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Opinião - De euforia em euforia o brasileiro vai tocando a vida

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Euforia no natal, no réveillon, no carnaval, na copa do mundo de futebol que se aproxima...

De euforia em euforia o brasileiro vai tocando a vida com otimismo. Nem sempre, porém, essa euforia corresponde às condições da vida, nem mesmo do estado físico objetivo.

Viva o otimismo, porque na maior parte do tempo a realidade reflete traumas ardilosos, sendo que o poder da “fantasia” acaba sendo um balsamo nas mazelas provocadas pelos poderes públicos (os três), na vida dos mortais.

Somos subestimados a todo momento. Pensam que o cidadão é bobo, é irracional, é escravo, é de ferro, é desprovido de sentimentos. “Pensam”, mas estão encanados, é o que espero.

Notem a tamanha desfaçatez com a qual somos tratados: não há lugar no mundo onde se paga tantos impostos como no Brasil. Mas nada basta para o Governo. É sempre pouco. A dívida interna aumenta, a externa mais ainda, a gasolina virou ouro, o gás nem se fala, a previdência está “quebrada”, nos hospitais nada tem, exceto filas quilométricas de pobres brasileiros nas macas com ranger de dentes e humilhações, as balas perdidas zunindo pelos ares matando inocentes, as estradas com buracos e pedágios a pagar e mais um rosário de dificuldades e pedras pelo caminho.

Indubitavelmente preciso dar mais ênfase, eloquência a essa tal DESFASATEZ com a qual somos tratados pelas autoridades.

Talvez fique mais adequando dizer: desfaçatez e hipocrisia. Dói ouvir o Ministro da Fazenda dizer que o Brasil está quebrado.

É triste ouvir o sujeito balbuciar que a previdência está quebrada e ao mesmo tempo não explicar que todos os meses retira 30% da grana da previdência (amparado pela DRU), para pagar despesas de cartões coorporativos do alto escalão do governo e outras despesas nada republicanas. Mais doloroso ainda é saber que grandes empresas devem bilhões para a previdência e não pagam. Na esteira da impunidade, grandes empresas cometem o crime de apropriação indébita ao cobrar do funcionário o valor devido da previdência, mas não repassa para o fundo da seguridade Social. A inércia do Governo é assustadora e vão resolver o problema pela via da injustiça, tirando o coro das costas do cidadão com uma reforma esdruxula, quando, primeiro deveria cobrar quem deve e acabar com a DRU, sessar a corrupção, melhorar a gestão, para depois fazer as contas e consequentemente avaliar a necessidade de reforma.

Talvez seja exaustivo, porém necessário elencar alguns dos problemas do funcionamento do “Estado brasileiro”, pois nossa estrutura administrativa requer uma reforma do “Estado”, incluindo profundas modificações no complicado sistema tributário.

A burocracia emperra tudo, a corrupção corrói os cofres, a impunidade contribui para o agravamento, mas a EUFORIA do carnaval está aí para amenizar o sofrimento, impelindo-nos para o otimismo que nos é peculiar, afinal, como diria o poeta Luiz Coronel: quem pensa pequeno morre agachado.

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