Buscar

Pela primeira vez em anos, conselho interfere e barra gastos no Corinthians

Como era esperado, o Conselho de Orientação do Corinthians (Cori) aprovou nesta terça-feira um pedido da diretoria para que o clube pegue um empréstimo de R$ 70 milhões. O aval, porém, teve restrições, algo incomum: a pedida inicial era de R$ 90 milhões; o valor menor só foi aprovado com a condição de que nada seja gasto em contratações de atletas.

O controle dos cofres alvinegros contraria a atuação recente do Cori. Desde a gestão de Andrés Sanchez, o órgão, em praticamente todas as questões que analisava, costumava adotar um posicionamento alinhado com os interesses da diretoria. O veto aos gastos expõe uma nova realidade no Parque São Jorge.

Ainda na época na qual Andrés Sanchez era presidente, em 2008, o Cori deu parecer favorável à mudança do estatuto corintiano. Dois anos depois, aprovou o projeto do Itaquerão, novo estádio corintiano.

No ano passado, o órgão aprovou a criação de um novo fundo de investimentos que anteciparia as receitas de camarotes e cadeiras VIP do estádio, além da criação de uma empresa para gerir a nova casa alvinegra. Também se posicionou a favor da tomada de um novo empréstimo, no valor de R$ 350 milhões para as obras.

A exceção foi no primeira semestre de 2013, quando o Cori emitiu parecer contrário contra uma série de mudanças estatutárias apoiadas pelo presidente Mário Gobbi. Na ocasião, porém, as medidas tinham a oposição do ex-presidente Andrés Sanchez.

O corte de R$ 20 milhões no empréstimo pedido pela diretoria e a restrições ao uso da verba mostram duas situações pelas quais passa a diretoria do Corinthians, diferentes das enfrentadas nos últimos anos.

Pela primeira vez desde o retorno do clube à Série A e a contratação de Ronaldo, as finanças do clube do Parque São Jorge são motivo de preocupação. Depois de um ano mágico em 2012, com a conquista do Mundial de Clubes e receitas recordes, as coisas mudaram radicalmente.

Em 2013, o mau desempenho no segundo semestre e a eliminação precoce na Libertadores causaram quedas nas receitas. Em 2014, elas estão abaixo do esperado no orçamento. Enquanto isso, crescem as despesas com juros de empréstimos ligados ao Itaquerão e cobranças da torcida por melhores resultados em campo. A oposição também cobra documentos sobre as contas do ano passado, aprovadas com ressalvas em março.

As restrições colocadas pelo Cori lembram, ainda que de forma distante, a situação atravessada pelo rival Palmeiras no final da gestão de Arnaldo Tirone. Na ocasião, o Conselho de Orientação e Fiscalização do alviverde (COF) proibiu o presidente de contratar jogadores sem aval do Conselho Deliberativo.

O COF do Palmeiras tem atuação distinta do Cori alvinegro. Apesar de ser um conselho de orientação, que emite pareceres mas necessita de ratificação em assembleia para ter poder de veto, o órgão palmeirense, desde a gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo, em 2010, acompanha de forma ferrenha as contas do clube, com reprovações e restrições.

A segunda realidade vivida pelo Corinthians é a de que a diretoria de Mario Gobbi vem perdendo força política dentro do clube. Os maus resultados dentro de campo têm atraído cada vez mais críticas entre os conselheiros do clube. A restrição ao uso de empréstimo para a contratação de atletas expõe um abalo na confiança na gestão financeira do clube e no uso dos investimentos.

As eleições presidenciais no Parque São Jorge ocorrem em fevereiro, e os candidatos tanto da situação como da oposição estão indefinidos. Roberto de Andrade, que até o final de 2013 era nome de consenso da situação, já não é tão certo. Hoje, Andrés Sanchez é a maior força política dentro do clube.

Os R$ 70 milhões aprovados pelo Cori serão utilizados para o pagamento de valores atrasados, dentre os quais direitos de imagem e salários, impostos e algumas dívidas com parceiros, de modo a manter a saúde financeira do Corinthians até o final do ano.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.