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Opinião: A Copa do Mundo versus a crise brasileira

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Nossa seleção promete fazer uma boa copa, temos até chance de conquistar o título. Mas, muita gente assevera que não dá para esquecer a urucubaca da política. O trânsito caótico. O maldito imposto de rende. A violência urbana. As estradas cheias de buracos. A montanha de carnês para pagar. O desemprego. O baixo salário. As filas nos hospitais. O ativismo judiciário, especialmente neste momento de desgastes das instâncias políticas, onde o judiciário tem assumido um protagonismo perigoso, tomando decisões que caberia aos poderes Legislativo e Executivo. No mais das vezes, tudo isso leva a sociedade a uma espécie de depressão coletiva.

Com tudo, nossa seleção representa o Brasil e os jogos da copa funcionarão como um balsamo, trará um entretenimento para esquecer um pouco os problemas que atingem nosso povo. Talvez. É esperar a bola rolar. Fato é que não sinto essa empolgação, não vejo o torcedor repercutir com intensidade, levando a crer que o país do futebol parece não ser mais tão comprometido assim com essa paixão outrora avassaladora.

De certa forma a CBF (não a seleção), mas a CBF, há décadas está chafurdada no lamaçal da corrupção. Um ex-presidente (Marin), preso nos Estados Unidos e outros dois, (Del Nero e Ricardo Teixeira), não podem sequer deixar o país. Veja que a maldita corrupção, mesmo que de forma indireta tem interferido até no gosto pelo futebol.

São pequenos grupos de poderosos que prejudicam toda uma nação. Faz lembrar e concordar com o economista Mancur Olson, (A Lógica da Ação Coletiva), que afirma que “grupos menores derrotam com frequência grupos maiores. Isso ocorre porque os grupos menores são organizados e ativos, já os maiores normalmente não são”.

Motivos não faltam para que a sociedade esteja quase depressiva, justamente por isso, é hora de sacudir a poeira, torcer muito por nossa seleção e logo depois da copa, dedicar nossa atenção para as eleições. Observar com muito detalhe cada um dos candidatos, até porque, se os últimos governos trataram o povo brasileiro com um comportamento de litigância de má-fé, com todas as obviedades de desonestidade e corrupção, fragilizando nossa democracia, crescem os motivos para que possamos buscar a fortalecer a democracia com a prática de mais democracia. 

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