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Nova-andradinense é a mais jovem a ocupar uma cadeira na Academia Feminina de Artes e Letras de MS

Esta é a primeira vez que uma pessoa nascida em Nova Andradina integra a instituição

A escritora Maria Teresa de Mendonça Casadei, de 38 anos, natural de Nova Andradina, é a pessoa mais jovem a ocupar uma cadeira na Academia Feminina de Artes e Letras de Mato Grosso do Sul (AFLA-MS). Esta também é a primeira vez que uma personalidade nascida na “Cidade Sorriso” conquista uma vaga na instituição, que, conforme seu estatuto, tem como objetivo reconhecer, divulgar e incentivar a atuação da mulher em todos os campos culturais, visando sobretudo ao aprimoramento e a preservação da língua Pátria e riquezas culturais da região, estimulando novos talentos, além de prestar atendimento sociocultural inserindo o indivíduo na prática da cidadania.

Maria Teresa explica ao Nova News que ocupar uma cadeira na Academia Feminina de Artes e Letras de MS, além de prestígio, representa uma responsabilidade muito grande: a de zelar pelo aprimoramento e proteção da cultura de um povo, especialmente em Mato Grosso do Sul, Estado que congrega pessoas de diversas origens, miscigenação que fez surgir solo culturalmente fértil, com influência internacional, pela localização estratégica de fronteira.

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Maria Teresa de Mendonça Casadei destaca conquista ao ocupar uma cadeira na Academia - Imagem: Divulgação

“Integrar a AFLA-MS e ter sido indicada para ocupar a cadeira de número 04 é motivo de muita honra, significa o reconhecimento do trabalho e da dedicação no campo da cultura sul-mato-grossense. Na Academia Brasileira de Letras (ABL), a cadeira 04 atualmente é ocupada pelo poeta Carlos Nejar, que veio pessoalmente para nos dar a posse, lembrando que ela já foi ocupada por outras grandes personalidades imortais, como Aluízio de Azevedo, autor de “O Cortiço”, tendo como patrono, Basílio da Gama”, explica Maria Teresa.

Família

Nascida em Nova Andradina no dia 23 de abril de 1981, Maria Teresa de Mendonça Casadei atualmente reside em Campo Grande, cidade onde moram também seus pais, Ludovico Casadei e Eloisa, porém, seus avós maternos, Maurílio Xavier de Mendonça e Tereza, ainda permanecem em Nova Andradina.

Posse

A solenidade de posse acontece nesta terça-feira (30), mesma data em que se comemora o aniversário da Instalação de Nova Andradina. O evento ocorre às 19h30, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, e será prestigiado pelo governador do Estado, Reinaldo Azambuja; pelo prefeito da Capital, Marquinhos Trad; pelo representante da Academia Brasileira de Letras, Carlos Nejar, que veio do Rio de Janeiro especialmente para a posse; além de reitores de universidades, deputados, dentre outras personalidades.

Biografia

Maria Teresa de Mendonça Casadei tem na alma insculpida a insígnia da escrita, sendo contagiante sua paixão pela literatura! Nasceu em 1981, precisamente em 23 de Abril. Acaso ou destino, mesma data em que se comemora o dia internacional do livro.

Filha de Ludovico Casadei e Eloisa Mendonça Casadei, foi gerada em terras sul-mato-grossenses, onde vigora uma fertilidade cultural ímpar. Veio ao mundo em Nova Andradina, mas cresceu em Campo Grande, onde vive atualmente. Tem dois irmãos caçulas: Juliana Mendonça Casadei e Paolo Casadei, com quem aprende todos os dias o sentido de fraternidade e união.

Ainda na escola, no ensino fundamental, ganhou aos 12 anos de idade um concurso de redação promovido pelo Banco do Brasil. Desde então, com a percepção aguçada dos acontecimentos do dia a dia, e o amor pela história, não parou de escrever.

Com apenas 17 anos, já tinha sua própria coluna em um jornal de circulação no Estado. O Semanário “Edição Extra” abrigou a coluna intitulada “Do fundo do Baú”, que resgatava fatos históricos e fazia sua correlação com episódios do cotidiano recente, deixando uma reflexão conclusiva para os leitores.

A educação cristã e os valores herdados no seio familiar contribuíram com a formação de uma consciência crítica e amor à justiça. Encontrou no Direito a oportunidade de materializar ações concretas; na escrita, a voz para disseminar ideias e ideais; e na Educação, a oportunidade de formar pessoas e transformar a sociedade. Esse é o tripé que baliza sua obra!

