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Notícias falsas nas eleições, por Elizeu Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

As notícias falsas – Fake News - são tão antigas quanto a civilização. Por exemplo: os gregos antigos tinham o frequente hábito de inventar notícias sobre guerras e fenômenos naturais, capazes de influenciar cidades, arruinar negócios, promovendo através deste mecanismo, uma espécie de vale tudo para atingir algum objetivo.

A diferença para os dias atuais é a velocidade com a qual essas notícias circulam. Hoje é um arsenal de guerra extremamente evoluído, que vai desde uma mensagem compartilhada nas redes sociais a aplicativos de mensagens instantâneas. É tão intenso e complicado que já influenciou em eleições nos EUA, e no Brasil, recentemente instalou o caos na greve dos caminhoneiros.

Notícia falsa e mentira são sinônimas de uma realidade que demonstra a incapacidade das autoridades e do sistema de segurança em combater esse efeito colateral danoso, oriundo dos benefícios da tecnologia para mover o mundo moderno.

Semana passada, a Associação Brasileira de Rádio e TV (ABRATEL), realizou em Brasília um seminário para debater as Fake News. O Tema “Os impactos sociais, políticos e econômicos”, dessa prática criminosa que atrapalha e influencia nos princípios do jornalismo praticado pelas profissionais sérios.

O TSE – Tribunal Superior Eleitoral – em parceria com a União Europeia, também discutiram o tema e quão nociva são as falsas notícias para as eleições, poluindo o ambiente democrático. O Presidente do TSE, Ministro Luiz Fux, afirmou, inclusive, que pode vir a anular a eleição, caso fique comprovado se influencias disseminadas por notícias falsas interferiram nos resultados das eleições. A previsão legal está no Art. 222 do Código Eleitoral.

É obvio que isso não vai acontecer. Primeiro porque a justiça eleitoral brasileira não fiscaliza nem comícios realizados fora do período eleitoral. Segundo porque é quase impossível arrumar as provas suficientes para tomar decisão de anular uma eleição. Terceiro porque nossas autoridades eleitorais não tem peito, coragem, para medida tão extrema.

Ainda é bom lembrar que os próprios programas eleitorais ditos “gratuitos”, são elaborados com viés mentiroso, é como irmãos gêmeos xifópagos da enganação, elaborados por marqueteiros que, a rigor, fazem textos e matérias com belos recursos visuais, deixando de lato as questões cruciais do país, quando no máximo, toca de forma periférica demonstrando boas intenções do candidato, sem nunca explicar como e qual recurso utilizar para resolver os problemas sociais do Brasil. (Sobre propaganda eleitoral e programas de governo falaremos em outra oportunidade).

Quanto às notícias falsas nas eleições, sabemos que elas existem. Sabemos que será praticada a exaustão no pleito que se avizinha, resta termos a sabedoria para desdenham tal prática criminosa e não deixar que possa exercer alguma influência sobre nossas decisões. Ou é pedir muito? (Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista - [email protected]).

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