na arte do encontro e do desencontro, quem guia nossas vidas e relações é a internet

Como a conexão online mexe com nossa vida amorosa offline

A estudante de Campo Grande Amanda Barros tinha 22 anos quando abordou sua mãe querendo lhe contar uma notícia: estava namorando e queria apresentar João Alberto Silva, de 25, para a família, "de forma tradicional", como ela escreve. Mas seu grande medo era ser questionada sobre a forma que haviam se conhecido. "Eu dei like nele no Tinder, deu match e combinamos de nos encontrar. Foi bem por acaso e de cara a gente já se gostou", descreve ela, hoje formada em administração. O "match" é a ferramenta do aplicativo Tinder que possibilita que dois usuários que deram "gostar" mutuamente possam conversar no "inbox", ou no reservado. 

O problema é que Amanda não queria que a família reagisse mal ao fato de que ela estava usando o aplicativo, já que muita gente o considera leviano. A surpresa veio depois. "Eu cheguei e falei: mãe, tô namorando. Ela perguntou de onde conhecia e dei uma enrolada, então falei que era da internet. 

Imediatamente ela respondeu: que legal filha. Também tenho alguns paqueras na internet", revela a administradora entre risos. "Ela paquerava homens de 60 a 65 anos pelo Facebook. Depois disso, apresentou o Tinder para sua mãe, que adorou o aplicativo e continua utilizando-o para encontrar parceiros e amizades em um espectro matematicamente calculado. 

O aplicativo Tinder pode ser um dos mais recentes a estabelecer essa dinâmica dos encontros amorosos, e com mais de 10 milhões de usuários no Brasil, pode ser o mais bem visto hoje. Porém, vasculhe sua memória e tente lembrar de quantas pessoas você conhece que hoje estão casadas ou namoram cônjuges encontrados online? Esta repórter que vos escreve tem uma madrinha em Maringá (PR), que conheceu seu atual marido pelo finado serviço "Almas Gêmeas", do Portal Terra, há um bocado de tempo atrás.

Traquejo social

"Hoje não é mais visto como algo perigoso ou estranho buscar uma relação amorosa pela Internet", explica a psicóloga Silvia Mamud. "Isso se dá pois praticamente todo mundo está conectado. Por timidez ou falta de traquejo social, muitas pessoas preferem se relacionar dessa forma, iniciar a conversa assim e depois partir para algo mais ao vivo. Há muitos anos a internet vem influenciando o comportamento humano, e naturalizando algumas situações, como essa", analisa. 

São precisos apenas 30 segundos para encontrar mais de 16 milhões de resultados de sites que prometem proporcionar todo e qualquer tipo de relacionamento pela Internet. A chave está em conhecer pessoas de um tipo pré-determinado a qualquer hora do dia ou da noite. Se hoje estamos submersos em um mundo sem privacidade, também procuramos acalentar a solidão conhecendo gente nova. 

Para a psicóloga, essa movimentação subvertem a lógica tão falada de que a tecnologia nos afasta. "É possível ver que muitas pessoas têm essa inquietação por não se isolar mesmo com a tecnologia. Nós temos apenas é que medirmos isso com bom senso e aproveitar a ferramenta", exemplifica. É a arte do encontro sempre à nossa disposição. 

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