Assim, concluiu o Curso de Direito em 2003, na Universidade Católica Dom Bosco - UCDB. É também Jornalista e Contabilista; especialista em Metodologia do Ensino Superior; Mestre em Estudos de Linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS, e, atualmente, Doutoranda na Universidade de São Paulo - USP, em Direitos, Humanidades e outras Legitimidades. Tem formação teológica pelo Centro Social Dom Bosco.

Em sua carreira advocatícia, foi Assessora Jurídica da OAB, Seccional de Mato Grosso do Sul, entre os anos 2002 e 2007. Desde então, advoga em escritório próprio em Campo Grande/MS.

Por amor ao Direito, num de seus primeiros casos, em defesa de uma deficiente visual, escreveu uma petição em braile, causando comoção e sensibilizando o Judiciário por fazê-lo, ao tentar lê-la, ter a mesma sensação de exclusão que um deficiente visual diante de um processo judicial escrito no alfabeto latino e números arábicos. A partir de então a acessibilidade linguística se tornou sua bandeira, servindo de inspiração para sua pesquisa de doutorado no campo dos direitos humanos fundamentais.

No campo do ensino, em 2009 iniciou a docência na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e, na sequência, na Universidade Católica Dom Bosco, onde ministra aulas de Direito Constitucional e Direito Administrativo, tendo colaborado com a formação de diversas turmas de profissionais. Em dez anos de docência, ajudou mais de mil jovens a manifestar a paixão pela profissão, formando não só pela técnica, mas no despertar da vocação e amor à justiça.

Na escrita, entre artigos, capítulos e livros editados e publicados que resgatam a história, cultura e temas jurídicos diversos, são mais de 200 contabilizados.

Passeia pelo mundo dos livros, com uma acentuada sensibilidade para encontrar a verdadeira história dos fatos ou permitir que as estórias a encontrem também.

Foi assim, quando tinha apenas 17 anos, numa manhã de 23 de abril, que uma história lhe chegou... Era seu aniversário, e, ao retornar da aula para casa, num ponto de ônibus, encontrou o protagonista de um dos contos sobre desencontros mais infelizes que já havia ouvido, chamava-se Ilário. Da vida real para o livro, registrou a “História Pantaneira”, em que narrou em prosa a versão sul-mato-grossense de Romeu e Julieta, o caso de amor pantaneiro que terminou em tragédia. Do livro para a música, compôs juntamente com Dino Franco, a letra de um chamamé de mesmo nome, que trouxe melodia para o livro inspirado na vida real. Foi mesmo obra do destino escrever e resgatar as memórias do amor de Ilário e Amerinda! Entre lágrimas, a história que veio como um presente em seu aniversário, a fez estrear na coluna semanária do Jornal “Edição Extra” e debutar no campo das artes e articulações.

E as histórias continuavam brotando… Assim registrou em obra o surgimento de Amandina, um pequeno Distrito vizinho de sua terra natal, localizado no coração do Vale do Ivinhema.

No livro "Atílio: um pioneiro", relatou a vinda dos imigrantes italianos para o Brasil no fim de 1800, e o desbravamento do oeste paulista, sendo protagonista os seus antepassados, especialmente seu nonno Atílio.

Conduziu, em 2004, pesquisa que ensejou a obra "O Alvorecer de uma nova Ordem: 30 anos de história", que narra o nascimento da OAB/MS, instituição que tem por missão a luta pelo Estado Democrático de Direito.

Em 2014, coordenou a equipe responsável pelo resgate da atuação ímpar da CPIFCT/MS no combate ao trabalho escravo, compilado na obra "Memorial da Comissão Permanente de Investigação e Fiscalização das Condições do Trabalho de MS/CPIFCT/MS – 20 anos de história".

No campo jurídico, dentre centenas de escritos, lançou “Tópicos de Direito Constitucional e Administrativo” (04 volumes), organizou a obra “Desapropriação: interesse público e o direito do particular em conflito”, participou do Conselho Editorial da Revista Contexto Urbano e tem inúmeros artigos publicados.

Cidadã comprometida com a defesa das liberdades individuais e com o Estado Democrático de Direito, fundou o Grupo de Estudos intitulado “Observatório da Cidadania”, que reúne jovens engajados no propósito de transformar a sociedade pelo estudo, pela informação e pela ação.

São pequenos legados que semeados, vão crescendo e florescendo, e devolvendo ao solo sul-mato-grossense, a mesma inspiração a que tem colhido e que fazem desta, o espelho de muitas histórias anônimas de mulheres guerreiras deste chão!

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