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Opinião - "Como combater a violência"

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Deixo a resposta para os especialistas. No entanto, do jeito que a coisa anda não é mais possível suportar, impelindo-nos a dar pitacos sobre o assunto, na tentativa de que o tema ganhe prioridade no debate eleitoral que já começou.

Mesmo sem especialidade técnica, qualquer cidadão sabe com clareza matemática que além da repressão que é necessária em muitos casos, sem educação, cultura e esporte para ocupar nossas crianças e jovens, é impossível diminuir a violência, é quase um processo de enxugar gelo.

Em um país com milhões de desempregados, com a ausência do poder público nas comunidades, é fácil deduzir que nossas crianças e adolescentes fiquem totalmente à mercê do crime organizado.

No Rio de Janeiro, por exemplo, em dois anos, a extrema pobreza dobrou. Consequência, (segundo estudos divulgados), de um retrocesso de duas décadas. Retrocesso que tem como matizes, programas sociais inconsistentes, populistas, que forram o estômago, mas não promove as oportunidades, atolando a sociedade em uma eterna espera por uma mão generosa para distribuir uma migalha de pão.

É tão triste e extrema a situação, que tem até vídeo na internet oferecendo dicas de sobrevivência, diante do cenário de guerra.

Enquanto outros países, como Coreia do Norte, Filipinas e tantos outros que viviam situação idêntica investiram pesado em educação rígida, cultura, esporte, programa de melhoramento do sistema prisional, incluindo fortes investimentos em ciência e tecnologia, o Brasil ficou com o discurso retrogrado, tirando recursos do esfolado povo brasileiro para investir em outros países, benevolentemente agraciando ditaduras atrozes.

Vem aí as eleições. Não tenho visto até agora, nenhuma proposta consistente para enfrentar essa violência maldita que fere as vítimas, ceifando vidas e entristecendo o coração sofrido das famílias que choram a saudade, que secam as lágrimas, ao tempo que a fome continua carcomendo seus estômagos.

O pouco que ouvi até agora dos pré-candidatos são frases do tipo: “vamos combater a violência.” Mas como? Primeiro é preciso avaliar que além da gestão eficiente, é bom saber que quase tudo depende da aprovação do Congresso nacional, ou seja, às vezes o postulante a presidência da República está prometendo algo que é da atribuição do Legislativo. Não que ele não deva propor, mas o complicado Congresso Nacional, que será composto por parlamentares que serão eleito com o nosso voto, tem tanta força quanto o Presidente.

O que tenho visto até agora, inclusive aqui em nosso Estado, são supostos salvadores da pátria com discursos periféricos sem qualquer aprofundamento coerente sobre a gravidade pela qual passa o país, especialmente no tocante a segurança pública. Lembrando que o Estado tem grandes responsabilidades constitucionais com a segurança publica.

Nosso sistema democrático que é exercido por um Governo de coalisão, exige a formação de uma base de apoio no congresso, assim como nas Assembleias Legislativas, que muitas vezes tomam rumos já conhecidos, como os mensalões e mensalinhos que habitam as duas casas do Congresso Nacional e as Assembleias.

Porém, o que quero saber é como combater a violência. Quais os projetos para segurança pública? Com a palavra os candidatos. Com os ouvidos bem abertos, os eleitores.

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